Eu realmente tenho sorte! Estou rodeada de pessoas inteligentes e talentosas, o que me traz muita alegria e gratidão. E hoje no blog, tenho o prazer te publicar o texto de uma amiga muito querida (e amora) Rita de Cássia. Desde já, boa leitura e reflexão :)
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Durante a leitura dos
textos “Uma política pós-identitária para
a Educação” e “‘Estranhar’ o
currículo” (LOURO, 2004), refleti a respeito de alguns trechos iniciais, mais
do que outros. Quando Louro (2004) fala sobre as instituições tradicionais que
se colocam a frente de discussões a respeito das identidades do corpo, bem como
do que viria a ser “normal” nessas identidades, reflito exatamente sobre isso:
o que é normal? O que é padrão? O que é modelo? Essas coisas realmente existem?
E por mais que eu reflita sobre todas essas questões, elas permanecem, ainda,
sem respostas, pois pelo que me parece, tudo é menos simples do que aparenta
ser.
A educação,
especificamente, passa por um momento complexo no que diz respeito ao trabalho
com as questões de gênero e sexualidade que são colocadas em pauta com cada vez
mais força nos meios midiáticos que nos cercam. A escola é mais uma das várias
instituições tradicionais que possuem determinada postura em relação à
identidade do corpo. Essa instituição em questão enfrenta dificuldades
extremas, que deixam seu grupo gestor, diretivo e discente “perplexos,
desafiados por questões para as quais pareciam ter, até pouco tempo atrás, respostas
seguras e estáveis. Agora, as certezas escapam, os modelos mostram-se inúteis,
as fórmulas são inoperantes” (LOURO, 2004, p. 28-29). Mas a questão é: que
modelos são esses, agora inúteis? Que fórmulas são essas, já não mais
operantes? Que certezas nos escapam?
Confesso que considero
essas questões um tanto complexas para serem respondidas. Porque, na verdade,
surgem ainda mais questões quando tento fazê-lo. A sexualidade é uma questão
muito pessoal, particular, individual, a meu ver, e nem sempre trata-se apenas
de ser ou não heterossexual, homossexual etc.. Como, então, estabelecer
padrões, normalidades, modelos etc., a respeito dessa questão? Mas então, não
sei o que pensar a respeito de tudo isso quando assumo determinada posição em
relação à sexualidade, porque algumas discussões, leituras, e tudo o mais que estão
ao meu redor, que tratam de questões de gênero e sexualidade, parecem condenar
qualquer postura que não seja a de levantar a bandeira e defender com unhas e
dentes as questões expostas. E me pergunto: será que penso por um viés padronizado,
normatizado, sem perceber? E me pergunto de novo: será que existe mesmo esse
viés padronizado, normatizado?
De novo, me parece que
a questão é ainda mais complexa, porque pelo que consigo ver, tudo gira em
torno de ser ou não heterossexual, de ser ou não homossexual, de ser ou não
qualquer outra coisa, de ter ou não determinada “opção” sexual (se é que se
trata de opção, acredito que não!), determinada postura em relação ao próprio
corpo.
Pensar queer, pelo que consegui apreender,
parece ser pensar/olhar sem rotular, porque pouco importam as definições, ao
menos, pouco deveriam importar. E essa é a postura que procuro assumir em
relação ao outro. Mas ainda assim, quando assumo determinados princípios, me
preocupo com “como” o outro irá olha
para isso. Preocupo-me em não ferir os direitos do outro, porque acredito no respeito, acima de tudo, ao outro, não importa quem seja. Só temo
não conseguir, por inúmeras razões, que o outro
perceba isso.
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| Rita de Cássia, estudante de Letra pela Universidade Estadual de Goiás |
REFERÊNCIAS
LOURO, G. L.
Uma política pós-identitária para a educação. In: LOURO, G. L. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo
Horizonte: Autêntica, 2004. p. 27-54.
LOURO, G. L.
“Estranhar” o currículo. In: LOURO, G. L. Um
corpo estranho: ensaios sobre
sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. p. 55-73.

Belo texto! Parabéns Rita. Só podia fazer Letras mesmo (orgulhoso) rsrs
ResponderExcluirMuito bom o texto amada tinha que ser minha amiga. rsrs Sério gostei de verdade! Essa questão de padronizar é realmente muito complexa gera sempre um paradoxo: será que ao não padronizar eu não estou padronizando?
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