Nas minhas aventuras na aula de estágio, como Projeto de Intervenção tenho trabalhado a leitura não para futuras cobranças em relação a ler e escrever, mas para prazer
e descanso. Durante a primeira aula levei almofadas para dar um ar mais aconchegante ao momento e as crianças escolhiam os livros que queriam e se direcionavam ao cantinho de preferência para leitura. Porém, pude então perceber que as crianças não conseguem diferenciar estes
dois tipos de leitura, dado o fato de que a leitura em sala de aula se concretiza como atividade avaliativa.
Segundo Antunes (2003) no que se refere às atividades de leitura em
sala de aula, esta se dá de forma escolar, convertida em treino e
posteriormente de avaliação e quase sempre culminando com a elaboração e
preenchimento das tais fichas de leitura, levando a criança a entender que a
leitura é uma atividade que exige treino e sem nenhum prazer.
Não quero aqui descartar a importância da leitura com a finalidade de
letrar e alfabetizar a criança, mas é necessário que fique claro à criança que
a leitura é também uma atividade recreativa e que deve ser realizada com
prazer, pois sim, o livro é um amigo e deve assim ser tratado.
Antunes (2003) segue afirmando que a
leitura é uma atividade de acesso ao conhecimento produzido, ao prazer estético
e, ainda, uma atividade de acesso às especificidades da escrita. Sendo
assim, à medida que a criança percebe a leitura como uma forma de libertar sua
imaginação das obrigações do cotidiano, espontaneamente ela desenvolve o
cognitivo além é claro, da leitura e escrita. Por isso que momentos de
aconchego para a leitura se tornam tão necessários no cotidiano da sala de
aula.
Tenho "batido nesta tecla" por sentir na pele o que a falta da leitura na infância é capaz de fazer durante todo a vida escolar e social. Não tive da parte de meus professores da educação básica esse incentivo para ler e sempre encarei a leitura como uma obrigação, uma atividade chata e cansativa. Carreguei durante toda a minha vida escolar o reflexo de uma alfabetização precária, o que me trouxe muitos transtornos nos anos posteriores à alfabetização.
Apenas na vida adulta e por incentivo constante de meu irmão, que passei a ver a leitura com maior carinho. Hoje tenho a leitura como a atividade mais prazerosa dos meus dias. Leio em qualquer lugar e consigo me desligar deste mundo tão difícil. Talvez, ou melhor, com certeza se eu tivesse desde cedo sido conduzida a este amor pela leitura, não teria tantas dificuldades (e principalmente medos) em escrever, ler e até mesmo lidar com o mundo que me cerca.
Meu desejo é que eu consiga possibilitar aos meus alunos (no decorrer da minha vida profissional), o valor afetivo que a leitura nos proporciona. Leitura por prazer, liberdade e criatividade! Entre livros, almofadas e algodão doce ^^
Referência Bibliográfica
ANTUNES, Irandé. Aula de Português: encontro &
interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2003 – (Série Aula; 1).





