Hoje quero falar um pouco sobre um livro que li nesses últimos dias na universidade, O Filho Eterno de Cristovão Tezza.
Mas antes da obra, falemos do autor.
Cristovão Tezza nasceu em Lages, Santa Catarina, em 1952. Em junho de 1959, com a morte do seu pai, sua família se mudou para Curitiba, Paraná. Em janeiro de 1977, casou-se. Em 1984, mudou-se para Florianóplis, Santa Catarina, trabalhou como professor de Língua Portuguesa da UFSC. Voltou a Curitiba em 1986, dando aulas na UFPR até 2009, quando se demitiu para dedicar-se exclusivamente à literatura.
Sobre a obra:
Escrito por Cristovão Tezza, O
Filho Eterno (2007) é um romance autobiográfico, que retrata a história de uma
família que aguarda a chegada do primeiro filho. Narrada pelo pai, que descreve
nas linhas do livro sua angústia e uma série de questionamentos referentes ao
futuro do filho Felipe, diagnosticado com Síndrome de Down, conhecida na época
(1980) como mongolismo.
Durante os primeiros capítulos o
pai de Felipe se descreve como um escritor que até então não havia escrito nada
realmente condizente com sua formação (Letras) o que lhe gerava certa inconformidade
quanto a sua situação. Neste exato momento, ele se encontra sendo sustentado
pela esposa, sendo que se sente extremamente desconfortável pela vinda do
filho, por quem ele gera um profundo desejo de que seja o melhor homem do
mundo. Ao filho, ele faz planos que consequentemente não poderão ser realizados
da maneira como desejou.
Felipe ao nascer, traz ao pai
além do inicial desconforto de não saber como reagir apesar do profundo desejo
em tê-lo; desconforto e até mesmo o desejo – involuntário – de que não
sobrevivesse, ao saber pelos médicos que aquela criança, até então muito
querida, que tinha excesso de cromossomos, cientificamente falando Trissomia do
Cromossomo 21, o que o tornava uma criança com Síndrome de Down. Neste momento,
o mundo cai sobre a cabeça daquele jovem casal. A mulher se encontra na posição
de “carregar a sua cruz” e extremamente culpada por “estragar a vida do
marido”. Ele além de concordar no seu âmago que a mulher estragara sua vida,
exteriormente tenta se esquivar daquele momento, pensando até em quantos anos
poderia sobreviver uma criança com essa síndrome.
Ele segue tentando levar uma vida
aparentemente normal, evitando falar nas limitações do filho e no que isso
gerava nele. Sente um enorme desejo em construir um mundo paralelo, onde a
Síndrome de Down não fosse seu maior problema. Vê na escrita – o que fazia sem
grandes expectativas- uma fuga daquele período que descreve ser pra sempre.
Pensa de forma desordenada e até cômica, mudar de país deixando tudo pra traz,
mas percebe que não haveria como fugir de sua atua condição: Pai de um bebê com
Síndrome de Down.
O livro segue contando os
desafios de Felipe e a aceitação gradual de seu pai as limitações do filho dado
a Síndrome de Down. Além do drama vivido
em relação ao filho, o pai precisa vencer suas próprias limitações quanto homem
(pai de família) e quanto profissional, dado o número de livros nunca
publicados e os textos nada atraentes ao conceito geral. Aos poucos o pai consegue
vencer seus preconceitos, medos à medida que percebe que Felipe tem a
possibilidade de viver uma vida normal mesmo com suas limitações.
Premiações:
Em 2007 o romance recebeu o Prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos em Arte) da melhor obra de ficção do ano. Dois anos depois, em 2009, O Filho Eterno foi considerado pelo jornal O Globo, uma das dez melhores obras de ficção da década, no Brasil.
Referência Bibliográfica
TEZZA, Cristovão. O filho eterno.
Rio de Janeiro, 1952. 9º Ed : Record. 2010.
http://www.cristovaotezza.com.br/index.htm acessado as 15:20 do dia 03/09/2013


É isso ai Daviane! Combinar, colocar a massa de nossa vida com que tem de bom de nossa cultura. Encontrar as afinidades eletivas do que pensamos e sentimos com nossas experiências...
ResponderExcluirAbraços....
André
Esse é o caminho professor e eu estou só no começo.
ResponderExcluirAbraço!