Hoje bem cedo recebi notícias de
Amora. Na verdade a vi na praça onde tudo começou, digo, onde seu romance com
Augusto começou, ali parada olhando o vazio e tentando entender tudo o que
estava acontecendo.
Naquela praça havia uma ponte, e é exatamente nesta ponte que Amora passava a
maior parte do seu tempo. Talvez esperando por Augusto ou simplesmente
esperando por alguém que lhe aliviasse a dor da ausência.
Para Amora, não havia sentido
estar em uma ponte que nunca poderia ligar seu coração novamente ao coração de
Augusto. Ela sempre refletia onde poderia chegar, caso aquela ponte tivesse o
poder de levá-la a Augusto.
Neste momento olhei e vi alguém
se aproximar de Amora, era um belo jovem e este a observava todas as tardes.
–Tantos pensamentos que seu olhar
se perde, disse o jovem rapaz.
E Amora um pouco assustada e ao
mesmo tempo distante, olhou nos olhos daquele rapaz e lhe perguntou: “-Qual o
seu nome?” e com uma voz serena o jovem lhe respondeu: -Arthur! Mas o seu eu já
conheço, Amora. Ouvi falar que nessa praça, sempre ao entardecer uma linda
jovem, de nome Amora, passava tempos e tempos a observar.
-Sim. Todos os dias, venho e me
perco em meio aos meus pensamentos. Neste momento, Amora simplesmente esqueceu
o enorme vazio que sentia e pela primeira vez, depois da ausência de Augusto,
sorriu. Tudo bem, confesso foi um sorriso amarelo, mas que trouxe beleza ao
rosto que já era belo.
E naquele dia Amora não viu o pôr
do sol sozinha, mas esteve acompanhada. Não sabemos o que o jovem Arthur
realmente pretende, mas o que posso garantir é que eu vi um lindo sorriso
brotar dos lábios de Amora.
E ali ficaram por horas,
conversando sobre assuntos inesperados que fizeram o tempo congelar para a
jovem Amora, foi então que perceberam, no céu já brilhavam as estrelas, era
momento de ir.
No fim daquela conversa, Amora se
levantou e disse: -Obrigada! A muito não sorria.
Arthur se levantou, pegou as mãos
de Amora e deu um doce beijo e com um lindo sorriso respondeu: -Não há o que
agradecer, pelo contrário, hoje a noite teve um brilho mais especial, tirei o
mais lindo sorriso da mais linda moça!
Em seu coração, Arthur não
entendia o que realmente o motivou a chegar até ali, mas ele se sentia bem,
pois ao olhar Amora sorrir, mesmo sem nunca tê-la visto, ele sabia que este
sorriso, representava o começo de uma nova amizade e não havia nada que pudesse
mudar o que já existia!
E assim cada um seguiu seu
caminho e naquele dia, houve brilho não apenas das estrelas, mas o brilho mais
radiante que já se pôde ver, o brilho do sorriso de quem já não sorria mais.
| "Moca na Ponte Rio Piracicaba" obra de Washington Maguetas |
Texto escrito em maio de 2013
.jpg)