Seguindo a linha dos últimos posts que fiz, quero falar um pouco sobre um livro que li no meu segundo ano de graduação e que pude reler e perceber sua importância no cotidiano do professor. Livro direcionado aos pedagogos (as) porém pode ser estendido aos demais professores. Espero que gostem e que o assunto possa abrir os olhos pra certas atitudes que podem contribuir na prática do professor :)
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A pedagoga Madalena Freire possui
larga experiência profissional na área educacional. Ela tem uma prática
pedagógica construtivista e trabalha na formação de professores desde 1981. É
autora do livro “A paixão de conhecer o mundo” (1983, Editora Paz e Terra),
além de possuir vários artigos publicados e participar da organização de
diversas publicações. Madalena foi professora convidada da Universidade de
Notre Dame (Idianna EUA, 1990-1991) e realiza assessorias de educação para
governos municipais e estaduais. Neste livro, Madalena Freire
relata suas experiências profissionais e o crescimento de seus alunos da Escola
Criarte, uma escola de arte de São Paulo.
Em um primeiro momento ela traz
informações sobre atividades realizadas com e pelas próprias crianças, onde o
primordial era a construção do conhecimento por elas mesmas. Segundo Madalena
“É nesse sentido que o professor não alfabetiza a criança; ele organiza os
dados para que a criança se alfabetize” (FREIRE, p.68). Logo depois Madalena traz em seu livro a
participação dos pais, onde através dos questionamentos e curiosidades das
próprias crianças, eles trazem seus conhecimentos em áreas distintas, ou
seja, áreas nas quais eles se formaram e se capacitaram o que possibilitou a
interação das crianças não apenas com a professora e a escola, mas também com
seus familiares, que participaram pessoalmente deste processo de aprendizagem e
também a comunidade.
Nesta obra, Madalena expressa que
o professor ao organizar o “espaço” para que a criança se alfabetize por ela
mesma, ela cria a sua capacidade de ler palavras na crescente compreensão do
mundo que as cerca (FREIRE, p.70). Através dos questionamentos das
próprias crianças, Madalena conduz o processo ensino-aprendizagem, estudando e
respondendo as dúvidas sem, porém, deixando que eles encontrem as respostas por
si mesmas. A rotina da turma também é algo muito explorada pela a autora, pois
os alunos tinham um horário certo para todas as atividades o que facilita essa
exploração por parte da criança de seus diversos momentos em sala.
Com diálogos e gravuras, desenhos
feitos pelas próprias crianças, como uma forma de registrarem todos os
acontecimentos, ou pelo menos, os mais importantes do dia, o livro é um relato
com emoção e paixão sobre o conhecimento que é construído pelas crianças, onde o professor deixa de lado o método de uma “receita” pronta de alfabetização por sua descoberta
e investigação.
Para descrever os registros de
Madalena Freire, me atento para as palavras de Cecília Warschauer (1993, 2001),
onde acredita que o registro além de favorecer a reflexão, constrói a memória e
a história, além dos registros de diálogos entre ela (professora da obra) e as
crianças, pois no caso da escritora Madalena o diálogo é sempre enfatizado em
sua obra como uma forma de expressar as experiências do grupo em formação.
Segundo Warschauer a roda, que é
símbolo do encontro que Madalena exercia com as crianças, é um instrumento
formativo de interação e diálogo. Neste caso o registro é a construção da
identidade, onde estabelece uma ponte entre os acontecimentos passados pelo
registro atual, possibilitadas pela narrativa. Documentar suas próprias
experiências profissionais e o crescimento dos alunos traz ao professor sua
própria pessoa e identidade.
Sabemos que o ato de registrar é
uma prática realizada por uma minoria do quadro de professores, porém é imprescindível
registrar os acontecimentos do cotidiano de sua sala, mas não apenas isso,
analisar com base nas teorias, contextualizando aquilo que é pauta em nossa
formação. Sendo assim, o educador se torna
autor da sua própria prática quando estuda, observa e reflete sobre os
acontecimentos de sua sala, o que demanda tempo, envolvimento e disciplina. É a reflexão sobre a reflexão na ação, ou
seja, o professor se trona um pesquisador, o qual faz e se refaz a cada dia.
O registro é um
importante instrumento metodológico que o professor tem à sua disposição, mas,
muitos o desconhecem ou não sabem a respeito dos benefícios que ele pode trazer
para sua ação. Ao registrar sua
prática o professor tem a possibilidade de construir a memória e a história de
seu grupo. E, mais do que isso, o registro funciona ainda como reflexão, como
compreensão das atividades realizadas, dos acontecimentos ocorridos, das ações
e propostas encaminhadas pelo professor.
Além disso, o registro
é um valioso instrumento no momento de avaliar, pois, “cada sujeito tem um
percurso pessoal, e o acompanhamento das aprendizagens é a única forma de
valorizarmos não apenas o resultado, mas todo o percurso construído pelo grupo
e pelo sujeito em seu processo de aprendizagem.” (BARBOSA; HORN, 2008, p.100). Enfim, registrar
encerra possibilidades formativas e viabiliza a construção de uma identidade
profissional.
O registro da prática
pedagógica é um poderoso instrumento de ação e intervenção junto ao grupo,
fortalece os vínculos entre professor e coordenador. Enfim, auxilia o professor
a realizar uma leitura sobre os interesses e faltas de seu grupo, assim como
representa um compromisso do educador com a missão educativa. Esperamos que, em
breve, a maioria dos professores possa usufruir, de forma consciente, dos
benefícios desse valioso instrumento.
Referência
Freire,
Madalena. A paixão de conhecer o mundo: relato de uma professora/ Madalena
Freire Weffort.- Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. Coleção Educação e
Comunicação: v. 11.
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Este livro é encantador, quando o li fiquei emocionada. Nos traz grandes ensinamentos, não só como professor, mas, como ser humano.
ResponderExcluirRealmente! Um livro simples, mas profundo em seus ensinamentos.
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