Reforce | Acompanhamento Pedagógico


terça-feira, 7 de maio de 2013

A historicidade da canção e sua aplicação pedagógica



Hoje quero falar da importância histórica da música, mais especificamente o MPB, no processo educativo do Brasil, retratando os compositores como seres sociais e políticos, pois utilizam em suas canções palavras que expressam atitudes sociais e concepção de mundo, com temas que abordam a política, ecologia, emancipação feminina, guerra, sexualidade, entre outros temas.

É importante salientar que no contexto educacional, a música ainda é vista como um recurso para alcançar as crianças e deixando-as mais tranquilas, desenvolvendo o seu lado criativo e social. Porém a música e a arte em um todo, como disciplina na escola, deve ser estudada mais profundamente entendendo que ela faz parte de um contexto histórico e que carrega em si conflitos de classes entre tantos outros temas importantes e que merecem um maior comprometimento do professor.
Colares afirma que:
Gerações e gerações de brasileiros passaram pelas escolas cantando sempre as mesmas canções: Atirei o pau no gato, Ciranda cirandinha, Marcha soldado, Capelinha de melão, Cai cai balão e outras na escola primária; enquanto que no ginásio e colégio, a música se restringiu às canções cívicas e algumas populares. (COLARES s.d., p. 19 apud BARRADAS 2008, p. 80)

Podemos perceber diante dessa afirmação o quanto a educação musical tem sido, de geração em geração, esquecida por professores e alunos. E infelizmente percebemos que hoje as canções que um dia marcaram toda uma geração, são consideradas canções antigas e rejeitadas por uma juventude que não tem questionado o que escuta, ou seja, o eclético que ouve tudo e não pensa em nada.


As canções populares são portadoras de mensagens e conteúdos diversos, que contém em sim as mazelas da sociedade, amores impossíveis, cheias de significados. E é através da união entre palavra e música, que se pode chegar a compreender o contexto em que foi escrita e até mesmo o compositor. Essas duas juntas, palavra e música, formam um todo que separadas não poderiam evocar.

Sendo assim, no estudo da Música Popular Brasileira, tem sido utilizado o estudo da semiótica, que é o estudo dos signos, além da fenomenologia, que procura estudar a essência das coisas, e estes compreendem a música como um fenômeno social.

Concluo dizendo que as músicas de ontem podem, sem sombra de dúvidas, ajudar a responder as questões atuais, levando a juventude a criar uma concepção de mundo, a ser mais crítica em suas escolhas, e o professor se torna ‘peça’ fundamental nesse processo, por ser ele o mediador. Quando falo em professor, não me refiro apenas ao professor de música, mas também o de português e história, que são áreas do conhecimento que estão intrinsecamente ligadas à música. Sendo assim, que nós professores consideremos o cultural e filosófico da MPB levando-a para dentro de nossas escolas.


Referência Bibliográfica
BARRADAS, Fernando da Conceição. A historicidade da canção e sua aplicação pedagógica. Akrópolis: Revista de Ciências Humanas da UNIPAR/ Universidade Paranaense, Unuarama, v.16, n. 2, p. 79-94, abr./jun. 2008

terça-feira, 30 de abril de 2013

5 a Seco



Boa tarde J
Hoje gostaria de falar de música, pra ser mais precisa, falar sobre a banda que tem feito os meus dias mais felizes e está no top das mais ouvidas por mim nos últimos meses: 5 a seco. Conheci recentemente e desde então, simplesmente não consigo parar de ouvir e tive a curiosidade de saber como sugiram, o porquê do nome, enfim, saber tudo a respeito.
Então vamos lá...


5 a seco, é uma banda formada por 5 rapazes (super fofos e talentosíssimos):  Leo Bianchini, Pedro Altério, Pedro Viáfora, Tó Brandileone e Vinicius Calderoni, que se revezam entre violão, baixo, pandeiro e outros instrumentos além de um domínio vocal incrível. Na verdade, encontrei pouquíssimos escritos sobre a banda, mas o que achei é que se trata de um grupo de amigos que através de um projeto musical, se juntaram em apresentações particulares, mas que por uma bondade do destino, foram parar na internet. O nome da banda tem explicação bem obvia “5” por que são cinco rapazes e “a seco” por que são eles e apenas eles que fazem o show, não existem outros músicos que fazem da banda o que ela é, apenas eles.
Com músicas que mais se parecem poesias, os rapazes tem assumido um destaque na mídia por sua participação na novela das seis “Flor do Caribe”, onde sua música Em paz (uma das mais lindas que já ouvi) está na abertura da novela, na voz de Maria Gadú, e é sempre muito fácil ver a cantora e a banda juntos.

Foto retirada da página do facebook da Maria Gadú


No site da banda é possível encontrar o recente álbum para download, que até onde me consta é único, intitulado “Ao vivo no auditório do Ibirapuera”, que conta com 17 faixas e 3 participações especiais de cantores consagrados: Maria Gadú, Lenine e Chico César. É claro que podemos encontrar outras canções da banda que não estão no álbum, e posso dizer que cada nova música que eu conheço, me faz perceber que música e poesia são uma coisa só!
Seria injusta se escolhesse a mais bonita, mas posso dizer a que eu mais gosto de ouvir e tenho ouvido muito, é Pra você dar o nome. Olhando assim, o nome da música pode até soar estranho, mas tratasse de uma das músicas de amor mais lindas que já ouvi na vida!
Espero que você, caro leitor, saiba apreciar as músicas desta banda e que tenha gostado da indicação. Vou deixar o link da página do facebook da banda e o site pra quem quiser conhecer mais. 

Termino deixando a música que citei e que me faz chorar e sonhar todas as vezes que a escuto!


***

Pra você dar o nome

Deixa pra lá
Que de nada adianta esse papo de agora não dá
Que eu te quero é agora e não posso e nem vou te esperar
Que esse lance de um tempo nunca funcionou pra nós dois
Sempre que der
Mande um sinal de vida de onde estiver dessa vez
Qualquer coisa que faça eu pensar que você está bem
Ou deitada nos braços de um outro qualquer que é melhor
Do que sofrer
De saudade de mim como eu to de você, pode crer
Que essa dor eu não quero pra ninguém no mundo
Imagina só pra você
Quero é te ver
Dando volta no mundo indo atrás de você, sabe o quê
E rezando pra um dia você se encontrar e perceber
Que o que falta em você sou eu



Fontes: 

http://www.5aseco.com.br/ Acessado as 11:50, no dia 30/04/2013

http://letras.mus.br/5-seco/1902674/ Acessado as 12:30, no dia 30/04/2013


domingo, 24 de março de 2013

Gestão da Educação: o Município e a Escola


Um assunto voltado à Educação, mas que deve ser compreendido por todos- Gestão Escolar. Desde já desejo uma ótima leitura a você caro leitor :)

***

Ao analisar a gestão da educação, é necessário compreendê-la como um processo democrático, ou seja, que prepara os alunos para o exercício da cidadania. Quando falo em cidadania, não me refiro à dimensão civil, mas sim a conquistas de direitos pessoais e sociais, onde o conhecimento deve ser à base de sua ação.
Segundo os autores (BORDIGNON e GRACINDO), a democracia e cidadania são conceitos indissociáveis, ou seja, estão ligados diretamente um ao outro. Para que a gestão escolar chegue nesse patamar em sua administração é preciso compreender os dois paradigmas que estão a sua volta: Paradigma Vigente e Paradigma Emergente.
O paradigma Vigente considerado tradicional vê a relação professor-aluno na forma vertical, onde as decisões são centralizadas e sua ação é autocrática, baseada na persuasão de um líder. O aluno não é conduzido a pensar e sim a reproduzir o que se pede, de forma que ele não constrói o conhecimento, mas a todo o momento recebe informações se tornando vulnerável a dominação daqueles que tem o conhecimento, pois como sabemos, conhecimento é poder.
Já o Paradigma Emergente, considerado atual, exerce uma relação de cooperação e interdependência, onde o objeto do trabalho é o conhecimento e este é conduzido através do fazer pensando, ou seja, o aluno é confrontado a todo o momento a pensar sobre as informações recebidas produzindo assim seu conhecimento. Lembrando também que é descentralizado, pois as decisões são tomadas através do diálogo e democracia.
Sendo assim, a educação escolar se finaliza tanto na dimensão do individual, o que se refere ao espaço das consciências humanas, tanto na dimensão do social, pois suas relações se dão com a relação do outro em um determinado tempo e espaço. A escola ao propor seu Projeto Político Pedagógico, precisa pensar e construir uma concepção política, pois promove uma ação transformadora da sociedade, da mesma forma que constrói uma concepção pedagógica, pois é ela que forma a parte essencial do ser, o substrato da função escolar.
Neste sentindo, a função e ação principal da educação é o saber, e esse não deve ser direcionado para as necessidades do mercado e sim, como matéria prima na formação do ser cidadão, que é o que move a nova sociedade do conhecimento. É preciso ensinar a aprender e não ensinar a fazer.
A gestão escolar, precisa ser encarada de forma a agir de modo específico no ato pedagógico em sua essência: dialética, diálogo e intersubjetividade onde a autonomia é a base da construção à cidadania. O paradigma da escola cidadã entende a gestão democrática voltada para a inclusão social, com modelo cognitivo/afetivo, servindo exclusivamente aos cidadãos e seus interesses.
Na gestão da escola e município, o processo de coordenação é igual e não subordinado, portanto, ao escolher o diretor é sem dúvida escolher a qualidade no processo desta gestão e deve ser compreendida como um objetivo que deve sempre ser perseguindo e aprimorado, além de ser uma prática cotidiana em seu interior. É necessário um alto investimento na formação do professor, para se alcançar qualidade no processo educativo, um ótimo suporte pedagógico com materiais e equipamentos, e prédios adequados e recursos financeiros.
Além de tudo o que já foi descrito no decorrer dessas linhas, o planejamento também se consolida na organização da filosofia da instituição, ou seja, nos princípios que devem ser defendidos pelo grupo, que são eles: a autonomia, que é a ideia de autogoverno; a participação onde não se refere apenas a parte interna, mas também da comunidade e do governo;  clima organizacional, que diz respeito ao envolvimento (ou não) dos professores no processo educativo, onde os objetivos estão devidamente definidos e conhecidos por todos os participantes desse processo.
Diante de tudo, entendo que é de suma importância o trabalho dos dirigentes educacionais, sendo que os mesmos enfrentam muitos desafios no dia a dia. É através da gestão democrática da educação que o processo educativo se tornará prática social, onde a cidadania é construída e se desenvolve em uma escola cidadã.


Referências

Gestão da Educação: impasses, perspectivas e compromissos/ Naura Syria Carapeto Ferreira, Márcia Angela da S. Aguiar (orgs.) - São Paulo: Cortez, 2000

Gestão da Educação: o Muinícipio e a Escola/ Genuino Bordignon, Regina Vinhaes Gracindo - São Paulo: Cortez, 2000

segunda-feira, 11 de março de 2013

A paixão de conhecer o mundo: relato de uma professora



Seguindo a linha dos últimos posts que fiz, quero falar um pouco sobre um livro que li no meu segundo ano de graduação e que pude reler e perceber sua importância no cotidiano do professor. Livro direcionado aos pedagogos (as) porém pode ser estendido aos demais professores. Espero que gostem e que o assunto possa abrir os olhos pra certas atitudes que podem contribuir na prática do professor :)

***

A pedagoga Madalena Freire possui larga experiência profissional na área educacional. Ela tem uma prática pedagógica construtivista e trabalha na formação de professores desde 1981. É autora do livro “A paixão de conhecer o mundo” (1983, Editora Paz e Terra), além de possuir vários artigos publicados e participar da organização de diversas publicações. Madalena foi professora convidada da Universidade de Notre Dame (Idianna EUA, 1990-1991) e realiza assessorias de educação para governos municipais e estaduais. Neste livro, Madalena Freire relata suas experiências profissionais e o crescimento de seus alunos da Escola Criarte, uma escola de arte de São Paulo.

 Em um primeiro momento ela traz informações sobre atividades realizadas com e pelas próprias crianças, onde o primordial era a construção do conhecimento por elas mesmas. Segundo Madalena “É nesse sentido que o professor não alfabetiza a criança; ele organiza os dados para que a criança se alfabetize” (FREIRE, p.68).  Logo depois Madalena traz em seu livro a participação dos pais, onde através dos questionamentos e curiosidades das próprias crianças, eles trazem seus conhecimentos em áreas distintas, ou seja, áreas nas quais eles se formaram e se capacitaram o que possibilitou a interação das crianças não apenas com a professora e a escola, mas também com seus familiares, que participaram pessoalmente deste processo de aprendizagem e também a comunidade.

Nesta obra, Madalena expressa que o professor ao organizar o “espaço” para que a criança se alfabetize por ela mesma, ela cria a sua capacidade de ler palavras na crescente compreensão do mundo que as cerca (FREIRE, p.70). Através dos questionamentos das próprias crianças, Madalena conduz o processo ensino-aprendizagem, estudando e respondendo as dúvidas sem, porém, deixando que eles encontrem as respostas por si mesmas. A rotina da turma também é algo muito explorada pela a autora, pois os alunos tinham um horário certo para todas as atividades o que facilita essa exploração por parte da criança de seus diversos momentos em sala.

Com diálogos e gravuras, desenhos feitos pelas próprias crianças, como uma forma de registrarem todos os acontecimentos, ou pelo menos, os mais importantes do dia, o livro é um relato com emoção e paixão sobre o conhecimento que é construído pelas crianças, onde o professor deixa de lado o método de uma “receita” pronta de alfabetização por sua descoberta e investigação.

Para descrever os registros de Madalena Freire, me atento para as palavras de Cecília Warschauer (1993, 2001), onde acredita que o registro além de favorecer a reflexão, constrói a memória e a história, além dos registros de diálogos entre ela (professora da obra) e as crianças, pois no caso da escritora Madalena o diálogo é sempre enfatizado em sua obra como uma forma de expressar as experiências do grupo em formação. Segundo Warschauer a roda, que é símbolo do encontro que Madalena exercia com as crianças, é um instrumento formativo de interação e diálogo. Neste caso o registro é a construção da identidade, onde estabelece uma ponte entre os acontecimentos passados pelo registro atual, possibilitadas pela narrativa. Documentar suas próprias experiências profissionais e o crescimento dos alunos traz ao professor sua própria pessoa e identidade.

Sabemos que o ato de registrar é uma prática realizada por uma minoria do quadro de professores, porém é imprescindível registrar os acontecimentos do cotidiano de sua sala, mas não apenas isso, analisar com base nas teorias, contextualizando aquilo que é pauta em nossa formação. Sendo assim, o educador se torna autor da sua própria prática quando estuda, observa e reflete sobre os acontecimentos de sua sala, o que demanda tempo, envolvimento e disciplina.  É a reflexão sobre a reflexão na ação, ou seja, o professor se trona um pesquisador, o qual faz e se refaz a cada dia.

O registro é um importante instrumento metodológico que o professor tem à sua disposição, mas, muitos o desconhecem ou não sabem a respeito dos benefícios que ele pode trazer para sua ação. Ao registrar sua prática o professor tem a possibilidade de construir a memória e a história de seu grupo. E, mais do que isso, o registro funciona ainda como reflexão, como compreensão das atividades realizadas, dos acontecimentos ocorridos, das ações e propostas encaminhadas pelo professor.

Além disso, o registro é um valioso instrumento no momento de avaliar, pois, “cada sujeito tem um percurso pessoal, e o acompanhamento das aprendizagens é a única forma de valorizarmos não apenas o resultado, mas todo o percurso construído pelo grupo e pelo sujeito em seu processo de aprendizagem.” (BARBOSA; HORN, 2008, p.100). Enfim, registrar encerra possibilidades formativas e viabiliza a construção de uma identidade profissional.


O registro da prática pedagógica é um poderoso instrumento de ação e intervenção junto ao grupo, fortalece os vínculos entre professor e coordenador. Enfim, auxilia o professor a realizar uma leitura sobre os interesses e faltas de seu grupo, assim como representa um compromisso do educador com a missão educativa. Esperamos que, em breve, a maioria dos professores possa usufruir, de forma consciente, dos benefícios desse valioso instrumento.





Referência

Freire, Madalena. A paixão de conhecer o mundo: relato de uma professora/ Madalena Freire Weffort.- Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. Coleção Educação e Comunicação: v. 11. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O professor e o combate à alienação imposta




Hoje quero falar para um público bem específico – professores. Mas isso não impede que você, caro leitor, que não está em um curso de licenciatura ou já atua na área do magistério, leia e se intere do assunto, aliás, até prefiro que você participe dessa troca de ideias sobre a educação e a formação do professor.

Nesta semana, em uma das minhas visitas à biblioteca da Universidade, me deparei com um livro pequeno, mas que me chamou atenção pelo título: “O professor e o combate à alienação imposta” de Ezequiel Theodoro da Silva. Esse livro teve sua 1ª edição publicada no ano de 1989, período em que a educação e a nação, viviam a transição entre ditadura e democracia, pois como já sabemos em março de 1985, chegava o fim da Ditadura Militar.  De leitura fácil e com temas que atualmente ainda conseguimos presenciar nas escolas, o autor vem decorrendo uma série de fatores que tornam o professor alienado em sua própria prática.

Segundo Silva (1989), o professor ao decorrer do tempo, se vê diante de situações que o impedem de pensar criticamente sua prática e isso se dá por vários fatores externos que são a má formação do professor, péssimas condições de trabalho além é claro do pouco tempo que o professor tem para se reciclar. Dentro desses fatores o autor traz a expressão “a coisificação do professor”, ou seja, o professor é levado a entender o ensino como um ‘bico’ que serve apenas para reproduzir uma realidade estática. E não apenas isso, o autor prossegue dizendo:

“O cerco de estacas ideológicas é fincado quase que invisivelmente ao longo dos anos. De repente não existe mais espaço para o trabalho transformador e criativo. Sob a avalanche opressiva, nada mais do que o silêncio e o retrocesso intelectual – o produto boçalizante das escolas nacionais reafirma esse processo.

Sendo assim, o professor precisa pensar sobre a forma (ou formas) que utilizará para restaurar sua autoridade moral perante uma sociedade que o vê como “mais um trabalhador”, e posso dizer isso com propriedade, pois somos vistos como pobres coitados que serão eternos assalariados.

Mas então nos vem à pergunta: “Como descoisificar o professor?  E rapidamente o autor traz a resposta, dizendo que, para que haja uma revolução qualitativa no setor educacional, exige do professor esforço, participação e cooperação. É preciso se esforçar em não acomodar-se diante do sistema, das dificuldades impostas, da falta de tempo para se aperfeiçoar (muitos professores trabalham nos três turnos, tendo por meta ampliar a renda financeira, e acabam apoiando toda a sua prática apenas nos 4 anos de graduação), além de conhecerem pouco seus alunos (onde posso citar suas limitações e avanços). No campo da participação é necessário que o professor se atualize constantemente, mas digo isso não apenas no campo pedagógico, mas também do cotidiano dos alunos, na política, filosofia, na arte e entre tantos outros. E por fim a cooperação onde o professor junto com seus colegas de profissão, estarão partilhando suas experiências na luta contra o poder opressor que insiste em dizer que temos que nos submeter a um sistema que sempre tem deixado a educação à margem das prioridades da nação.

Levando em consideração a época em que o livro fora escrito, o autor traz o termo “transmissão de conhecimento”, o que para nós nos dias atuais já não cabe proferir. Durante toda a minha formação (que ainda está em desenvolvimento), tenho ouvindo meus professores dizerem que o papel do professor não é o de transmissor e sim de mediador, aquele que conduzirá o aluno a construir o seu próprio conhecimento, onde o professor estará ali mediando à informação ao conhecimento.

Segundo Vygotsky, o mediador (nesse caso, o professor) é aquele que ajuda a criança a concretizar um desenvolvimento que ela ainda não atinge sozinha, ou seja, conduz a criança ao desenvolvimento potencial que é determinado por aquilo que a criança ainda não domina, mas é capaz de realizar com o auxílio de alguém mais experiente.

Outro ponto que acho importante ressaltar, se trata do posicionamento do autor diante do ensino. Para ele o educar/ensinar é um ato político.

Entendemos bem essa proposição: a essência política do ato pedagógico orienta a práxis do educador quanto aos objetivos a serem atingidos, aos conteúdos a serem transmitidos e aos procedimentos a serem utilizados, quando do trabalho junto a um grupo de alunos.

Seguindo essa linha de raciocínio, a postura política do professor se corporifica no momento em que ele seriamente planeja e em seguida executa o seu programa de ensino. O que exige do educador um compromisso de reflexão sobre a prática pedagógica concreta e social, onde essa prática se insere a quem e o porquê esse profissional está servindo no seu contexto direto de ação.

Por fim, o livro aborda (como disse no começo) assuntos que ainda são vivenciados por nós todos os dias nas salas de aulas. Vale como uma indicação de leitura para nós professores, sempre retirando o que pode ser aplicado em nossa realidade.



Referência Bibliográfica

SILVA, Ezequiel Theodoro da. O professor e o combate à alienação imposta. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1991.

LOPES, Josiane. Vygotsky o teórico social da inteligência. Nova Escola. São Paulo, nº 99. Ano XI, p. 33- 38, dez 1996.






domingo, 17 de fevereiro de 2013

Cinema: As aventuras de Tintim



Quando eu era criança, assistia um desenho na TV Cultura que foi, sem sombra de dúvidas, o meu preferido. “As aventuras de Tintim” (em francês, "Les aventures de Tintim"), um desenho francês que teve início em 1929 com tirinhas em quadrinhos que eram publicadas em semanários. Com o passar dos anos, os quadrinhos viraram livros e até revistas.

O belga, George Prosper Remi, autor do personagem Tintim e mais conhecido como Hergé, declarou que se inspirou no seu próprio irmão para criar o jovem repórter.  Aliás, todos os personagens que Hergé criou, foram baseados em alguma pessoa que lhe rodeava.

Mas nem tudo são flores nessa história. Hergé foi altamente criticado, após a Segunda Guerra Mundial, por seu envolvimento com o nazismo e o líder nazista belga Léon Degrelle, sendo acusado de colaborar com o nazismo por trabalhar em um jornal que estava sob controle alemão . Esse envolvimento lhe trouxe alguns desconfortos, pois alguns episódios de Tintim como: “Tintim no país do ouro negro”, “Tintim na América” e a “Ilha negra”e de outros desenhos que ele havia criado, foram censurados pelo regime nazista por não concordarem com a aparição da América e Grã-Bretanha. Podemos perceber em alguns episódios que os vilões eram negros, asiáticos, semitas, o que é condizente com a visão fascista que Hergé tinha na época em que criou o desenho. 

Atualmente, os episódios de Tintim são neutros, sem nenhum envolvimento político o que lhe trouxe apreciação do público infantil, além é claro de se tornar um clássico, no qual posso citar os episódios “O segredo do Unicornio”, “O tesouro de Rackham o Terrível” dentre outros.

No início do ano passado, foi lançado o filme “As aventuras de Tintim: O segredo do Licorne”. Esse filme foi baseado em um episódio (posso dizer que é o mais memorável), que trata do segredo que foi guardado de geração em geração pela família Haddock.



No filme, Tintim compra um pequeno barco (desses para enfeite) em uma feira. No ato da compra dois homens se aproximam de Tintim, muito interessados em comprar o barco dele, porém ele não vende a ninguém.

Ao chegar a sua casa, se questiona no por que do interesse daqueles cavalheiros naquele barco. Nesse momento, por um descuido, o barco cai no chão quebrando o mastro do meio. De dentro do mastro cai um pergaminho, que rola para debaixo da cômoda do jovem Tintim, que não percebe o ocorrido. Pra tentar descobrir qual o mistério do barco, o jovem Tintim e seu companheiro, o cãozinho Milu (em francês, Milou), vão a uma biblioteca e lá Tintim pesquisa tudo sobre o barco e o tesouro da família Haddock, e então descobre que só um verdadeiro Haddock poderá descobrir o mistério que há por trás do barco. Ao voltar para casa percebe que o barco havia sumido e é nesse momento que a aventura começa.

Se trata de uma animação, e não é apenas para crianças, mas também para os adultos. Contém emoção, drama, cenas cômicas e retrata todos os personagens que outrora fazem parte do desenho, desde o início. Tintim não é apenas um personagem do desenho, mas podemos encontrá-lo também nos livros e HQ’s.



  • Os personagens:

Tintim e Milu
Tintim é um jovem repórter que percorre o mundo todo atrás de aventuras e mistérios para desvendar. Sempre acompanhado por seu cãozinho Milu, um Fox terrie branco, que o ajuda nas aventuras. Geralmente um salva o outro, e o Milu é a típica imagem do “melhor amigo do homem. Uma curiosidade sobre o nome do cãozinho é que seu nome foi escolhido a partir do apelido de uma ex- namorada de Hergé.

Capitão Archibald Haddock
O Capitão Archibald Haddock é o melhor amigo de Tintim. Inicialmente foi descrito como um homem alcoólatra e fraco, porém com o passar dos anos passou a ser mais respeitado por se tornar um Corajoso e Heroico Capitão e está sempre contrastando com o idealismo do jovem Tintim.

Dupont e Dupont
São dois detetives, bem atrapalhados, que fazem parte do elenco cômico do desenho. Estão sempre tentando ajudar Tintim nas suas aventuras. É válido lembrar que os detetives são irmãos gêmeos e o que os diferencia é apenas o bigode.

Trifolio Girassol
Um brilhante cientista, que carrega com sigo um problema de saúde que lhe causa alguns transtornos, que é a sua deficiência auditava. Mas esse fato não o torna pior que os outros personagens, pelo contrário, seus inventos auxiliam e muito nas conquistas do Tintim. Esse personagem não aparece no filme, apenas nos episódios exibidos pela TV Cultura.

Bianca Castafiore
Esta personagem é altamente desprezada pelo corajoso capitão Hadoock. Se trata de uma cantora de ópera que sempre está presente onde quer que Tintim e o Capitão estejam.



Fiquem com Trailer desse que é um clássico :) Espero que gostem da indicação!




 Fonte: 

http://hotsites.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/tintim/sites/




sábado, 2 de fevereiro de 2013

Educação Musical e Formação de Professores



Quem me conhece sabe o quanto amo e me importo com a Educação Musical. E foi a partir dessa paixão que decidi falar sobre a Formação do Professor de música no meu projeto de monografia (medo).Por estar me formando em Pedagogia, me preocupo com a formação dos professores de todas as áreas, mas a música me atrai em especial, não desmerecendo as demais áreas do conhecimento. Quero aqui, compartilhar um pouco sobre a minha visão em relação  ao assunto.

Vamos então às minhas considerações!

***

É importante compreender a formação do professor como um processo contínuo, que implica pensar tanto no espaço de formação como no espaço da atuação e profissionalização do mesmo. Bellochio (2003) afirma que é necessário compreender a formação do professor para além da formação inicial, potencializando assim a própria vida do professor em suas práticas educativas e sua formação para a autonomia.

No caso específico do professor de música, além das práticas pedagógicas, os formadores precisam se atentar para múltiplas formas de ensinar música no social, sendo encarado à produção musical fora do espaço escolar.

A formação do professor de música precisa ser desenvolvida tanto no campo da música e do saber pedagógico da educação, onde serão contextualizados e vivenciados. É importante ressaltar que o professor de música precisa se construir como sujeito que transcende o próprio objeto do conhecimento – música – e que tem sólida formação cultural. Isso diz respeito ao domínio do conhecimento em educação musical e pedagógica, que podem lhe possibilitar o crescimento pessoal e a compreensão do processo ensinar/aprender música.

Segundo Bellochio (2003) para ensinar música é preciso que o professor compreenda a educação e o que faz parte dela, ou seja, seus constituintes psicológicos, filosóficos, antropológicos, pedagógicos, sociológicos. Dessa forma, o professor pode organizar o conhecimento educacional, o que leva a construção do seu próprio conhecimento e de seus alunos.

É necessário que se invista na formação pedagógica do professor de instrumento, que geralmente são oriundos do curso de bacharelado em música. Além daqueles, que não tem formação superior em música, mas por algum motivo estão em sala de aula. Diante disso, acredita-se que a formação do professor precisa avançar para além da sala de aula e encontrar novos horizontes que possibilitem repensar sua prática e consequentemente, ampliar sua concepção de mundo.

Para que os alunos possam se encontrar preparados para assumirem seus lugares em nossa sociedade de forma crítica, o professor precisa de uma formação sólida, que o possibilitará desenvolver sua prática de acordo com crescimento de seus alunos. Sendo assim, a formação do professor é um processo em constante desenvolvimento que tem inicio na escolha profissional e se desenvolve ao decorrer da carreira.

Aprender a ensinar significa um desenvolvimento contínuo, que gera incertezas e medos, mas que abrem caminhos complexos em que a pessoa e o profissional em crescimento se misturam, chegando assim à descoberta do professor. E nesse processo, a música favorece essa descoberta, pois ela consegue expressar em melodia as transformações mais profundas do ser humano.




Referência Bibliográfica
BELLOCHIO, Cláudia Ribeiro. A formação profissional do educador musical: algumas apostas. Revista da ABEM, Porto Alegre, v.8, 17-24, mar. 2003.

BELLOCHIO, Cláudia Ribeiro. Escola – Licenciatura em música – Pedagogia: compartilhando espaços e saberes na formação inicial de professores. Revista da ABEM, Porto Alegre, v.7, 41-48, set. 2002.