Depois de algum tempo de luto,
devido ao rompimento entre Amora e Augusto, a bela jovem volta a sorrir. E você
deve estar se perguntando: “Como é possível? Ela não estava pedindo que a vida
se findasse em um profundo suspiro?” Eu lhe respondo que sim, a jovem Amora
pediu o fim de seus dias, mas desde o momento que ela percebeu que a vida é
muito maior que um romance improvável, passou a sorrir.
Para lhe provar que digo a
verdade, olhe quem está ali no coreto! Sim, a doce Amora e olhe que lindo
sorriso lhe adorna o rosto.
_Bom dia caro Ancião, como vai o
senhor?
_Vou bem jovem Amora e posso
perceber que você também se sente bem!
_Sim, sim. Nada como um lindo dia
para nos mostrar que viver é sempre bom!
O Ancião (assim conhecido por
onde passava) é um senhor muito gentil, que todos os dias visita a praça da
pequena cidade. Sempre muito gentil com todos e autor de longos diálogos, se
disponibilizou a conversar com a jovem Amora e assim lhe ajudar a esquecer do
longo inverno que passou.
_Como o senhor fez para superar a
dor de perder sua esposa? (Dona Helena morrera já fazia 15 anos, deixando
Ancião desolado).
_Ah, minha doce Helena! Paixão da
minha juventude, amor intenso de toda a minha vida. Sua memória jamais será
esquecida. Mas lhe responde jovem Amora. Não foi nada fácil conviver com o
vazio que sua ausência me deixou, mas todos os dias ao me levantar, olhava a
tristeza nos olhos e sorria! Ali, bem no fundo de minha alma eu sabia que ao
sorrir a tristeza partiria e enfim poderia viver aquele dia.
_Sorrir! Exclamou Amora. Tem sido
meu maior desafio nos últimos dias e tem dado certo! Doce alegria.
Amora estava percebendo enfim,
que havia mais coisas para sorrir do que se lamentar. Não que viver fosse um
paraíso paradisíaco, mas que não há sentido se apegar ao amargo.
Não estou aqui para dizer que de
repente tudo ficou bem. Não ficou! Mas Amora percebeu que a ausência de Augusto
e a porta aberta que ele deixou ao sair, deram a oportunidade para outros
sentimentos, pessoas e situações entrarem e assim colorirem sua casa, então
vazia.
De repente Amora se levanta e se
despede de Ancião.
_Preciso ir. Tenho um dia pra
viver (e sorriu tão lindamente).
Ancião se levantou, abraçou Amora
com todo afeto e lhe disse:
_Não esqueça, se não há motivos
que te alegrem, sorria. Ainda é a melhor saída.
Amora lhe agradeceu o conselho
com um sorriso e se foi. Por onde passava, Amora atraia o olhar das pessoas,
não por sua beleza (inquestionável), mas por seu sorriso, que sem perceber
estampava em seu rosto a beleza da alma.
Sobre Augusto, nem sua sombra e o
rastro do seu cheiro ficaram. Não pense que ele era ruim, mas Amora descobriu
que sua ausência era vivida mesmo estando presente.
Augusto se foi, e por aquela
porta que aberta ficou entraram cores de um novo viver, mas essa já é outra
história!
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