Reforce | Acompanhamento Pedagógico


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Entre livros, almofadas e algodão doce

Nas minhas aventuras na aula de estágio, como Projeto de Intervenção tenho trabalhado a leitura não para futuras cobranças em relação a ler e escrever, mas para prazer e descanso. Durante a primeira aula levei almofadas para dar um ar mais aconchegante ao momento e as crianças escolhiam os livros que queriam e se direcionavam ao cantinho de preferência para leitura. Porém, pude então perceber que as crianças não conseguem diferenciar estes dois tipos de leitura, dado o fato de que a leitura em sala de aula se concretiza como atividade avaliativa.

Segundo Antunes (2003) no que se refere às atividades de leitura em sala de aula, esta se dá de forma escolar, convertida em treino e posteriormente de avaliação e quase sempre culminando com a elaboração e preenchimento das tais fichas de leitura, levando a criança a entender que a leitura é uma atividade que exige treino e sem nenhum prazer.

Não quero aqui descartar a importância da leitura com a finalidade de letrar e alfabetizar a criança, mas é necessário que fique claro à criança que a leitura é também uma atividade recreativa e que deve ser realizada com prazer, pois sim, o livro é um amigo e deve assim ser tratado.

Antunes (2003) segue afirmando que a leitura é uma atividade de acesso ao conhecimento produzido, ao prazer estético e, ainda, uma atividade de acesso às especificidades da escrita. Sendo assim, à medida que a criança percebe a leitura como uma forma de libertar sua imaginação das obrigações do cotidiano, espontaneamente ela desenvolve o cognitivo além é claro, da leitura e escrita. Por isso que momentos de aconchego para a leitura se tornam tão necessários no cotidiano da sala de aula.

Tenho "batido nesta tecla" por sentir na pele o que a falta da leitura na infância é capaz de fazer durante todo a vida escolar e social. Não tive da parte de meus professores da educação básica esse incentivo para ler e sempre encarei a leitura como uma obrigação, uma atividade chata e cansativa. Carreguei durante toda a minha vida escolar o reflexo de uma alfabetização precária, o que me trouxe muitos transtornos nos anos posteriores à alfabetização. 

Apenas na vida adulta e por incentivo constante de meu irmão, que passei a ver a leitura com maior carinho. Hoje tenho a leitura como a atividade mais prazerosa dos meus dias. Leio em qualquer lugar e consigo me desligar deste mundo tão difícil. Talvez, ou melhor, com certeza se eu tivesse desde cedo sido conduzida a este amor pela leitura, não teria tantas dificuldades (e principalmente medos) em escrever, ler e até mesmo lidar com o mundo que me cerca.

Meu desejo é que eu consiga possibilitar aos meus alunos (no decorrer da minha vida profissional), o valor afetivo que a leitura nos proporciona. Leitura por prazer, liberdade e criatividade! Entre livros, almofadas e algodão doce ^^





Referência Bibliográfica

ANTUNES, Irandé. Aula de Português: encontro & interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2003 – (Série Aula; 1).


sábado, 19 de outubro de 2013

Vinicius, se todos fossem iguais a você

Está sendo comemorado hoje o centenário de Vinicius de Moraes. Quem me conhece sabe a paixão que tenho por suas músicas, poemas e sonetos. Não poderia deixar este dia passar em branco.

Breve Histórico:

Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes (não, eu não digitei errado. A fonte onde pesquisei afirma que seu nome de batismo é Vinitius), ou apenas Vinicius de Moraes, nasceu no dia 19 de outubro de 1913 no Rio de Janeiro. Casou-se nove vezes, e sempre conhecido por ser um conquistador e grande admirador do amor e da mulher.

Em 1922, período da Semana da Arte Moderna, Vinicius escreve seus primeiros poemas no colégio. Cinco anos mais tarde compõe suas primeiras músicas (um Fox-trot brasileiro) em parceria com os irmãos Maurício Joppert e Moacir Veloso Cardoso de Oliveira.

Vinicius aos 17 anos

Em 1929 torna-se bacharel em Letras pelo Colégio Santo Inácio. No ano seguinte, aos 17 anos, entra para a Faculdade de Direito no Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais. Se formou em 1933 e neste mesmo ano, lança seu primeiro livro de poemas: O caminho para a distância.

Lança em 1954 sua primeira Antologia Poética (o qual eu sou apaixonada), onde reúne um conjunto de poemas que foram organizados por ele mesmo. Em 1960, em parceria com João Gilberto e Tom Jobim, criam a Bossa Nova (uma mistura inteligente de jazz com o samba brasileiro) o que viria a ser um dos estilos mais tocados em todo o mundo.

Sua parceria com Toquinho veio na década de 70, quando lançam o álbum infantil Arca de Noé, que atualmente está sendo regravada por diversos cantores da MPB com direção de Adriana Calcanhoto. Morre no dia 9 de julho de 1980, com edema pulmonar na cidade do Rio.

Vinicius, ou o poetinha, como foi carinhosamente apelidado por Tom Jobim, é dono de um currículo formidável. Poeta, músico, dramaturgo, diplomata e viveu sua vida em prol da arte e deixou suas obras como um presente para as próximas gerações. Colocar tudo o que ele fez e todas as suas produções no papel (virtual) levaria muito tempo, mas sem sombra de dúvidas vale muito a pena conhecer a vida e arte do boêmio Vinicius.


Particularmente sou apaixonada nas músicas e poemas escritos por ele. Simplesmente não consigo explicar o bem me faz ler os sonetos que um dia ele escreveu. Leio imaginando um dia ser a musa inspiradora de um deles (impossível, eu sei).

E como presente (o aniversário seria dele, mas o presente nós que ganhamos) deixo um dos poemas e músicas do Vinícius que eu mais gosto e que mais me emocionam por sua pureza e sensibilidade. Viva a arte e a beleza da alma do poetinha que me encanta desde sempre!

***

Se todos fossem iguais a você


Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver

Uma canção pelo ar,
Uma mulher a cantar,
Uma cidade a cantar,
A sorrir, a cantar, a pedir a beleza...

De amar, 
Como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir, Nem sofrer

Existiria a verdade, 
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você.





"Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"
Vinicius de Moraes (1913-1980) 


Referências:

 http://www.viniciusdemoraes.com.br Acessado no dia 19/10/2013 às 15:02

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vinicius_de_Moraes Acessado no dia 18/10/2013 às 21:47


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Como me tornei Professora + Rascunho

Como me tornei professora? Pergunta simples que merecia uma resposta simples. Eu disse bem, merecia!

Mas antes, vamos a uma pequena apresentação. Me chamo Daviane Neves, filha de Davi e Jane, irmã de Daniel, 26, goiana do pé rachado (não literalmente),  apaixonada por música, livros e açaí. Sou insular, e constantemente tento me esconder das pessoas, porém raramente consigo. Sou o que muitos dizem...

Rascunho!

E lá se vai mais uma folha, mais um rascunho nesta minha jornada em tentar – inutilmente, eu sei – mostrar quem eu sou. Não que eu queira que me conheçam, mas às vezes me apresentar cordialmente faz bem.

Inicialmente amava a escolha que fiz, apesar de ter sido meio no susto (escolha definida no ato da inscrição do vestibular), porém hoje sei: FOI A MELHOR ESCOLHA QUE FIZ. Ser professora de crianças e me dedicar à educação básica me parecia algo muito importante e nobre. Ainda acredito que seja, mas algo mudou.

Não vejo a profissão que escolhi com os mesmos olhos, com o mesmo amor e romantismo. Vejo muito mais como uma responsabilidade e obrigação, pois amor não paga a conta do cartão no fim do mês. O amor não precisa ouvir desaforo de quem acha que sou uma babá com diploma. Ser professora é muito mais que amor ou dom, é uma questão de honra mesmo. Vou até o final.

Saber que existe ainda um caminho a minha frente e que entre onde estou e meu destino existe uma ponte a ser construída, me gera certo desconforto. Não posso simplesmente ignorar o fato de que sou pedagoga por uma escolha minha e que por isso preciso me preparar pra isso e construir a ponte. Como diria a música do Humberto Gessinger (alma e voz dos Engenheiros do Hawaii): “quem constrói a ponte, não conhece o lado de lá”. Quanta aflição pode existir em um professor em formação!

Cá estou eu pensando, pensando e pensando, mas lá no fundo é isso mesmo: sou um rascunho. Obra prima inacabada. Arrisco dizer que sou inválida em certos momentos. Isso pode nunca ter fim, um ciclo vicioso. Serei sempre um rascunho, um rabisco, que se não estiver legal o autor vai lá, amassa o papel e joga fora, pega outra folha e começa tudo de novo.

Pra ser sincera, até gosto de ser assim. Por muito tempo desejei ser perfeita em tudo (principalmente na minha profissão). Perfeita para todos. Lá no fundo, sou e sempre serei um rabisco. Cansei de procurar a perfeição em mim mesma, mas também cansei de ver pessoas buscarem em mim tal perfeição.

Sinceramente, duvido de quem se declara perfeito. Os considero “Boçais da Educação”, pura hipocrisia. Não há professor perfeito. Não há ninguém perfeito. Eu não sou perfeita! Como diria Nietzsche: “demasiado humano”. Rascunho!

Serei um rascunho! Decidi. Daqueles que se você percebe que tem alguma coisa que não está legal, vai lá e modifica, risca, reescreve, joga fora, começa tudo de novo, mas vai se aprimorando. Sem pressa e pra sempre!

Cada dia é um novo desafio, e uma nova conquista. Graduação, Pós, Mestrado, Doutorado. E eu nem sei onde isso vai parar. Na verdade, nem sei onde eu vou parar. Por mais que não encare a educação e minha escolha por ela com idealismo, não consigo – simplesmente – deixar de desejar todos os títulos que posso ter através dela. Mas eu sei, serei sempre um rascunho, mesmo que chegue ao Pós-Doutorado.

Não espero um gran finale. Espero apenas que este rascunho que vos escreve, não pire e nem se iluda em ser um Best Sellers, desses que existem por aí. No fundo, são todos rascunhos!




Primeira experiência - Professora auxiliar no 1º ano (alfabetização) - 2010 a 2012

Atual experiência- Professora de Língua Portuguesa no
 9º (ensino fundamental 2) e 1º ano (ensino médio)- 2013

Atual experiência- Professora de Língua Portuguesa no
 9º (ensino fundamental 2) e 1º ano (ensino médio)- 2013


P.S.: Quero agradecer em especial aos meus professores que me ensinaram a ser professora e a ter um olhar clínico e seletivo sobre a educação no Brasil. A vocês minha gratidão!

Enfim...

FELIZ DIA DOS PROFESSORES!

sábado, 12 de outubro de 2013

História social e o sentimento de infância

Dia das crianças? Opa! Então deixe-me cumprimentar esses bonitinhos que enchem nossa vida de alegria. Feliz dia das crianças! Mas apenas isso? Só um cumprimento bobo e sem graça? Não tem balas, brinquedos ou sorvete pra comemorar? Nada? Não, não. Sou pedagoga, mas sou objetiva. A muito não sei comemorar essa data.

A pergunta é: quando as crianças começaram a ter tanta visibilidade? Vamos recorrer a História pra responder essa pergunta.

A palavra infância origina-se do latim e aparece no primeiro Dicionário da Língua Brasileira em 1832, como algo marcado pela ausência da fala. Até meados do século XV, a infância não era separada da vida adulta. Esta separação só ocorreu por volta do século XVIII com a privatização da família e infância. Além disso, pra ser mais precisa, no período medieval, a pessoas começam a ter a consciência de que é necessário dar mais um nome a criança, sendo o primeiro nome insuficiente. Então a criança passa a receber o sobrenome da família. A partir daí a criança recebe dois nomes, sendo que o primeiro nome se refere à fantasia e o segundo nome a tradição.

 A idade que define a infância também é muito polêmica, mas estudos revelam que até os 6 e 7 anos os “pequenos adultos” são considerados crianças, pelo simples fato de serem inocentes. Após esta idade era exigido das crianças comportamento de gente grande, e várias características comprovam essa ideia, as roupas semelhantes a dos adultos, o casamento que ocorria bem cedo, o trabalho precoce etc. Os estudos feitos no Brasil sobre a infância sempre ressaltam a pouca (talvez, nenhuma) importância destinada à infância até o século XIX.

A “descoberta” do sentimento de infância se dá entre os séculos XV e XVIII. Neste momento da história, a sociedade se organiza com um olhar mais criterioso a infância. As primeiras imagens de crianças começam a aparecer no século XVII, onde artistas retratavam em seus quadros a infância e como ela era vista. É neste período também que os trajes começam a receber um aspecto um pouco mais infantil, se distanciando da semelhança com as roupas dos adultos, porém os trajes dos meninos receberam características femininas. As famílias passam a fotografar seus pequenos, eternizando suas imagens.

A criança era paparicada nos seus primeiros anos de vida, assim que conseguia “sobreviver” aos perigos “do mundo”, era exigida dessa criança a maturidade de um adulto.  A partir deste momento, a criança passa a ser vista como alguém que tem deveres e precisa se preparar para eles. Daí a sociedade passa a se organizar para educar essas crianças –meninos e meninas, cada um a sua forma- meninos para cuidar dos negócios da família, meninas para serem esposas e donas de casa. Essa educação se dava no convívio da própria família, que tinha por intuito conservar os bons costumes e a tradição. As crianças, filhas de escravos e servos, não recebiam tal educação e eram vistas como os brinquedos dos filhos dos nobres. Deles era feito o que bem quisessem.

A partir do momento que a criança sai do anonimato e passa a receber maior atenção dos adultos, começa a surgir um sentimento até então inválido por essa criança. A família passa a ter mais cuidado com a infância, dar uma educação cristã e se constrói então um elo entre mãe e filho. Por isso, a criança passa a receber um cuidado diferente, quando se refere ao convívio social (pobre versus ricos), sexualidade, obrigações e passa a ser vista como um ser frágil que necessita de cuidados especiais e maior atenção.

 No Brasil do século XX a criança passa a receber um rosto. O trabalho infantil, o abandono, passa a ser questionados da mesma forma que a má qualidade na educação passa a ser um problema nacional. Porém é um processo longo, que até hoje é alvo de lutas por partes de entidades e ONGs.


Sabemos que o dia das crianças é uma data comercial e que o dia das crianças deve ser todo o dia, oferecendo-lhes educação que promova o cidadão, amor e atenção, qualidade quanto a saúde, além de mostrar aos pequenos que sim eles tem direitos (que devem ser cumpridos por parte da sociedade), mas que também tem deveres e precisam aprender a ter responsabilidade desde cedo.

Ser criança é muito bom, mas é preciso que os adultos percebam a responsabilidade que tem na educação e preparação desta criança para a vida adulta!


1987


1989 (com meu ursinho favorito: Abeleão)

1991 (com meu irmão no colo)



 Referência Bibliográfica

VANDEZ, Diane. História social da infância em Goiás: séculos XVIII e XIX. Goiânia: Editora Alternativa, 2003.
ARIES, Philippe. História social da criança e da família. Tradução de Dora Flashsman. Editora Santuário. Aparecida - SP.
http://www.academia.edu/1275246/Historia_social_da_crianca Acessado no dia 12/10/2013 às 14:03