Hoje quero falar da importância histórica da música,
mais especificamente o MPB, no processo educativo do Brasil, retratando os compositores como seres sociais e políticos, pois utilizam em suas canções
palavras que expressam atitudes sociais e concepção de mundo, com temas que
abordam a política, ecologia, emancipação feminina, guerra, sexualidade, entre
outros temas.
É
importante salientar que no contexto educacional, a música ainda é vista como um
recurso para alcançar as crianças e deixando-as mais tranquilas, desenvolvendo
o seu lado criativo e social. Porém a música e a arte em um todo, como
disciplina na escola, deve ser estudada mais profundamente entendendo que ela
faz parte de um contexto histórico e que carrega em si conflitos de classes
entre tantos outros temas importantes e que merecem um maior comprometimento do
professor.
Colares
afirma que:
Gerações
e gerações de brasileiros passaram pelas escolas cantando sempre as mesmas
canções: Atirei o pau no gato, Ciranda cirandinha, Marcha soldado, Capelinha de
melão, Cai cai balão e outras na escola primária; enquanto que no ginásio e
colégio, a música se restringiu às canções cívicas e algumas populares. (COLARES
s.d., p. 19 apud BARRADAS 2008, p.
80)
Podemos
perceber diante dessa afirmação o quanto a educação musical tem sido, de
geração em geração, esquecida por professores e alunos. E infelizmente
percebemos que hoje as canções que um dia marcaram toda uma geração, são
consideradas canções antigas e rejeitadas por uma juventude que não tem
questionado o que escuta, ou seja, o eclético que ouve tudo e não pensa em nada.
As
canções populares são portadoras de mensagens e conteúdos diversos, que contém
em sim as mazelas da sociedade, amores impossíveis, cheias de significados. E é
através da união entre palavra e música, que se pode chegar a compreender o
contexto em que foi escrita e até mesmo o compositor. Essas duas juntas,
palavra e música, formam um todo que separadas não poderiam evocar.
Sendo
assim, no estudo da Música Popular Brasileira, tem sido utilizado o estudo da
semiótica, que é o estudo dos signos, além da fenomenologia, que procura
estudar a essência das coisas, e estes compreendem a música como um fenômeno
social.
Concluo
dizendo que as músicas de ontem podem, sem sombra de dúvidas, ajudar a
responder as questões atuais, levando a juventude a criar uma concepção de
mundo, a ser mais crítica em suas escolhas, e o professor se torna ‘peça’
fundamental nesse processo, por ser ele o mediador. Quando falo em professor,
não me refiro apenas ao professor de música, mas também o de português e
história, que são áreas do conhecimento que estão intrinsecamente ligadas à
música. Sendo assim, que nós professores consideremos o cultural e filosófico
da MPB levando-a para dentro de nossas escolas.
Referência Bibliográfica
BARRADAS, Fernando da Conceição. A historicidade da canção e sua
aplicação pedagógica. Akrópolis:
Revista de Ciências Humanas da UNIPAR/ Universidade Paranaense, Unuarama, v.16,
n. 2, p. 79-94, abr./jun. 2008
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