Reforce | Acompanhamento Pedagógico


sábado, 24 de maio de 2014

É só o começo

Foram 4 anos. E parece que tudo começou ontem mesmo.

Me lembro do dia que cheguei na Universidade,  tímida, de poucas palavras, me sentia não muito inteligente. Os dois primeiros anos, foram anos de desconstrução.

Desconstruir discursos impostos,  pensamentos de senso comum. Me foi apresentado um mundo injusto com o menos favorecido e cruel com aqueles que se propõem em fazer algo por quem é marginalizado.

Tive uma formação crítica no que diz respeito a cidadania. Crítica em não reproduzir discursos e comportamento determinados por uma minoria hegemônica. Crítica em fornecer aos marginalizados pela sociedade, bases que consolidem seu reposicionamento na sociedade, como cidadãos que são.

Agradeço aos meus professores por me moldar, por me oferecer um caminho onde mesmo com as dificuldades, preciso me posicionar e fazer minha voz ouvida.

A universidade não me ofereceu apenas uma formação, mas abriu meus olhos para a minha própria alienação, me dando a oportunidade de me libertar dessa opressão que tenta calar a voz e aceitar com abnegação o que me é imposto. 

Hoje, um dia após minha colação de grau, além do profundo sentimento de gratidão que sinto e a enorme saudade dos amigos, professores e da própria Universidade Estadual de Goiás, sinto o peso da responsabilidade com a formação de outras pessoas. Meu diploma veio salientar a minha responsabilidade com a sociedade e formação crítica do cidadão.

Assim como jurei ontem, que eu faça a diferença é não aceite a realidade sem antes lutar por novas condições. 

UEG, até breve!



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Mais um conto

Hoje bem cedo recebi notícias de Amora. Na verdade a vi na praça onde tudo começou, digo, onde seu romance com Augusto começou, ali parada olhando o vazio e tentando entender tudo o que estava acontecendo.

Naquela praça havia uma ponte,  e é exatamente nesta ponte que Amora passava a maior parte do seu tempo. Talvez esperando por Augusto ou simplesmente esperando por alguém que lhe aliviasse a dor da ausência.

Para Amora, não havia sentido estar em uma ponte que nunca poderia ligar seu coração novamente ao coração de Augusto. Ela sempre refletia onde poderia chegar, caso aquela ponte tivesse o poder de levá-la a Augusto.

Neste momento olhei e vi alguém se aproximar de Amora, era um belo jovem e este a observava todas as tardes.

–Tantos pensamentos que seu olhar se perde, disse o jovem rapaz.

E Amora um pouco assustada e ao mesmo tempo distante, olhou nos olhos daquele rapaz e lhe perguntou: “-Qual o seu nome?” e com uma voz serena o jovem lhe respondeu: -Arthur! Mas o seu eu já conheço, Amora. Ouvi falar que nessa praça, sempre ao entardecer uma linda jovem, de nome Amora, passava tempos e tempos a observar.

-Sim. Todos os dias, venho e me perco em meio aos meus pensamentos. Neste momento, Amora simplesmente esqueceu o enorme vazio que sentia e pela primeira vez, depois da ausência de Augusto, sorriu. Tudo bem, confesso foi um sorriso amarelo, mas que trouxe beleza ao rosto que já era belo.

E naquele dia Amora não viu o pôr do sol sozinha, mas esteve acompanhada. Não sabemos o que o jovem Arthur realmente pretende, mas o que posso garantir é que eu vi um lindo sorriso brotar dos lábios de Amora.

E ali ficaram por horas, conversando sobre assuntos inesperados que fizeram o tempo congelar para a jovem Amora, foi então que perceberam, no céu já brilhavam as estrelas, era momento de ir.

No fim daquela conversa, Amora se levantou e disse: -Obrigada! A muito não sorria.

Arthur se levantou, pegou as mãos de Amora e deu um doce beijo e com um lindo sorriso respondeu: -Não há o que agradecer, pelo contrário, hoje a noite teve um brilho mais especial, tirei o mais lindo sorriso da mais linda moça!

Em seu coração, Arthur não entendia o que realmente o motivou a chegar até ali, mas ele se sentia bem, pois ao olhar Amora sorrir, mesmo sem nunca tê-la visto, ele sabia que este sorriso, representava o começo de uma nova amizade e não havia nada que pudesse mudar o que já existia!


E assim cada um seguiu seu caminho e naquele dia, houve brilho não apenas das estrelas, mas o brilho mais radiante que já se pôde ver, o brilho do sorriso de quem já não sorria mais.

"Moca na Ponte Rio Piracicaba" obra de Washington Maguetas


Texto escrito em maio de 2013

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Quanto tempo dura o silêncio?

Ah! Como o silêncio incomoda. Eu mais que ninguém sei.

Infelizmente, de tanto receber o silêncio como resposta, passei a utilizá-lo como arma de defesa. É triste reconhecer, mas eu me apropriei do silêncio para não me ferir e consequentemente ferir alguém.

O que eu não sabia (e aos poucos vou descobrindo) é que o meu silêncio, às vezes, não me esconde de nada, muito pelo contrário, evidência o que eu tento esconder: minha própria natureza.

É involuntário. Quando eu menos espero, estou eu novamente utilizando o silêncio.

Quanta gente desistiu de mim por isso. Quantas vezes eu desisti das pessoas por não saber lidar com isso.

Luto diariamente para que o meu silêncio não traga espinhos onde eu plantei um jardim.

Luto diariamente para que as pessoas que são vítimas do meu silêncio, não desistam de mim.

Luto diariamente para que eu vença o silêncio e derrube o muro que é construído a cada nova pausa.

Luto diariamente para transformar meu silêncio numa linda canção.

Mas algo precisa ser esclarecido, muitas vezes utilizo meu silêncio para pensar melhor, para analisar determinada situação. Às vezes uma resposta imediata, trará danos eternos.

Às vezes, um silêncio momentâneo trará uma vida de paz e mansidão!

Que o meu silêncio dure muito menos que o silêncio do próximo. Que dure o suficiente para que nele e através dele eu seja ouvida e compreendida.

Que eu seja perdoada (e me perdoe) toda vez que meu silêncio ferir alguém.



segunda-feira, 17 de março de 2014

Derrubando paredes, construindo pontes.

(Coisas sobre mim que eu não entendo)

Dizer que foi mal, não era a intenção às vezes não é o suficiente.

Magoar alguém, se arrepender, voltar a traz, buscar perdão. Esperar o tempo curar a ferida que se abriu, e que por mais que eu queira, não posso fechar.

Me parece que sou mestre na arte de “criar paredes onde deveria existir pontes”. É involuntário, prometo! É aqui que me encontro. Permaneço aqui buscando quebrar esses malditos muros. E fico muito tempo tentando reparar os danos que esses muros me causam e que atinge quem eu mais amo.

Construir pontes é sempre temível para pessoas inseguras como eu. Pensamos no que encontraremos do outro lado.

Tenha certeza de uma coisa, me preocupo muito mais com as pessoas que serão diretamente atingidas com a demolição dos muros e construção da ponte, do que comigo mesma.

Não há nesse mundo nada que me cause maior dor que ferir alguém que amo. Você pode ter certeza, que por mais que eu tome cuidado, uma hora eu vou ferir quem não deveria jamais ferir. É involuntário. É humano. É triste!

Não quero que nada atrapalhe aquilo que eu mais anseio em cuidar.

Me resta esperar pra que as pessoas entendam que eu estou tentando ser feliz e fazê-las igualmente felizes, mesmo que possa parecer o contrário. Como diria a música “Iceberg” de Duca Leindecker: “...Cada um tem seu sol, tem seu iceberg também. Tem o bom, tem o mau, tem o que não sabe que tem”

segunda-feira, 3 de março de 2014

Super-Homem e o meu eterno desejo por autocontrole: reflexão sobre a teoria de Nietzsche

Às vezes me envergonho da minha humanidade, não sei se pelo excesso ou pela escassez. Explico!

Muitas vezes me pego querendo ou fazendo aquilo que meu caráter não me permiti. Situações do tipo, não me contentar com o que tenho e sou hoje, esperando sempre que o futuro participe do meu presente, me causam desconforto.

Fico tentando me despistar. Despistar meus sentidos. Despistar meu raciocínio. Despistar minhas emoções. Não estou aqui me condenando por querer o que não tenho, ou querer o que não posso ter, estou apenas dizendo que tudo a seu tempo é melhor.

Sou fraca muitas vezes.

Sou vencida por minhas fraquezas muitas vezes.

E por muitas vezes procuro vencer minha humanidade.

A minha maior luta está em vencer o desejo de ter o que ainda não tenho. Muitas vezes me cegam pelo simples fato de ao refletirem nos meus olhos o que poderia ser ou como poderia ser, fico presa e não consigo perceber como é de fato ou pelo menos como deve ser.

Sei que existe muito em mim que precisa de reformas, mas às vezes penso que se derrubassem essa casa e fizessem de novo seria a melhor opção. E sobre essa reforma, me vem a teoria (se é que posso assim dizer) do Super Homem de Nietzsche.

Segue o trecho:

“Eu vos anuncio o super-homem. O homem existe para ser superado. O que fizestes para superá-lo? Até agora, todos os seres criaram alguma coisa superior a si mesmos. E vós, quereis ser refluxo desse grande fluxo e, em vez de superar o homem, preferis retornar ao animal? Que é o macaco para o homem? Uma zombaria ou uma dolorosa vergonha. E tal deve ser o homem para o super-homem: uma zombaria ou uma dolorosa vergonha. Percorrestes o caminho que vai do verme ao homem, e em vós resta ainda muito do verme.
Outrora fostes macaco e, mesmo agora, ainda mais macaco do que qualquer macaco é o homem. Mesmo o mais sábio dentre vós não passa de um ser em desarmonia e um ser híbrido de vegetal e espectro. Acaso eu vos disse para vos tornardes espectros ou plantas? Eis que vos anuncio o super-homem! O super-homem é o sentido da terra. Que vossa vontade diga: ‘seja o super-homem o sentido da terra'!"

Segundo Nietzsche, a sociedade é o mecanismo para a melhoria do poder e da personalidade do sujeito, não para a elevação de todos. A priori ele acreditava no surgimento de uma nova espécie de ser, porém, passou a cogitar a possibilidade do seu “Super-Homem” ser um indivíduo superior, que se elevasse acima da mediocridade e que sua existência se devesse mais ao esforço e a educação, do que pela seleção natural.

Para Nietzsche, o Super-Homem deveria ter uma educação para a melhoria da condição humana. Esta condição esta subordinada as mais intensas responsabilidades e cobranças por melhorias constantes, sem fraquezas ou condescendências, onde o corpo e a alma aprenderiam a obedecer e a vontade a submeter à disciplina.

A principal característica do Super-Homem de Nietzsche seria o amor à  luta e ao perigo, deixando a felicidade para a maioria, os meros humanos normais, pois ao Super Homem caberia o dever de elevar-se além dos limites estabelecidos pela normalidade, pois segundo Nietzsche, nada mais terrível do que a supremacia das massas.

Tudo bem, eu sei que estou filosofando demais. Mas o que quero dizer é que eu sempre me cobro mais que o necessário, pois me lembro que não quero me parecer com a maioria das pessoas: vulneráveis aos seus próprios instintos.

Quero exceder a maioria. Quero vencer minhas fraquezas. Quero colocar minhas emoções no devido lugar. Ser mais racional e menos emocional. Tão piegas, mas real.

Talvez eu nunca consiga chegar a excelência do Super-Homem (é bem provável que não), mas se eu ao menos conseguir frear minhas emoções tão inconsequentes, eu serei um ser humano mais feliz e realizado. Mas para Nietzsche a felicidade não existe, mas sim a serenidade.

O objetivo não é ser feliz. O objetivo, isso eu falo segundo Nietzsche, é alcançar um lugar em si mesmo que te possibilite chegar a um nível de serenidade e maturidade que suas escolhas se sujeitarão a você mesmo e não o contrário.

É exatamente aqui que eu me encontro. Não quero ser superior a ninguém a não ser a mim mesma. Quero autocontrole. Quero que minhas vontades se submetam a mim e me respeitem.

Não quero dominar as pessoas ou o mundo, quero apenas (como eu já disse) autocontrole!


Referência Bibliográfica

NIETZSCHE, Friedrich. Assim falava Zaratustra. Edição 2002.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O Livro Literário entre os muros da Escola


No que se refere às atividades de leitura em sala de aula, esta se dá de forma escolar, convertida em treino e posteriormente de avaliação e quase sempre culminando com a elaboração e preenchimento das tais fichas de leitura, levando a criança a entender que a leitura é uma atividade que exige treino e sem nenhum prazer.

A leitura literária é uma atividade de acesso ao conhecimento produzido, ao prazer estético e, ainda, uma atividade de acesso às especificidades da escrita. Sendo assim, à medida que a criança percebe a leitura como uma forma de libertar sua imaginação das obrigações do cotidiano, espontaneamente ela desenvolve o cognitivo além é claro, da leitura e escrita. Por isso que momentos de aconchego para a leitura se tornam tão necessários no cotidiano da sala de aula.

Segundo Cadermartori (2006) a escola é lugar de consagração do status quo, sua vocação é acentuadamente conservadora, pois incumbe-se de garantir a permanência do que está estabelecido.  A literatura proporciona para a criança a reorganização das percepções do mundo e, desse modelo, possibilita uma nova ordenação das experiências obtidas por ela. Conviver com textos literários provoca a formação de novos padrões e o desenvolvimento do senso crítico.

Não se deve apresentar a leitura literária da ótica da obrigação e reprodução, pois é a partir dela que o individuo se torna critico em sua análise geral, emancipando-se da manipulação hegemônica. A criança deve ser apresentada a literatura de forma a contemplar a arte em sua essência, pois esta por si mesma cria condições para a emancipação e autonomia do sujeito.

A importância do livro literário está no seu poder de questionar os convencionalismos de interpretação e comportamento, apresentando assim, novas perspectivas. A principal função que a literatura cumpre junto ao leitor é a apresentação de novas possibilidades existenciais, sociais, políticas e educacionais. É neste sentido que ela se constitui como um meio emancipatório, que a família e a escola, não podem fornecer (Cadermartori, 2006).

Em síntese, o texto literário não deve ser utilizado de forma escolarizada, mas seu uso (principalmente em sala de aula) deve ser de proporcionar ao sujeito/leitor as condições necessárias para se tornar autônomo diante de uma sociedade que deseja lhe impor o que julga ser correto.



Referências Bibliográficas

AZZI, Sandra. Trabalho docente: autonomia didática e construção do saber pedagógico.

CADERMARTORI, Lígia. O que é literatura infantil. São Paulo : Brasiliense, 2006.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O que os outros irão pensar?


É muito comum nos preocuparmos com as construções previamente impostas sobre nós e de nós sobre os outros. Podemos incluir pré-conceitos sobre quem somos o que escolhemos e assim nos adaptamos a ótica do outro e aceitamos o que a sociedade nos impõe.

É certo afirmar que as diferenças que existem entre homens e mulheres são uma construção social e cultural, que foram produzidas a partir de discursos e não são biológicas. Podemos estender essa afirmação em relação às diferenças étnicas e de gênero.

Á medida que vamos nos socializando e assim construindo nossa própria visão de mundo, percebemos que essa vem carregada de preconceito histórico cultural e sempre aquilo que o outro pensa e fala se torna precípuo para nós e da mesma forma de nós para o outro.

É importante compreender que o mundo em que vivemos está em constante transformação, mesmo a passos lentos, e nossa mudança interna e até mesmo externa se dá através dos conceitos que vamos construindo ao longo do tempo.

Não se pode olhar para o outro sem desconsiderar, portanto, toda carga histórico social que ele carrega e desenvolve através de seus atos. Cada um é como é por um motivo, por uma escolha e à medida que conseguimos conviver com as escolhas de cada um o mundo se torna um lugar “habitável”.

Como professora entendo que a escola deveria ser o lugar que possibilita o sujeito a identificar-se no mundo e diante de si mesmo perceber o outro e as escolhas de cada um, quem somos e o que temos em comum ou não. 

Deveria ser o lugar onde discussões sobre gênero, cultura, religião, política e demais áreas, fosse propagada de forma crítica, sem a intenção de influenciar, mas mediada para construção do conhecimento próprio e do respeito mútuo e nem sempre os estabelecimentos de ensino possibilitam o sujeito a agir criticamente diante de questionamentos advindos de sua própria natureza e de suas construções.