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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Sobre normas, padrões e modelos...

Eu realmente tenho sorte! Estou rodeada de pessoas inteligentes e talentosas, o que me traz muita alegria e gratidão. E hoje no blog, tenho o prazer te publicar o texto de uma amiga muito querida (e amora) Rita de Cássia. Desde já, boa leitura e reflexão :)

                                                              *** 

Durante a leitura dos textos “Uma política pós-identitária para a Educação” e “‘Estranhar’ o currículo” (LOURO, 2004), refleti a respeito de alguns trechos iniciais, mais do que outros. Quando Louro (2004) fala sobre as instituições tradicionais que se colocam a frente de discussões a respeito das identidades do corpo, bem como do que viria a ser “normal” nessas identidades, reflito exatamente sobre isso: o que é normal? O que é padrão? O que é modelo? Essas coisas realmente existem? E por mais que eu reflita sobre todas essas questões, elas permanecem, ainda, sem respostas, pois pelo que me parece, tudo é menos simples do que aparenta ser.
A educação, especificamente, passa por um momento complexo no que diz respeito ao trabalho com as questões de gênero e sexualidade que são colocadas em pauta com cada vez mais força nos meios midiáticos que nos cercam. A escola é mais uma das várias instituições tradicionais que possuem determinada postura em relação à identidade do corpo. Essa instituição em questão enfrenta dificuldades extremas, que deixam seu grupo gestor, diretivo e discente “perplexos, desafiados por questões para as quais pareciam ter, até pouco tempo atrás, respostas seguras e estáveis. Agora, as certezas escapam, os modelos mostram-se inúteis, as fórmulas são inoperantes” (LOURO, 2004, p. 28-29). Mas a questão é: que modelos são esses, agora inúteis? Que fórmulas são essas, já não mais operantes? Que certezas nos escapam?
Confesso que considero essas questões um tanto complexas para serem respondidas. Porque, na verdade, surgem ainda mais questões quando tento fazê-lo. A sexualidade é uma questão muito pessoal, particular, individual, a meu ver, e nem sempre trata-se apenas de ser ou não heterossexual, homossexual etc.. Como, então, estabelecer padrões, normalidades, modelos etc., a respeito dessa questão? Mas então, não sei o que pensar a respeito de tudo isso quando assumo determinada posição em relação à sexualidade, porque algumas discussões, leituras, e tudo o mais que estão ao meu redor, que tratam de questões de gênero e sexualidade, parecem condenar qualquer postura que não seja a de levantar a bandeira e defender com unhas e dentes as questões expostas. E me pergunto: será que penso por um viés padronizado, normatizado, sem perceber? E me pergunto de novo: será que existe mesmo esse viés padronizado, normatizado?
De novo, me parece que a questão é ainda mais complexa, porque pelo que consigo ver, tudo gira em torno de ser ou não heterossexual, de ser ou não homossexual, de ser ou não qualquer outra coisa, de ter ou não determinada “opção” sexual (se é que se trata de opção, acredito que não!), determinada postura em relação ao próprio corpo.
Pensar queer, pelo que consegui apreender, parece ser pensar/olhar sem rotular, porque pouco importam as definições, ao menos, pouco deveriam importar. E essa é a postura que procuro assumir em relação ao outro. Mas ainda assim, quando assumo determinados princípios, me preocupo com “como” o outro irá olha para isso. Preocupo-me em não ferir os direitos do outro, porque acredito no respeito, acima de tudo, ao outro, não importa quem seja. Só temo não conseguir, por inúmeras razões, que o outro perceba isso. 

Rita de Cássia, estudante de Letra pela Universidade Estadual de Goiás


REFERÊNCIAS

LOURO, G. L. Uma política pós-identitária para a educação. In: LOURO, G. L. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. p. 27-54.

LOURO, G. L. “Estranhar” o currículo. In: LOURO, G. L. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. p. 55-73.


2 comentários:

  1. Belo texto! Parabéns Rita. Só podia fazer Letras mesmo (orgulhoso) rsrs

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  2. Muito bom o texto amada tinha que ser minha amiga. rsrs Sério gostei de verdade! Essa questão de padronizar é realmente muito complexa gera sempre um paradoxo: será que ao não padronizar eu não estou padronizando?

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