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segunda-feira, 11 de março de 2013

A paixão de conhecer o mundo: relato de uma professora



Seguindo a linha dos últimos posts que fiz, quero falar um pouco sobre um livro que li no meu segundo ano de graduação e que pude reler e perceber sua importância no cotidiano do professor. Livro direcionado aos pedagogos (as) porém pode ser estendido aos demais professores. Espero que gostem e que o assunto possa abrir os olhos pra certas atitudes que podem contribuir na prática do professor :)

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A pedagoga Madalena Freire possui larga experiência profissional na área educacional. Ela tem uma prática pedagógica construtivista e trabalha na formação de professores desde 1981. É autora do livro “A paixão de conhecer o mundo” (1983, Editora Paz e Terra), além de possuir vários artigos publicados e participar da organização de diversas publicações. Madalena foi professora convidada da Universidade de Notre Dame (Idianna EUA, 1990-1991) e realiza assessorias de educação para governos municipais e estaduais. Neste livro, Madalena Freire relata suas experiências profissionais e o crescimento de seus alunos da Escola Criarte, uma escola de arte de São Paulo.

 Em um primeiro momento ela traz informações sobre atividades realizadas com e pelas próprias crianças, onde o primordial era a construção do conhecimento por elas mesmas. Segundo Madalena “É nesse sentido que o professor não alfabetiza a criança; ele organiza os dados para que a criança se alfabetize” (FREIRE, p.68).  Logo depois Madalena traz em seu livro a participação dos pais, onde através dos questionamentos e curiosidades das próprias crianças, eles trazem seus conhecimentos em áreas distintas, ou seja, áreas nas quais eles se formaram e se capacitaram o que possibilitou a interação das crianças não apenas com a professora e a escola, mas também com seus familiares, que participaram pessoalmente deste processo de aprendizagem e também a comunidade.

Nesta obra, Madalena expressa que o professor ao organizar o “espaço” para que a criança se alfabetize por ela mesma, ela cria a sua capacidade de ler palavras na crescente compreensão do mundo que as cerca (FREIRE, p.70). Através dos questionamentos das próprias crianças, Madalena conduz o processo ensino-aprendizagem, estudando e respondendo as dúvidas sem, porém, deixando que eles encontrem as respostas por si mesmas. A rotina da turma também é algo muito explorada pela a autora, pois os alunos tinham um horário certo para todas as atividades o que facilita essa exploração por parte da criança de seus diversos momentos em sala.

Com diálogos e gravuras, desenhos feitos pelas próprias crianças, como uma forma de registrarem todos os acontecimentos, ou pelo menos, os mais importantes do dia, o livro é um relato com emoção e paixão sobre o conhecimento que é construído pelas crianças, onde o professor deixa de lado o método de uma “receita” pronta de alfabetização por sua descoberta e investigação.

Para descrever os registros de Madalena Freire, me atento para as palavras de Cecília Warschauer (1993, 2001), onde acredita que o registro além de favorecer a reflexão, constrói a memória e a história, além dos registros de diálogos entre ela (professora da obra) e as crianças, pois no caso da escritora Madalena o diálogo é sempre enfatizado em sua obra como uma forma de expressar as experiências do grupo em formação. Segundo Warschauer a roda, que é símbolo do encontro que Madalena exercia com as crianças, é um instrumento formativo de interação e diálogo. Neste caso o registro é a construção da identidade, onde estabelece uma ponte entre os acontecimentos passados pelo registro atual, possibilitadas pela narrativa. Documentar suas próprias experiências profissionais e o crescimento dos alunos traz ao professor sua própria pessoa e identidade.

Sabemos que o ato de registrar é uma prática realizada por uma minoria do quadro de professores, porém é imprescindível registrar os acontecimentos do cotidiano de sua sala, mas não apenas isso, analisar com base nas teorias, contextualizando aquilo que é pauta em nossa formação. Sendo assim, o educador se torna autor da sua própria prática quando estuda, observa e reflete sobre os acontecimentos de sua sala, o que demanda tempo, envolvimento e disciplina.  É a reflexão sobre a reflexão na ação, ou seja, o professor se trona um pesquisador, o qual faz e se refaz a cada dia.

O registro é um importante instrumento metodológico que o professor tem à sua disposição, mas, muitos o desconhecem ou não sabem a respeito dos benefícios que ele pode trazer para sua ação. Ao registrar sua prática o professor tem a possibilidade de construir a memória e a história de seu grupo. E, mais do que isso, o registro funciona ainda como reflexão, como compreensão das atividades realizadas, dos acontecimentos ocorridos, das ações e propostas encaminhadas pelo professor.

Além disso, o registro é um valioso instrumento no momento de avaliar, pois, “cada sujeito tem um percurso pessoal, e o acompanhamento das aprendizagens é a única forma de valorizarmos não apenas o resultado, mas todo o percurso construído pelo grupo e pelo sujeito em seu processo de aprendizagem.” (BARBOSA; HORN, 2008, p.100). Enfim, registrar encerra possibilidades formativas e viabiliza a construção de uma identidade profissional.


O registro da prática pedagógica é um poderoso instrumento de ação e intervenção junto ao grupo, fortalece os vínculos entre professor e coordenador. Enfim, auxilia o professor a realizar uma leitura sobre os interesses e faltas de seu grupo, assim como representa um compromisso do educador com a missão educativa. Esperamos que, em breve, a maioria dos professores possa usufruir, de forma consciente, dos benefícios desse valioso instrumento.





Referência

Freire, Madalena. A paixão de conhecer o mundo: relato de uma professora/ Madalena Freire Weffort.- Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. Coleção Educação e Comunicação: v. 11. 

2 comentários:

  1. Este livro é encantador, quando o li fiquei emocionada. Nos traz grandes ensinamentos, não só como professor, mas, como ser humano.

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    1. Realmente! Um livro simples, mas profundo em seus ensinamentos.

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