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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Conto #2

Depois de algum tempo de luto, devido ao rompimento entre Amora e Augusto, a bela jovem volta a sorrir. E você deve estar se perguntando: “Como é possível? Ela não estava pedindo que a vida se findasse em um profundo suspiro?” Eu lhe respondo que sim, a jovem Amora pediu o fim de seus dias, mas desde o momento que ela percebeu que a vida é muito maior que um romance improvável, passou a sorrir.
Para lhe provar que digo a verdade, olhe quem está ali no coreto! Sim, a doce Amora e olhe que lindo sorriso lhe adorna o rosto.
_Bom dia caro Ancião, como vai o senhor?
_Vou bem jovem Amora e posso perceber que você também se sente bem!
_Sim, sim. Nada como um lindo dia para nos mostrar que viver é sempre bom!
O Ancião (assim conhecido por onde passava) é um senhor muito gentil, que todos os dias visita a praça da pequena cidade. Sempre muito gentil com todos e autor de longos diálogos, se disponibilizou a conversar com a jovem Amora e assim lhe ajudar a esquecer do longo inverno que passou.
_Como o senhor fez para superar a dor de perder sua esposa? (Dona Helena morrera já fazia 15 anos, deixando Ancião desolado).
_Ah, minha doce Helena! Paixão da minha juventude, amor intenso de toda a minha vida. Sua memória jamais será esquecida. Mas lhe responde jovem Amora. Não foi nada fácil conviver com o vazio que sua ausência me deixou, mas todos os dias ao me levantar, olhava a tristeza nos olhos e sorria! Ali, bem no fundo de minha alma eu sabia que ao sorrir a tristeza partiria e enfim poderia viver aquele dia.
_Sorrir! Exclamou Amora. Tem sido meu maior desafio nos últimos dias e tem dado certo! Doce alegria.
Amora estava percebendo enfim, que havia mais coisas para sorrir do que se lamentar. Não que viver fosse um paraíso paradisíaco, mas que não há sentido se apegar ao amargo.
Não estou aqui para dizer que de repente tudo ficou bem. Não ficou! Mas Amora percebeu que a ausência de Augusto e a porta aberta que ele deixou ao sair, deram a oportunidade para outros sentimentos, pessoas e situações entrarem e assim colorirem sua casa, então vazia.
De repente Amora se levanta e se despede de Ancião.
_Preciso ir. Tenho um dia pra viver (e sorriu tão lindamente).
Ancião se levantou, abraçou Amora com todo afeto e lhe disse:
_Não esqueça, se não há motivos que te alegrem, sorria. Ainda é a melhor saída.
Amora lhe agradeceu o conselho com um sorriso e se foi. Por onde passava, Amora atraia o olhar das pessoas, não por sua beleza (inquestionável), mas por seu sorriso, que sem perceber estampava em seu rosto a beleza da alma.
Sobre Augusto, nem sua sombra e o rastro do seu cheiro ficaram. Não pense que ele era ruim, mas Amora descobriu que sua ausência era vivida mesmo estando presente.

Augusto se foi, e por aquela porta que aberta ficou entraram cores de um novo viver, mas essa já é outra história!

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