No
que se refere às atividades de leitura em sala de aula, esta se dá de forma
escolar, convertida em treino e posteriormente de avaliação e quase sempre
culminando com a elaboração e preenchimento das tais fichas de leitura, levando
a criança a entender que a leitura é uma atividade que exige treino e sem
nenhum prazer.
A
leitura literária é uma atividade de acesso ao conhecimento produzido, ao
prazer estético e, ainda, uma atividade de acesso às especificidades da
escrita. Sendo assim, à medida que a criança percebe a leitura como uma
forma de libertar sua imaginação das obrigações do cotidiano, espontaneamente
ela desenvolve o cognitivo além é claro, da leitura e escrita. Por isso que
momentos de aconchego para a leitura se tornam tão necessários no cotidiano da
sala de aula.
Segundo Cadermartori (2006) a
escola é lugar de consagração do status quo, sua vocação é acentuadamente
conservadora, pois incumbe-se de garantir a permanência do que está
estabelecido. A literatura proporciona
para a criança a reorganização das percepções do mundo e, desse modelo,
possibilita uma nova ordenação das experiências obtidas por ela. Conviver com
textos literários provoca a formação de novos padrões e o desenvolvimento do
senso crítico.
Não se deve apresentar a leitura
literária da ótica da obrigação e reprodução, pois é a partir dela que o
individuo se torna critico em sua análise geral, emancipando-se da manipulação
hegemônica. A criança deve ser apresentada a literatura de forma a contemplar a
arte em sua essência, pois esta por si mesma cria condições para a emancipação
e autonomia do sujeito.
A importância do livro literário
está no seu poder de questionar os convencionalismos de interpretação e
comportamento, apresentando assim, novas perspectivas. A principal função que a
literatura cumpre junto ao leitor é a apresentação de novas possibilidades
existenciais, sociais, políticas e educacionais. É neste sentido que ela se
constitui como um meio emancipatório, que a família e a escola, não podem fornecer
(Cadermartori, 2006).
Em síntese, o texto literário não
deve ser utilizado de forma escolarizada, mas seu uso (principalmente em sala
de aula) deve ser de proporcionar ao sujeito/leitor as condições necessárias
para se tornar autônomo diante de uma sociedade que deseja lhe impor o que
julga ser correto.
Referências
Bibliográficas
AZZI, Sandra. Trabalho docente: autonomia didática e
construção do saber pedagógico.
CADERMARTORI, Lígia. O
que é literatura infantil. São Paulo : Brasiliense, 2006.
