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sábado, 15 de fevereiro de 2014

O Livro Literário entre os muros da Escola


No que se refere às atividades de leitura em sala de aula, esta se dá de forma escolar, convertida em treino e posteriormente de avaliação e quase sempre culminando com a elaboração e preenchimento das tais fichas de leitura, levando a criança a entender que a leitura é uma atividade que exige treino e sem nenhum prazer.

A leitura literária é uma atividade de acesso ao conhecimento produzido, ao prazer estético e, ainda, uma atividade de acesso às especificidades da escrita. Sendo assim, à medida que a criança percebe a leitura como uma forma de libertar sua imaginação das obrigações do cotidiano, espontaneamente ela desenvolve o cognitivo além é claro, da leitura e escrita. Por isso que momentos de aconchego para a leitura se tornam tão necessários no cotidiano da sala de aula.

Segundo Cadermartori (2006) a escola é lugar de consagração do status quo, sua vocação é acentuadamente conservadora, pois incumbe-se de garantir a permanência do que está estabelecido.  A literatura proporciona para a criança a reorganização das percepções do mundo e, desse modelo, possibilita uma nova ordenação das experiências obtidas por ela. Conviver com textos literários provoca a formação de novos padrões e o desenvolvimento do senso crítico.

Não se deve apresentar a leitura literária da ótica da obrigação e reprodução, pois é a partir dela que o individuo se torna critico em sua análise geral, emancipando-se da manipulação hegemônica. A criança deve ser apresentada a literatura de forma a contemplar a arte em sua essência, pois esta por si mesma cria condições para a emancipação e autonomia do sujeito.

A importância do livro literário está no seu poder de questionar os convencionalismos de interpretação e comportamento, apresentando assim, novas perspectivas. A principal função que a literatura cumpre junto ao leitor é a apresentação de novas possibilidades existenciais, sociais, políticas e educacionais. É neste sentido que ela se constitui como um meio emancipatório, que a família e a escola, não podem fornecer (Cadermartori, 2006).

Em síntese, o texto literário não deve ser utilizado de forma escolarizada, mas seu uso (principalmente em sala de aula) deve ser de proporcionar ao sujeito/leitor as condições necessárias para se tornar autônomo diante de uma sociedade que deseja lhe impor o que julga ser correto.



Referências Bibliográficas

AZZI, Sandra. Trabalho docente: autonomia didática e construção do saber pedagógico.

CADERMARTORI, Lígia. O que é literatura infantil. São Paulo : Brasiliense, 2006.

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