Às
vezes me envergonho da minha humanidade, não sei se pelo excesso ou pela
escassez. Explico!
Muitas
vezes me pego querendo ou fazendo aquilo que meu caráter não me permiti.
Situações do tipo, não me contentar com o que tenho e sou hoje, esperando
sempre que o futuro participe do meu presente, me causam desconforto.
Fico
tentando me despistar. Despistar meus sentidos. Despistar meu raciocínio.
Despistar minhas emoções. Não estou aqui me condenando por querer o que não
tenho, ou querer o que não posso ter, estou apenas dizendo que tudo a seu tempo
é melhor.
Sou
fraca muitas vezes.
Sou
vencida por minhas fraquezas muitas vezes.
E
por muitas vezes procuro vencer minha humanidade.
A
minha maior luta está em vencer o desejo de ter o que ainda não tenho. Muitas
vezes me cegam pelo simples fato de ao refletirem nos meus olhos o que poderia
ser ou como poderia ser, fico presa e não consigo perceber como é de fato ou
pelo menos como deve ser.
Sei
que existe muito em mim que precisa de reformas, mas às vezes penso que se
derrubassem essa casa e fizessem de novo seria a melhor opção. E sobre essa
reforma, me vem a teoria (se é que posso assim dizer) do Super Homem de
Nietzsche.
Segue
o trecho:
“Eu
vos anuncio o super-homem. O homem existe para ser superado. O que fizestes para
superá-lo? Até agora, todos os seres criaram alguma coisa superior a si mesmos.
E vós, quereis ser refluxo desse grande fluxo e, em vez de superar o homem,
preferis retornar ao animal? Que é o macaco para o homem? Uma zombaria ou uma
dolorosa vergonha. E tal deve ser o homem para o super-homem: uma zombaria ou
uma dolorosa vergonha. Percorrestes o caminho que vai do verme ao homem, e em
vós resta ainda muito do verme.
Outrora
fostes macaco e, mesmo agora, ainda mais macaco do que qualquer macaco é o homem.
Mesmo o mais sábio dentre vós não passa de um ser em desarmonia e um ser
híbrido de vegetal e espectro. Acaso eu vos disse para vos tornardes espectros
ou plantas? Eis que vos anuncio o super-homem! O super-homem é o sentido da
terra. Que vossa vontade diga: ‘seja o super-homem o sentido da terra'!"
Segundo
Nietzsche, a sociedade é o mecanismo para a melhoria do poder e da
personalidade do sujeito, não para a elevação de todos. A priori ele acreditava
no surgimento de uma nova espécie de ser, porém, passou a cogitar a
possibilidade do seu “Super-Homem” ser um indivíduo superior, que se elevasse
acima da mediocridade e que sua existência se devesse mais ao esforço e a
educação, do que pela seleção natural.
Para
Nietzsche, o Super-Homem deveria ter uma educação para a melhoria da condição humana.
Esta condição esta subordinada as mais intensas responsabilidades e cobranças
por melhorias constantes, sem fraquezas ou condescendências, onde o corpo e a
alma aprenderiam a obedecer e a vontade a submeter à disciplina.
A
principal característica do Super-Homem de Nietzsche seria o amor à luta
e ao perigo, deixando a felicidade para a maioria, os meros humanos normais,
pois ao Super Homem caberia o dever de elevar-se além dos limites estabelecidos
pela normalidade, pois segundo Nietzsche, nada mais terrível do que a supremacia
das massas.
Tudo
bem, eu sei que estou filosofando demais. Mas o que quero dizer é que eu sempre
me cobro mais que o necessário, pois me lembro que não quero me parecer com a
maioria das pessoas: vulneráveis aos seus próprios instintos.
Quero
exceder a maioria. Quero vencer minhas fraquezas. Quero colocar minhas emoções
no devido lugar. Ser mais racional e menos emocional. Tão piegas, mas real.
Talvez
eu nunca consiga chegar a excelência do Super-Homem (é bem provável que não),
mas se eu ao menos conseguir frear minhas emoções tão inconsequentes, eu serei
um ser humano mais feliz e realizado. Mas para Nietzsche a felicidade não
existe, mas sim a serenidade.
O
objetivo não é ser feliz. O objetivo, isso eu falo segundo Nietzsche, é
alcançar um lugar em si mesmo que te possibilite chegar a um nível de
serenidade e maturidade que suas escolhas se sujeitarão a você mesmo e não o
contrário.
É
exatamente aqui que eu me encontro. Não quero ser
superior a ninguém a não ser a mim mesma. Quero autocontrole. Quero que minhas
vontades se submetam a mim e me respeitem.
Não
quero dominar as pessoas ou o mundo, quero apenas (como eu já disse) autocontrole!
Referência
Bibliográfica
NIETZSCHE,
Friedrich. Assim falava Zaratustra. Edição 2002.
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