Hoje quero falar para um público
bem específico – professores. Mas isso não impede que você, caro leitor, que
não está em um curso de licenciatura ou já atua na área do magistério, leia e
se intere do assunto, aliás, até prefiro que você participe dessa troca de
ideias sobre a educação e a formação do professor.
Nesta semana, em uma das minhas
visitas à biblioteca da Universidade, me deparei com um livro pequeno, mas que
me chamou atenção pelo título: “O professor e o combate à alienação imposta” de
Ezequiel Theodoro da Silva. Esse livro teve sua 1ª edição publicada no ano de
1989, período em que a educação e a nação, viviam a transição entre ditadura e
democracia, pois como já sabemos em março de 1985, chegava o fim da Ditadura
Militar. De leitura fácil e com temas
que atualmente ainda conseguimos presenciar nas escolas, o autor vem decorrendo
uma série de fatores que tornam o professor alienado em sua própria prática.
Segundo Silva (1989), o professor
ao decorrer do tempo, se vê diante de situações que o impedem de pensar
criticamente sua prática e isso se dá por vários fatores externos que são a má
formação do professor, péssimas condições de trabalho além é claro do pouco
tempo que o professor tem para se reciclar. Dentro desses fatores o autor traz
a expressão “a coisificação do professor”, ou seja, o professor é levado a
entender o ensino como um ‘bico’ que serve apenas para reproduzir uma realidade
estática. E não apenas isso, o autor prossegue dizendo:
“O cerco de estacas ideológicas é
fincado quase que invisivelmente ao longo dos anos. De repente não existe mais
espaço para o trabalho transformador e criativo. Sob a avalanche opressiva,
nada mais do que o silêncio e o retrocesso intelectual – o produto boçalizante
das escolas nacionais reafirma esse processo.
Sendo assim, o professor precisa
pensar sobre a forma (ou formas) que utilizará para restaurar sua autoridade
moral perante uma sociedade que o vê como “mais um trabalhador”, e posso dizer
isso com propriedade, pois somos vistos como pobres coitados que serão eternos assalariados.
Mas então nos vem à pergunta: “Como
descoisificar o professor? E rapidamente
o autor traz a resposta, dizendo que, para que haja uma revolução qualitativa no
setor educacional, exige do professor esforço, participação e cooperação. É
preciso se esforçar em não acomodar-se diante do sistema, das dificuldades
impostas, da falta de tempo para se aperfeiçoar (muitos professores trabalham
nos três turnos, tendo por meta ampliar a renda financeira, e acabam apoiando
toda a sua prática apenas nos 4 anos de graduação), além de conhecerem pouco
seus alunos (onde posso citar suas limitações e avanços). No campo da
participação é necessário que o professor se atualize constantemente, mas digo
isso não apenas no campo pedagógico, mas também do cotidiano dos alunos, na política,
filosofia, na arte e entre tantos outros. E por fim a cooperação onde o professor
junto com seus colegas de profissão, estarão partilhando suas experiências na
luta contra o poder opressor que insiste em dizer que temos que nos submeter a
um sistema que sempre tem deixado a educação à margem das prioridades da nação.
Levando em consideração a época
em que o livro fora escrito, o autor traz o termo “transmissão de conhecimento”,
o que para nós nos dias atuais já não cabe proferir. Durante toda a minha
formação (que ainda está em desenvolvimento), tenho ouvindo meus professores
dizerem que o papel do professor não é o de transmissor e sim de mediador, aquele que conduzirá o aluno a
construir o seu próprio conhecimento, onde o professor estará ali mediando à
informação ao conhecimento.
Segundo Vygotsky, o mediador
(nesse caso, o professor) é aquele que ajuda a criança a concretizar um
desenvolvimento que ela ainda não atinge sozinha, ou seja, conduz a criança ao
desenvolvimento potencial que é determinado por aquilo que a criança ainda não
domina, mas é capaz de realizar com o auxílio de alguém mais experiente.
Outro ponto que acho importante
ressaltar, se trata do posicionamento do autor diante do ensino. Para ele o
educar/ensinar é um ato político.
Entendemos bem essa proposição: a
essência política do ato pedagógico orienta a práxis do educador quanto aos
objetivos a serem atingidos, aos conteúdos a serem transmitidos e aos
procedimentos a serem utilizados, quando do trabalho junto a um grupo de
alunos.
Seguindo essa linha de raciocínio,
a postura política do professor se corporifica no momento em que ele seriamente
planeja e em seguida executa o seu programa de ensino. O que exige do educador
um compromisso de reflexão sobre a prática pedagógica concreta e social, onde
essa prática se insere a quem e o porquê esse profissional está servindo no seu
contexto direto de ação.
Por fim, o livro aborda (como
disse no começo) assuntos que ainda são vivenciados por nós todos os dias nas
salas de aulas. Vale como uma indicação de leitura para nós professores, sempre
retirando o que pode ser aplicado em nossa realidade.
Referência Bibliográfica
SILVA, Ezequiel Theodoro da. O professor e o combate à alienação imposta. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1991.
LOPES, Josiane. Vygotsky o teórico social da inteligência. Nova Escola. São Paulo, nº 99. Ano XI, p. 33- 38, dez 1996.

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