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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Mais um conto

Hoje bem cedo recebi notícias de Amora. Na verdade a vi na praça onde tudo começou, digo, onde seu romance com Augusto começou, ali parada olhando o vazio e tentando entender tudo o que estava acontecendo.

Naquela praça havia uma ponte,  e é exatamente nesta ponte que Amora passava a maior parte do seu tempo. Talvez esperando por Augusto ou simplesmente esperando por alguém que lhe aliviasse a dor da ausência.

Para Amora, não havia sentido estar em uma ponte que nunca poderia ligar seu coração novamente ao coração de Augusto. Ela sempre refletia onde poderia chegar, caso aquela ponte tivesse o poder de levá-la a Augusto.

Neste momento olhei e vi alguém se aproximar de Amora, era um belo jovem e este a observava todas as tardes.

–Tantos pensamentos que seu olhar se perde, disse o jovem rapaz.

E Amora um pouco assustada e ao mesmo tempo distante, olhou nos olhos daquele rapaz e lhe perguntou: “-Qual o seu nome?” e com uma voz serena o jovem lhe respondeu: -Arthur! Mas o seu eu já conheço, Amora. Ouvi falar que nessa praça, sempre ao entardecer uma linda jovem, de nome Amora, passava tempos e tempos a observar.

-Sim. Todos os dias, venho e me perco em meio aos meus pensamentos. Neste momento, Amora simplesmente esqueceu o enorme vazio que sentia e pela primeira vez, depois da ausência de Augusto, sorriu. Tudo bem, confesso foi um sorriso amarelo, mas que trouxe beleza ao rosto que já era belo.

E naquele dia Amora não viu o pôr do sol sozinha, mas esteve acompanhada. Não sabemos o que o jovem Arthur realmente pretende, mas o que posso garantir é que eu vi um lindo sorriso brotar dos lábios de Amora.

E ali ficaram por horas, conversando sobre assuntos inesperados que fizeram o tempo congelar para a jovem Amora, foi então que perceberam, no céu já brilhavam as estrelas, era momento de ir.

No fim daquela conversa, Amora se levantou e disse: -Obrigada! A muito não sorria.

Arthur se levantou, pegou as mãos de Amora e deu um doce beijo e com um lindo sorriso respondeu: -Não há o que agradecer, pelo contrário, hoje a noite teve um brilho mais especial, tirei o mais lindo sorriso da mais linda moça!

Em seu coração, Arthur não entendia o que realmente o motivou a chegar até ali, mas ele se sentia bem, pois ao olhar Amora sorrir, mesmo sem nunca tê-la visto, ele sabia que este sorriso, representava o começo de uma nova amizade e não havia nada que pudesse mudar o que já existia!


E assim cada um seguiu seu caminho e naquele dia, houve brilho não apenas das estrelas, mas o brilho mais radiante que já se pôde ver, o brilho do sorriso de quem já não sorria mais.

"Moca na Ponte Rio Piracicaba" obra de Washington Maguetas


Texto escrito em maio de 2013

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Quanto tempo dura o silêncio?

Ah! Como o silêncio incomoda. Eu mais que ninguém sei.

Infelizmente, de tanto receber o silêncio como resposta, passei a utilizá-lo como arma de defesa. É triste reconhecer, mas eu me apropriei do silêncio para não me ferir e consequentemente ferir alguém.

O que eu não sabia (e aos poucos vou descobrindo) é que o meu silêncio, às vezes, não me esconde de nada, muito pelo contrário, evidência o que eu tento esconder: minha própria natureza.

É involuntário. Quando eu menos espero, estou eu novamente utilizando o silêncio.

Quanta gente desistiu de mim por isso. Quantas vezes eu desisti das pessoas por não saber lidar com isso.

Luto diariamente para que o meu silêncio não traga espinhos onde eu plantei um jardim.

Luto diariamente para que as pessoas que são vítimas do meu silêncio, não desistam de mim.

Luto diariamente para que eu vença o silêncio e derrube o muro que é construído a cada nova pausa.

Luto diariamente para transformar meu silêncio numa linda canção.

Mas algo precisa ser esclarecido, muitas vezes utilizo meu silêncio para pensar melhor, para analisar determinada situação. Às vezes uma resposta imediata, trará danos eternos.

Às vezes, um silêncio momentâneo trará uma vida de paz e mansidão!

Que o meu silêncio dure muito menos que o silêncio do próximo. Que dure o suficiente para que nele e através dele eu seja ouvida e compreendida.

Que eu seja perdoada (e me perdoe) toda vez que meu silêncio ferir alguém.