Participação mais que especial do amigo (querido demais) Edilton Reinaldo. Espero que gostem! Ótima leitura =)
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Lembro com
certa nostalgia do meu primeiro dia de aula, quando ingressei no curso de
LETRAS da Universidade Estadual de Goiás, no agora longinquo ano de 2010: A
recepção calorosa (e por vezes suja) dos veteranos, as trocas de olhares
assustados dos novatos, o nervosismo latente, potencializado em igual proporção
pela completa ignorância acerca dos tramites legais que envolvem a jornada de
autoconhecimento de um calouro, a insegurança diante das inúmeras
possibilidades de aprendizado e enriquecimento profissional e intelectual,
proporcionadas pelo ingresso em uma instituição de ensino superior… E, acima de
tudo isso, ainda lembro-me com perfeita clareza, da primeira frase que ví
escrita em um quadro negro na universidade: “HARRY POTTER NÃO É LITERATURA!”. Da
mesma forma, lembro-me com certa nostalgia de minha reação na época (que
continua sendo a mesma nos dias atuais); um ligeiro entreabrir de lábios
tortos, um soerguer de sobrancelha e um suspiro indignado seguido de um: “COMO
É QUE É?”
É curioso como do ponto de vista
dos críticos e de alguns estudantes de letras (e alguns outros cursos, que se
consideram um pouco mais intelectualizados do que nós, meros mortais, tenho que
acrescentar) a maioria dos blogs de literatura simplesmente não fala sobre
literatura. “Paulo Coelho? Stephenie Meyer? Dan Brown? J.K. Rowling? Isso não é
literatura! Isso é lixo verbalizado!”.
Particularmente falando, sinto-me inclinado a achar
que é um erro tentar separar a má literatura da literatura, como se fossem duas
coisas completamente distintas. Longe de mim defender a literatura ruim. Textos
mal construídos, com diálogos e situações exageradamente inverossímeis - até
mesmo para a mais fantástica das obras - e a profundidade de uma colher de
sobremesa, não merecem lugar cativo no cânone literário, ou sequer no recanto
mais obscuro e poeirento de nossas estantes. Entretanto, isso não me impede de
questionar se essa pessoas estão mesmo certas quando tentam separar o joio do
trigo.
Do MEU ponto de vista, a arte não é essencialmente bonita
ou bem feita, visto que uma de suas diversas características pressupõe
justamente a exteriorização de nossas próprias imperfeições. Um quadro mal
pintado deixa de ser arte porque foi mal pintado? A falta de uma rima ou de uma
linha estilística específica relega o poema ou o romance a um segundo (e
indigno) plano? Os versos livres do Romantismo, em contra-partida á métrica
exagerada do Racionalismo, por exemplo, inferiorizaram o segundo com relação ao
primeiro? O que dizer então de Saramago e seu Nobel, compartilhado
pacificamente entre seu talento e a escassez de pontuação de seus romances? Ou
da literatura reinventada de Cortázar com seu “último round”, dialogando, por
vezes, de maneira quase caótica com as imagens e as experimentações
estilísticas que romperam com a tradicionalidade da literatura latino
americana? Ou até mesmo de Joyce e seu quase interminável fluxo de consciência
que ajudou a alavancar o modernismo? Seriam todos escritores incompetentes por
que não seguiram as normas estilísticas pré-estabelecidas pelos clássicos ou
eruditos de suas respectivas épocas? Guardadas as devidas proporções, o que
diferencia a má literatura da “literatura de verdade?” (se é que há essa
diferenciação). É um caso a se pensar, de preferência com a mente aberta.
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| Ed =) |



