Reforce | Acompanhamento Pedagógico


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sobre a distribuição de Livros Literários para as Escolas Públicas

PNBE – Da distribuição ao acesso garantido
A leitura literária é uma atividade de acesso ao conhecimento produzido, ao prazer estético e, ainda, uma atividade de acesso às especificidades da escrita. Sendo assim, à medida que a criança percebe a leitura como uma forma de libertar sua imaginação das obrigações do cotidiano, espontaneamente ela desenvolve o cognitivo além é claro, da leitura e escrita. Por isso que momentos de aconchego para a leitura se tornam tão necessários no cotidiano da sala de aula.

É válido ressaltar que é imprescindível que haja investimentos na formação de novos leitores e na consolidação dos leitores existentes. Sendo assim, alguns programas de incentivo a leitura e acesso aos bens culturais são vistos como estímulo.

O Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) tem como objetivo prover as escolas de ensino público das redes federal, estadual, municipal e do Distrito Federal, no âmbito da educação infantil (creches e pré-escolas), do ensino fundamental, do ensino médio e educação de jovens e adultos (EJA), com o fornecimento de obras e demais materiais de apoio à prática da educação básica.

Este programa visa distribuir às escolas por meio do PNBE; PNBE do Professor; PNBE Periódicos e PNBE Temático acervos compostos por obras de literatura, de referência, de pesquisa e de outros materiais relativos ao currículo nas áreas de conhecimento da educação básica, com vista  à democratização do acesso às fontes de informação,  ao fomento à leitura e à formação de alunos e professores leitores e ao apoio à atualização e ao desenvolvimento profissional do professor.
Todas as escolas públicas cadastradas no censo escolar realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) são atendidas pelo programa sem necessidade de adesão. O PNBE visa não apenas na distribuição de livros acessíveis a crianças e adolescentes, mas visa também distribuir livros para professores.
O PNBE do Professor tem por objetivo adquirir obras de referência para ajudar os professores da educação básica regular e da educação de jovens e adultos na preparação dos planos de ensino e na aplicação de atividades em sala de aula com os alunos.
Na edição de 2013, obras voltadas para a educação infantil foram incluídas. Deste modo, o PNBE do Professor passou a ter acervo em seis categorias: educação infantil, anos iniciais do ensino fundamental regular, anos finais do ensino fundamental regular, ensino médio regular, ensino fundamental da educação de jovens e adultos e ensino médio da educação de jovens e adultos.
PNBE Especial – Ainda em 2010, os alunos e professores foram atendidos pelo PNBE Especial. O Programa adquiriu e distribuiu obras de orientação pedagógica aos docentes do ensino regular e de atendimento educacional especializado e, ainda, obras de literatura infantil e juvenil em formato acessível aos alunos com necessidades educacionais especiais sensoriais. Nesse ano foram distribuídas 1,2 milhões de obras (82.350 acervos).
No que diz respeito ao critério utilizado para a distribuição dos livros, segue a seguinte ordem:
Acervos 1, 2 e 3 - Escolas com 1 a 30 alunos receberam um acervo, escolas com 31 a 100 alunos,  dois acervos e escolas com mais de 100 alunos, quatro acervos. Acervo 4 (EJA) - Escolas com 1 a 30 alunos e escolas com 31 a 100 alunos receberam um acervo e escolas com mais de 100 alunos, dois acervos. Cada tipo de acervo foi direcionado a um segmento ou modalidade de ensino.       
No site do Ministério da Educação segue uma lista de 2006 a 2013 de acervos distribuídos através do PNBE. O acervo de 2013, por exemplo, segue uma lista de mais ou menos 100 livros divididos para Educação Infantil, Fundamental 1, EJA, Ensino Médio.
São distribuídas também, revistas de cunho pedagógico que segundo descrição no próprio dite do Ministério da Educação “são um complemento à formação e à atualização dos docentes e demais profissionais da educação.”
A intenção com essa análise não é criticar de forma a degradar o PNBE e a forma como este atua, mas sim observar se de fato a distribuição é feita a cooperar com o acesso dos alunos e os próprios professores a terem acesso à cultura letrada.
É rotineiro perceber que muitos desses livros que chegam às escolas permanecem nas caixas e em lugares onde as crianças não têm acesso. Assim procedendo, a escola continua por perpetuar certas ações não garantindo o acesso à cultura letrada de forma completa.
  Podemos citar situações como uma biblioteca que não suporta a quantidade de livros recebidos ou se estão em lugar acessível aos alunos e até mesmo aos professores, e muitas vezes há uma procura inexpressiva por literatura e pesquisa. Temos também o agravante, o fato de muitos professores não terem o hábito de leitura, acabam por não mostrar aos alunos a necessidade de cultivar a apreciação literária.
Segundo o Ministério da Educação (2006), A leitura, como prática sociocultural, deve estar inserida em um conjunto de ações sociais e culturais e não exclusivamente escolarizadas, entendida como prática restrita ao ambiente escolar. A partir dessa afirmação percebesse que políticas como PNBE se fazem necessárias para a propagação de uma cultura letrada, mas deve ser feita de forma a agregar todos os sujeitos envolvidos no âmbito escolar.

A ação deve estar além da distribuição de livros, deve se preocupar em como os alunos e professores terão acesso a leitura literária e qual o posicionamento da instituição nessa ação.

Santos e Winkeler (2012) afirmam:

Sabe-se que a escola possui o desafio de despertar o gosto pela literatura nos educandos, pois ela é, muitas vezes, o único ambiente onde eles têm um maior contato com os livros e é por excelência um organismo de importância na formação do leitor. Porém, há uma grande resistência dos alunos à prática leitora.


Sendo assim, é necessário compreender que esta resistência dos alunos pela leitura se dá muitas vezes dentro da própria escola que utiliza da prática literária uma forma de ensinar conteúdos pragmáticos, tornando a leitura uma atividade desinteressante e muitas vezes obrigatória.


            Programas como esse se fazem eficazes a partir da conscientização dos professores em instigar no aluno o interesse por leitura, multiplicando e disseminando a metodologia da formação do gosto pela leitura para o dia-a-dia da escola, principalmente a pública, sendo o professor aquele que irá refletir seu próprio interesse pela cultura letrada, dando importância a sua história de leitor e, consequentemente, valorizando as atividades e o ensino da leitura na escola.


Referência Bibliográfica
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12368&Itemid=575 Acessado às 23:25 do dia 14/02/2014.

CASTRO, Priscila Cristina Vieira, SOUZA, Renata Junqueira, SOUSA, Ana Cláudia, SOUZA,Grazielle Campos.  Políticas Públicas de Formação de Leitores em uma Escola de Séries Iniciais de Presidente Prudente.

Ministério da Educação. Por uma cultura de Formação de Professores. 2006, p. 23 a 25. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Plano de Aula na Educação Infantil? Pra quê?

Uma breve reflexão sobre o Planejamento Escolar

O planejamento pedagógico deve ser encarado como uma etapa de extrema importância no desenvolvimento do trabalho educativo na educação infantil. É uma atitude crítica do educador diante de seu trabalho docente o que permite revisar, procurando sempre novos significados para sua prática pedagógica.

Dentro desse planejamento temos subdivisões. O planejamento cotidiano da prática, por exemplo, deve ser direcionando com o auxilio do calendário, buscando assim datas comemorativas como, por exemplo, carnaval, dia do índio, à páscoa entre outras. Nesse processo pode acontecer o desenvolvimento de atividades direcionadas, que fecham entre si.

No caso do planejamento baseado em aspectos do desenvolvimento, é necessário que aja uma preocupação em determinar objetivos a partir de atividades que estimulem as crianças em áreas específicas, consideradas importantes, como o desenvolvimento afetivo estimulando a criatividade e motivação. O desenvolvimento afetivo é muito importante, e as atividades baseadas em Artes Plásticas, Música, Dramatizações e Histórias. O professor ao planejar seu dia a dia deve deixar claro quais atividades deve propor.

Também é possível utilizar o “tema” como o gerador de atividades, ou seja, planejamento baseado em temas- integrador, gerador, centros de interesse, unidades de experiência. Nesse tipo de planejamento, o trabalho é organizado com base em temas escolhidos pelo professor, sugeridos pelas crianças ou por situações particulares significativas. Escolher o tema é o primeiro passo, depois é necessário prever atividades que poderiam ser desenvolvidas com base nesse tema delimitado.

E por fim, o planejamento baseado em conteúdos organizados por áreas de conhecimento, que são a língua portuguesa, matemática, ciências sociais e ciências naturais. Nesse planejamento a intenção é favorecer a ampliação de tais áreas, articulando-as.

O planejamento no espaço da educação infantil, precisa entrar na relação do aluno, buscando o desenvolvimento, construindo a identidade de grupo junto com as crianças. É essencialmente linguagem, formas de expressão e leitura do mundo, formulando assim, perguntas e ajudando a conviver com a dúvida.

 Lembre-se professor, o foco do seu planejamento (por incrível que pareça) não é você, é o seu aluno. Tudo deve girar em torno do aluno. 


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Escritores da Minha Vida: Friedrich Nietzsche

Boa noite J
Desde o início de agosto venho postando textos de autores que eu particularmente gosto muito.

Para fechar com chave de ouro as publicações desse mês (e sim, eu sei que hoje não é segunda-feira, mas não poderia deixar esse texto de fora), o texto de hoje é Do Amigo, escrito por Nietzsche e você pode encontrar no livro Assim falava Zaratustra, obra memorável do autor e um dos meus livros preferidos.

Queria deixar registrado esse texto, pois traduz um pouco os dias que tenho vivido.

Espero que gostem tanto quanto eu.

Ótima leitura!

P.S: Mulheres, não liguem para os adjetivos cruéis que Nietzsche usa para se referir a nós. É mal de amor!

(***)


DO AMIGO

 “Um só me assedia sempre excessivamente (assim pensa o solitário). Um sempre acaba por fazer dois!”

 “Eu e Mim estão sempre em conversações incessantes. Como se poderia suportar isto se não houvesse um amigo?

 Para o solitário o amigo é sempre o terceiro; o terceiro é a válvula que impede a conservação dos outros dois de se abismarem nas profundidades.

 Ai! Existem demasiadas profundidades para todos os solitários. Por isso aspiram a um amigo e à sua altura.

 A nossa fé nos outros revela aquilo que desejaríamos crer em nós mesmos. O nosso desejo de um amigo é o nosso delator.

 E freqüentemente, como a amizade, apenas se quer saltar por cima da inveja. E freqüentemente atacamos e criamos inimigos para

ocultar que nós mesmos somos atacáveis.

 “Sê ao menos meu inimigo!” — Assim, fala o verdadeiro respeito, o que se não atreve a solicitar a amizade.

 Se se quiser ter um amigo, é preciso também guerrear por ele; e para guerrear é mister poder ser inimigo.

 É preciso honrar no amigo o inimigo. Podes aproximar-te do teu amigo sem passar para o seu bando?

 No amigo deve ver-se o melhor inimigo. Deves ser a glória do teu amigo, entregares-te a ele tal qual és? 

Pois é por isso que te manda para o demônio!

 O que se não recata, escandaliza. “Deveis temer a mudez! Sim; se fosseis deuses, então poderíeis envergonhar-vos dos vossos vestidos”.

 Nunca te adornarás demais para o teu amigo, porque deves ser para ele uma seta e também um anelo para o Super-homem.

 Já viste dormir o teu amigo para saberes como és? Qual é, então, a cara do teu amigo? É a tua própria cara num espelho tosco e imperfeito.

 Já viste dormir o teu amigo? Não te assombrou o seu aspecto? Ó! meu amigo; o homem deve ser superado!

 O amigo deve ser mestre na adivinhação e no silêncio: não deves querer ver tudo. O teu sono deve revelar-te o que faz o teu amigo durante a vigília.

 Seja a tua compaixão uma adivinhação: é mister que, primeiro que tudo, saibas se o teu amigo quer compaixão.

 Talvez em ti lhe agradem os olhos altivos e a contemplação da eternidade.

 Oculte-se a compaixão com o amigo sob uma rude certeza.

 Serás tu para o teu amigo ar puro e soledade, pão e medicina? Há quem não possa desatar as suas próprias cadeias, e todavia seja salvador do amigo.

 És escravo? Então não podes ser amigo.

 És tirano? Então não podes ter amigos.

 Há demasiado tempo que se ocultavam na mulher um escravo e um tirano. Por isso a mulher ainda não é capaz de amizade; apenas conhece o amor.

 No amor da mulher há injustiça e cegueira para tudo quanto não ama. E mesmo o amor, reflexo da mulher, oculta sempre, a par da luz, a surpresa, o raio da noite.

 A mulher ainda não é capaz de amizade: as mulheres continuam sendo gatas e pássaros. Ou, melhor, vacas.

 A mulher ainda não é capaz de amizade. Mas dizei-me vós homens: qual de vós outros é, porventura, capaz de amizade?

 Ai, homens! que pobreza e avareza a da vossa alma! Quando vós outros dais a vossos amigos eu quero dar também aos meus inimigos sem me tornar mais pobre por isso. 

 Haja camaradagem. Haja amizade.”

 Assim falava Zaratustra.




Referência Bibliográfica:

Assim falava Zaratustra - Friedrich Nietzsche 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Escritores da Minha Vida: Ferreira Gullar

Bom dia!!!

Peço perdão pelo atraso na publicação, mas o tempo está correndo muito ligeiro nos últimos dias. 

Eu tinha preparado um texto escrito por Nietzsche para compartilhar com vocês, mas fui surpreendida hoje com um poema escrito por Ferreira Gullar que circulava nas redes sociais e não resisti.

Por esse motivo, excepcionalmente hoje não vou postar um texto de algum autor que eu tenha costume de ler e que arranca suspiros de mim, mas vou publicar o texto Traduzir-se de Ferreira Gullar.

Quando eu li esse poema, fiquei sem palavras. Me vi em cada estrofe. Me vi sendo desvendada por alguém que eu não conheço e isso foi magnifico pra mim.

Confesso que não conheço muito sobre o autor e nem sobre suas produções. Vou me informar melhor e  trazer mais poemas escritos por ele para compartilhar com vocês no blog.

Sem mais delongas, vamos à leitura!

(***)


TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?



Referência Bibliográfica:

http://www.revista.agulha.nom.br/gula.html

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Escritores Da Minha Vida: Humberto Gessinger


O texto de hoje, vem direto das ondas de um gaúcho que a muito tempo tem meu respeito e admiração.

Não apenas por ser um ótimo cronista, mas muito mais por suas músicas que me conquistaram desde a primeira vez que ouvi.

Humberto Gessinger, líder, compositor, e músico multiuso dos Engenheiros do Hawaii, teve em muitos postes do Alucinações seu espaço, onde por diversas vezes pude compartilhar com vocês sua biografia em breves palavras e textos / músicas escritas e executadas por ele.

Como nesse mês estaremos abordando textos e não músicas, escolhi o texto "A força do silêncio", ou como ele mesmo escreveu: "A f(*)rça d(*) silênci(*) - 72".

Aprendi, ouvindo suas músicas e lendo seus livros que o silêncio é uma ótima saída e deve ser sempre utilizado. E como sou uma admiradora sem tamanho do silêncio, seja ele qual for, escolhi esse texto como inspiração pra vocês.

Como sempre, posso ler esse textos por diversas vezes, mas sempre vai me tocar de formas diferentes.

Então, sem mais delongas vamos ao texto... "os de fé".

(***)

A f(*)rça d(*) silênci(*) - 72

Se um gaúcho te disser "'qualquer coisa, prende o grito", pode chamá-lo se precisar de algo. É este o sentido da frase para nós. O contrário do grito preso na garganta que Chico Buarque canta em Cálice. Cale-se, só que não. Soltar o verbo. É este  o espirito de "prender o grito" para gaúchos.

(*)

Gritar, desabafar, é bom. Até certo ponto - como tudo na vida. Como sempre na vida, é difícil saber onde - raios! - fica este ponto de equilíbrio.

Gritar, desabafar, pode ter o efeito contrário: pode aumentar a pedra no caminho (ou no sapato) que gera a angústia que precisa desabafo. Tipo aqueles dias muito quentes ou frios demais em que todo mundo que encontramos reclama do calor do cão e do frio de rachar. E cada comentário só faz realimentar o desconforto da temperatura extrema.

Há situações em que talvez seja melhor engolir o grito. Com água quente e erva mate.

(*)

O silêncio de quem tem algo a dizer é igual ao de quem não tem? Como saber se, visto (ou melhor: ouvido - ou melhor ainda: não ouvido) de fora, todo silêncio é igual?

(*)

4'33" é uma peça (uma música? um happening?) do compositor vanguardista John Cage. Composta originalmente para qualquer instrumento, geralmente é interpretada ao piano. Não sei se cabe usar o termo "tocada" pois, na peça, o músico deve ficar exatos 4 minutos e 33 segundos ao instrumento sem tocar nenhuma nota.

Radicalizando a noção de que o silêncio faz parte da música, em 4'33" Cage colocou o silêncio no comando para que os ruídos, sempre existentes, sejam a música. Longe de ser um solo de nada, é um mix de tudo, de qualquer coisa....

... um achado! Dizem que ser genial é ver o óbvio antes dos outros. Se não fosse Cage, alguém, em algum momento, certamente teria esta ideia. Como toda peça "de vanguarda", "experimental" (termos sempre inexatos), ela se presta a muita especulação e picaretagem.

Frequentemente, este tipo de manifestação artística conceitual faz mais sentido em páginas de livros e trabalhos acadêmicos do que em salas de concerto, museus e no dia a dia. Mas sempre que penso no silêncio, 4'33" me vem à mente...

... será que qualquer um pode "executá-la" tão bem quanto um grande pianista? Todo silêncio é igual?


Referência Bibliográfica: 
http://blogessinger.blogspot.com.br/2012/10/a-frca-d-silenci-72.html

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Escritores Da Minha Vida: Vinícius de Moraes

Como combinado, no mês de agosto estarei postando textos de autores que eu gosto muito. Peço desculpas pois o texto da semana chega com alguns dias de atraso. 

O autor da semana é Vinícius de Moraes e sua bibliografia já foi publicada por mim aqui no blog em comemoração ao seu centenário.

Escolhi o Soneto de Fidelidade, muito conhecido, mas que se torna novo para mim cada vez que eu o leio.

Vamos então à leitura!

(***)


Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



Referência Bibliográfica:  

Vinicius de Moraes, Antologia Poética, Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Escritores Da Minha Vida: Fabrício Carpinejar

Vou iniciar esse mês no blog, uma série com texto dos meus autores favoritos, entre eles poetas, cronistas e filósofos. 

Durante o mês de Agosto, toda segunda-feira, publicarei um novo texto de autores diferentes.

O texto de hoje é do Fabrício Carpinejar.

Conheci as obras de Carpinejar a pouco tempo e desde então, acompanho tudo o que posso, no que se refere as suas obras.

O texto de hoje "Todo o amor do mundo em mim", reflete muito sobre mim e não poderia deixar de compartilhar.

Espero que esse texto do Carpinejar acalente o coração de quem lê!

Grande abraço!

(***)

TODO O AMOR DO MUNDO EM MIM

Fabrício Carpinejar

Amo duas vezes: sendo e falando. Tenho o costume de explicar meu gosto. Não direi "eu sou assim, azar dos outros". Não sou ninguém sem os outros. O inferno é eu comigo.

Amo acordar de madrugada e ficar com a impressão de que aproveitei o trabalho. Já anoiteço cedo.

Amo quando posso me emocionar com os próprios textos.

Amo quando ninguém entende como consegui fazer tantas atividades em tão pouco tempo.

Amo quando sou reconhecido por um sacrifício.

Amo fazer loucuras por quem amo como se fosse simples.

Amo sexo de manhã, que não foi planejado.

Amo quando minha carência não é repreendida, mas vista como engraçada.

Amo passear pelo meu bairro com chimarrão e me acomodar nos degraus de sol dos parques.

Amo virar o shopping pelo avesso experimentando roupas.

Amo o raciocínio poético e as comparações mágicas.

Amo a gargalhada vizinha do choro e da tosse.

Amo ouvir de meus pais as façanhas da infância.

Amo dizer oi sempre que chego num ambiente, mesmo que seja o enésimo oi. No fundo, amo chegar.

Amo massa recheada e pizza. Ao terminar uma refeição, quando realmente gosto, lamento que comi demais.

Amo suspirar. O suspiro é o elevador da alma.

Amo ser recebido no restaurante pelo nome e sentar na mesma mesa.

Amo repetir histórias com ênfase diferente. A invenção é meu esquecimento.

Amo brechós e antiguidades. Sou aficionado por objetos antigos como gramofone, telefone de parede e máquinas de escrever. Já comprei cartão-ponto de uma empresa do início do século passado.

Amo raspar brigadeiro em panela e comer pipoca no cinema.

Amo colocar os livros por ordem alfabética e esconder objetos atrás de meus autores prediletos.

Amo selecionar papéis de carta, canetas coloridas e pastas.

Amo o humor direto dos palhaços e dos filmes mudos de Chaplin e Buster Keaton.

Amo quando encontro gente carinhosa que me faça parecer discreto.

Amo declarações escandalosas na rua, como gritos e corridas para abraços.

Amo comitiva familiar no aeroporto.

Amo organizar meu armário quando adquiro uma outra peça.

Amo estender a roupa em varal aproximando cores.

Amo dormir de conchinha e de pés dados - é se manter conectado durante os sonhos.

Amo dizer eu te amo em toda ligação para a mulher.

Amo a saudade dos minutos mais do que a saudade de dias.

Amo quem não economiza beijo na boca e não é avarento no amor, pois é triste beijar com vontade só na transa.

Amo ler bilhetes românticos de apoio e incentivo na cozinha.

Amo voltar do trabalho e ser surpreendido com a janta pronta. Comemoro abrindo um vinho.

Amo dar presentes e acertar o tamanho e a preferência.

Amo assistir meu time no estádio e falar de futebol por horas a fio com meu filho Vicente.

Amo as perguntas filosóficas de minha filha Mariana.

Amo telefonar para os meus amigos para rir à toa.

Amo quando sou reconhecido pelos leitores, amo quando vejo que sou ainda desconhecido para mim.

Amo a bebedeira devagar do churrasco, emendando a tarde com a noite.

Amo explicar poesia e pintura, citar autores, chamar algum livro esquisito do fundo da memória.

Amo discutir política com preconceituosos, só para provocá-los e descobrir até onde vão com suas teorias reacionárias.

Amo sorvete com cobertura de chocolate na praia.

Amo o barulho do balanço. Estudei ao lado de uma praça, e o esticar das correntes era a vida me chamando.

Amo ler o jornal logo cedo, e depois comentar as manchetes com quem está acordando.

Amo escutar notícias enquanto dirijo.

Amo comer massa chinesa em caixinha, eu me sinto estrangeiro no sofá.

Amo passear por museus e fingir seriedade. O museu é a igreja do meu silêncio.

Amo dançar sem me importar como danço.

Amo cartões na hora de mandar flores. O que me interessa é o buquê das palavras.

Amo lustrar sapatos antes de sair.

Amo ganhar missões e tarefas difíceis.

Amo oferecer o ombro e o peito para o descanso da esposa.

Amo atravessar calçadas com tapetes florido do flamboyant.

Amo os relâmpagos riscando o céu mais do que a chuva nas calhas.

Amo parar em belvedere na estrada para admirar as curvas dos rios. Amo montanha verde, que usa cinto de água.

Amo quando eu me atrapalho e sou perdoado.

Amo quando sou decifrado e não preciso mentir.

Amo quando a verdade é dita com esperança, sem grosseria e julgamento.

Amo ser a pessoa mais importante de alguém.

Amo, no fim, três vezes: sendo, falando e escrevendo.

E, por amor, se precisar, sempre me transformo.



Fonte:

http://carpinejar.blogspot.com.br/

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Políticas Públicas para a diversidade e inclusão: a educação e as relações sociais.


Falar sobre inclusão no âmbito cultural, social e racial requer uma visão crítica e humanizada, levando em consideração a realidade da educação nos nossos dias. De antemão é válido ressaltar que o conceito democracia não pode ser considerado em sua essência, pois este se encontra em risco, principalmente dentro das escolas. De igual modo refiro-me ao conceito igualdade.

Segundo Freitag (1979),

O modelo societário subjacente é o de igualdade das chances, não o de igualdade entre os homens. Essa igualdade das chances é reconhecida e aceita pelos indivíduos da natureza (força, inteligência, habilidades). As desigualdades na sociedade não são percebidas como diferenças geradas histórica e socialmente pelo próprio sistema social estabelecido, mas como justas, decorrentes das diferenças naturais entre os homens.


Neste sentido fica evidente que as “oportunidades” fornecidas aos que são marginalizados pela classe hegemônica, são uma forma velada de exclusão. Deste modo, a democracia se torna no autoritarismo democrático consentido pelo povo.

Nietzsche (1879) afirma que o esquema do ensino é tão bem montado pelo Estado que não permite ao professor sofrer com a falta do que dizer, pois nem o professor nem o aluno, pensam por si mesmos. 

Precisa-se de uma cultura para a vida, e para isso, são imprescindíveis instituições de ensino que são voltadas para a cultura. Instituições criadas para educar o corpo e o espírito do indivíduo, o tornando capaz de abrigar e proteger o intelecto. A presença do professor com uma visão crítica-reflexiva é imprescindível.

Para que haja uma revolução qualitativa no setor educacional, exige do professor esforço, participação e cooperação. É preciso se esforçar em não acomodar-se diante do sistema, das dificuldades impostas, da falta de tempo para se aperfeiçoar (muitos professores trabalham nos três turnos, tendo por meta ampliar a renda financeira, e acabam apoiando toda a sua prática apenas nos quatro anos de graduação), além de conhecerem pouco, seus alunos (onde posso citar suas limitações e avanços).

No campo da participação é necessário que o professor se atualize constantemente, mas digo isso não apenas no campo pedagógico, mas também do cotidiano dos alunos, na política, filosofia, na arte e entre tantos outros. E por fim a cooperação onde o professor junto com seus colegas de profissão, estarão partilhando suas experiências na luta contra o poder opressor que insiste em dizer que temos que nos submeter a um sistema que sempre tem deixado a educação à margem das prioridades da nação.

A igualdade social é nociva, pois provoca uma padronização, uma uniformização entre os indivíduos, o que é um desrespeito a individualidade de cada um (Cunha, 1980). Neste sentido à medida que a sociedade se prende ao conceito de democracia liberal, ela entra no “jogo” do governo que assegura à comunidade nacional que todos têm a mesma oportunidade, o que acelera o ritmo de competição política e econômica.

Tomo a liberdade de trazer a fala de um teórico que li no início do ano. Segundo Silva (1989), educar/ensinar é um ato político.

Entendemos bem essa proposição: a essência política do ato pedagógico orienta a práxis do educador quanto aos objetivos a serem atingidos, aos conteúdos a serem transmitidos e aos procedimentos a serem utilizados, quando do trabalho junto a um grupo de alunos.

Seguindo essa linha de raciocínio, a postura política do professor se corporifica no momento em que ele seriamente planeja e em seguida executa o seu programa de ensino. O que exige do educador um compromisso de reflexão sobre a prática pedagógica concreta e social, onde essa prática se insere a quem e o porquê esse profissional está servindo no seu contexto direto de ação.

Incluir não é somente aceitar, é compreender. É necessário um posicionamento crítico-reflexivo, que vai além do senso comum e imposição hegemônica. Não basta incluir o negro, o pobre ou aqueles com problemas de saúde, é necessário que crie condições para que o sujeito supere a própria exclusão imposta a ele. 


Referência Bibliográfica

CUNHA, Luiz Antonio. Educação e Desenvolvimento Social no Brasil. Rio de Janeiro, F. Alves, 1980.

FREITAG, Bárbara. Escola, Estado e Sociedade. Cortez & Moraes. São Paulo. 1979.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm, 1844-1900. Escritos sobre Educação. Tradução, apresentação e notas de Noéli Correia de Melo Sobrinho. Rio de Janeiro : Ed PUC-Rio ; São Paulo : Loyola, 2003.


SILVA, Ezequiel Theodoro da. O professor e o combate à alienação imposta. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1991.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Música: História, Definição e Elementos Constitutivos.

Desde muito antes dos portugueses chegarem ao Brasil a música já era um meio que os índios utilizavam para expressar sua religiosidade e emoção. Com a chegada da família real ao Brasil, um novo conceito de música surge, música para catequizar e submeter a uma determinada cultura, particular, elitizada e não menos eurocêntrica. Foram apenas décadas após a Independência que a música começa a ganhar seu espaço no currículo escolar.

Em 1838 o ensino de música era elitizado e tinha por necessidade formar como platéia erudita altas camadas populares. Segundo Fucci-Amato (2012) a música chega à escola brasileira no Segundo Reinado (1840-1889) em sua faceta europeia, herdando as tradições pedagógicas da Igreja e dos mestres musicais imigrantes. A música passa a integrar o currículo escolar e segundo o Decreto n. 630, de 17 de setembro de 1851 o ensino deve, além disso, abranger a gramática da língua nacional, e aritmética, noções de álgebra e de geometria elementar, leitura explicada dos evangelhos, e notícia da história sagrada, elementos de geografia, e resumo da história nacional, desenho linear, música e exercícios de canto.

A partir de então, a música passou por várias transformações. Música de cavalaria, cantigas de vila, música aos orixás, música ao Deus cristão, música instrumental que exaltava o romance, frevos, fanfarras, música europeia, americana, até 109 Revista De Magistro de Filosofia Ano VII- no. 13 2014/1 o momento onde o Brasil se encontra consigo mesmo e cria uma forma de se comunicar com o mundo a partir de suas próprias características. Surge então a Música Popular Brasileira e uma luta é travada contra o estrangeirismo e isso consequentemente influenciou a escola quanto ao ensino (Tinhorão, 1998).

Este período, era Vargas, foi marcado pela luta do que era legitimamente brasileiro e do produto americano. O Canto Orfeônico foi instaurado nas escolas com o apoio do Maestro Heitor Villa-Lobos promovendo assim o mandato do então Presidente Getúlio Vargas. Foi neste contexto que a Bossa Nova foi criada, dividindo espaço com a música de protesto universitário e o movimento Tropicalista. E assim a música vem seguindo altos e baixos no processo escolar.

Para compreendermos a música como área do conhecimento é necessário interagir com sua teoria. Segundo Priolli (1996) a música é a arte dos sons, combinados de acordo com as variações da altura, proporcionados segundo a sua duração e ordenados sob as leis da estética. A música é composta por três elementos fundamentais que são a melodia, ritmo e harmonia.

A melodia é a sucessão dos sons que formam o sentido musical. O ritmo é o movimento dos sons que são organizados pela sua maior ou menor duração. A harmonia consiste na execução da vários sons ouvidos sucessivamente, levando sempre em consideração as leis que regem os agrupamentos dos sons simultâneos.

Os sons musicais são representados por sinais chamados notas que são: dó – ré – mi – fá – sol – lá – si; e sua escrita é conhecida como notação musical sendo escrita na pauta. A pauta, por sua vez, é o grupo de cinco linhas e quatro espaços.

Para determinar as notas e sua altura na escala, no início da pauta é escrita a Clave. São três as claves que fazem essa determinação: Clave de Sol (a mais utilizada), a Clave de Fá (escrita na 3ª e 4ª linhas) e a Clave de Dó (escrita na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª linhas). Cada Clave é destinada a um instrumento ou nipe vocal.
Para tornar a escrita musical mais harmônica aos olhos preservando a estética, foram criadas as Figuras de Som ou Valores: Nem todas as notas têm a mesma duração de som, sendo assim as figuras de som vêm para diferenciar visualmente o valor sonoro das notas. É válido lembrar que a música não é formada apenas por som, o silêncio também está presente na formação melódica. Este silêncio é chamado Pausa e assim como as notas são representas por Figuras de Som diferentes, a Pausa também segue essa linha na construção musical.

Entendemos que o ensino da escrita musical se torna irrelevante se não for contextualizada na realidade social da criança. Ensinar Teoria Musical sem, contudo se apropriar do conhecimento prévio do aluno, sem ao menos instigá-lo ao conhecimento social e cultural da música é reduzir a música e seu ensino aos padrões.

Queiroz e Marinho (2007) afirmam que a música, por sua forte e determinante relação com a cultura, ocupa dentro de cada universo social um importante espaço com significados, valores, usos e funções que a particularizam de acordo com seu contexto de produção e/ou assimilação. Sendo assim, o ensino da Teoria Musical deve ser associado ao ensino prático da música, ao social da criança.

Ensinar música vai além das regras, é ensinar o belo, o criativo, ensinar o sujeito a liberar o que ele tem de mais nobre. Não se pode dizer que o ensino teórico da música é inválido, em absoluto, não apenas afirmar que ao ensinar música para alguém que só tem na escola seu contato mais intimo com a música e cultura no aspecto geral, é necessário levar em conta todos os fatores que envolvem música: Teoria e Emoção, e não apenas uma em detrimento da outra.

Segundo Bressan (1989) a música é um dado de cultura que, embora se origine e se desenvolva na esfera dos sentimentos, das emoções, do gosto pessoal, das sensibilidades particularizadas e subjetividades, tem também uma objetividade, uma concretude cujas raízes fecundam no ambiente natural, histórico e social de um povo.

Seguindo essa linha de raciocínio o ensino da música nas escolas de ensino fundamental deve estar diretamente ligado à realidade dos sujeitos envolvidos no processo, sem o intuito de civilizar, mas de conceder momentos reflexivos a quem muitas vezes é obrigado pela sociedade a se submeter.

Ao nos referirmos às práticas musicais ocorridas dentro e fora da escola, estamos considerando, segundo Arroyo (2000, p. 78), “a educação musical como prática social e cultural que é mais ampla que a escolarização”, ou seja, a educação musical não surgiu para formar artistas de renome no cenário nacional e/ou internacional, ao se ensinar música deve-se, antes, valorizar e compreender os elementos culturais que definem os sujeitos envolvidos no processo.

A metodologia que permeia a prática musical nas escolas tem, ou pelo menos deveria ter, o intuito de aflorar o gosto, a sensibilidade, a motivação e o para a criatividade e, consequentemente, para a arte, isso diz respeito a uma questão fenomenológica: o sentir, ouvir, perceber devem preceder a todo o aparato teórico. No Ensino Fundamental antes da teoria é necessário vir a vivência musical, ou seja, ouvir música e cantar.

Bressan (1989) afirma que:

Parece, pois, que a ineficácia da iniciação musical como disciplina e conteúdo educativo se deva à inadequação do que se deveria fazer com o que se deve fazer por força e imposição de programas preestabelecidos que, na sua quase totalidade, não condizem com a realidade que se vive; o povo, somados pais e alunos, não está absolutamente interessado em aprender solfejo, nem colcheias, ou semibreves, ou claves de Sol ou de Fá (não nos iludamos; é preciso que se tenha coragem de dizer isto!) mas, sim, ele quer cantar o que todo mundo canta, com alma, com expressão, isto é, usar o seu “primeiro instrumento musical”: a voz e o corpo.

É necessário buscar no ensino da música a identidade musical do sujeito sem deixar de lado o que ainda não faz parte do seu contexto social. Significa fazer um Casamento entre aquilo que a criança está familiarizada com o que não faz parte da sua vivência e, assim, ampliar significativamente seu repertório musical.

É nesse sentido que o professor de Iniciação Musical deve sentir-se capacitado para elaborar, ele mesmo, o programa dos conteúdos e das atividades, sempre apoiando no conhecimento da realidade social da escola, suas condições concretas e culturais e gosto dos indivíduos.

Produzir música na escola, segundo Ecco (1976, apud Bressan, 1989, p.149) é compreender que essa produção é um dado de cultura:

Significa que a música não é uma linguagem universal, mas que a tendência a certas situações mais do que outras é fruto de uma educação e de uma civilização musical historicamente determinada. Eventos sonoros que para uma cultura musical são elementos de crise, para outra podem ser exemplos de legalidade que raia a monotonia. A percepção de um todo não é imediata e passiva: é um fato de organização que se aprende, e se aprende num contexto sócio-cultural; neste âmbito, as leis da percepção não fatos de pura naturalidade, mas se formam dentro de determinados modelos de cultura ou, numa linguagem transacionalista, mundos de formas assuntivas, um sistema de preferências e hábitos, numa série de convicções intelectuais e tendências emotivas que se formam em nós como efeito de uma educação devida ao ambiente natural, histórico e social.


Desse modo, a música na escola deve ser pensada em um contexto integral, ou seja, não há como pensar em uma filosofia própria e que fundamente razões do estudo da música sem atentar para a aprendizagem cognitiva.



Observação: Este texto foi retirado do Artigo escrito por mim a Revista de Magistro de Filosofia da Católica de Anápolis. Esse Artigo foi baseado no meu projeto de TCC apresentado esse ano na Universidade Estadual de Goiás. Deixo abaixo o link com o Artigo na íntegra. 

file:///C:/Users/User/Desktop/PROPOSTA-DE-ENSINO-A-DIST%C3%82NCIA-PARA-CURSOS-SUPERIORES-EM-AN%C3%81POLIS-GO2.11.pdf