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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O professor e o combate à alienação imposta




Hoje quero falar para um público bem específico – professores. Mas isso não impede que você, caro leitor, que não está em um curso de licenciatura ou já atua na área do magistério, leia e se intere do assunto, aliás, até prefiro que você participe dessa troca de ideias sobre a educação e a formação do professor.

Nesta semana, em uma das minhas visitas à biblioteca da Universidade, me deparei com um livro pequeno, mas que me chamou atenção pelo título: “O professor e o combate à alienação imposta” de Ezequiel Theodoro da Silva. Esse livro teve sua 1ª edição publicada no ano de 1989, período em que a educação e a nação, viviam a transição entre ditadura e democracia, pois como já sabemos em março de 1985, chegava o fim da Ditadura Militar.  De leitura fácil e com temas que atualmente ainda conseguimos presenciar nas escolas, o autor vem decorrendo uma série de fatores que tornam o professor alienado em sua própria prática.

Segundo Silva (1989), o professor ao decorrer do tempo, se vê diante de situações que o impedem de pensar criticamente sua prática e isso se dá por vários fatores externos que são a má formação do professor, péssimas condições de trabalho além é claro do pouco tempo que o professor tem para se reciclar. Dentro desses fatores o autor traz a expressão “a coisificação do professor”, ou seja, o professor é levado a entender o ensino como um ‘bico’ que serve apenas para reproduzir uma realidade estática. E não apenas isso, o autor prossegue dizendo:

“O cerco de estacas ideológicas é fincado quase que invisivelmente ao longo dos anos. De repente não existe mais espaço para o trabalho transformador e criativo. Sob a avalanche opressiva, nada mais do que o silêncio e o retrocesso intelectual – o produto boçalizante das escolas nacionais reafirma esse processo.

Sendo assim, o professor precisa pensar sobre a forma (ou formas) que utilizará para restaurar sua autoridade moral perante uma sociedade que o vê como “mais um trabalhador”, e posso dizer isso com propriedade, pois somos vistos como pobres coitados que serão eternos assalariados.

Mas então nos vem à pergunta: “Como descoisificar o professor?  E rapidamente o autor traz a resposta, dizendo que, para que haja uma revolução qualitativa no setor educacional, exige do professor esforço, participação e cooperação. É preciso se esforçar em não acomodar-se diante do sistema, das dificuldades impostas, da falta de tempo para se aperfeiçoar (muitos professores trabalham nos três turnos, tendo por meta ampliar a renda financeira, e acabam apoiando toda a sua prática apenas nos 4 anos de graduação), além de conhecerem pouco seus alunos (onde posso citar suas limitações e avanços). No campo da participação é necessário que o professor se atualize constantemente, mas digo isso não apenas no campo pedagógico, mas também do cotidiano dos alunos, na política, filosofia, na arte e entre tantos outros. E por fim a cooperação onde o professor junto com seus colegas de profissão, estarão partilhando suas experiências na luta contra o poder opressor que insiste em dizer que temos que nos submeter a um sistema que sempre tem deixado a educação à margem das prioridades da nação.

Levando em consideração a época em que o livro fora escrito, o autor traz o termo “transmissão de conhecimento”, o que para nós nos dias atuais já não cabe proferir. Durante toda a minha formação (que ainda está em desenvolvimento), tenho ouvindo meus professores dizerem que o papel do professor não é o de transmissor e sim de mediador, aquele que conduzirá o aluno a construir o seu próprio conhecimento, onde o professor estará ali mediando à informação ao conhecimento.

Segundo Vygotsky, o mediador (nesse caso, o professor) é aquele que ajuda a criança a concretizar um desenvolvimento que ela ainda não atinge sozinha, ou seja, conduz a criança ao desenvolvimento potencial que é determinado por aquilo que a criança ainda não domina, mas é capaz de realizar com o auxílio de alguém mais experiente.

Outro ponto que acho importante ressaltar, se trata do posicionamento do autor diante do ensino. Para ele o educar/ensinar é um ato político.

Entendemos bem essa proposição: a essência política do ato pedagógico orienta a práxis do educador quanto aos objetivos a serem atingidos, aos conteúdos a serem transmitidos e aos procedimentos a serem utilizados, quando do trabalho junto a um grupo de alunos.

Seguindo essa linha de raciocínio, a postura política do professor se corporifica no momento em que ele seriamente planeja e em seguida executa o seu programa de ensino. O que exige do educador um compromisso de reflexão sobre a prática pedagógica concreta e social, onde essa prática se insere a quem e o porquê esse profissional está servindo no seu contexto direto de ação.

Por fim, o livro aborda (como disse no começo) assuntos que ainda são vivenciados por nós todos os dias nas salas de aulas. Vale como uma indicação de leitura para nós professores, sempre retirando o que pode ser aplicado em nossa realidade.



Referência Bibliográfica

SILVA, Ezequiel Theodoro da. O professor e o combate à alienação imposta. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1991.

LOPES, Josiane. Vygotsky o teórico social da inteligência. Nova Escola. São Paulo, nº 99. Ano XI, p. 33- 38, dez 1996.






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