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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Escritores Da Minha Vida: Humberto Gessinger


O texto de hoje, vem direto das ondas de um gaúcho que a muito tempo tem meu respeito e admiração.

Não apenas por ser um ótimo cronista, mas muito mais por suas músicas que me conquistaram desde a primeira vez que ouvi.

Humberto Gessinger, líder, compositor, e músico multiuso dos Engenheiros do Hawaii, teve em muitos postes do Alucinações seu espaço, onde por diversas vezes pude compartilhar com vocês sua biografia em breves palavras e textos / músicas escritas e executadas por ele.

Como nesse mês estaremos abordando textos e não músicas, escolhi o texto "A força do silêncio", ou como ele mesmo escreveu: "A f(*)rça d(*) silênci(*) - 72".

Aprendi, ouvindo suas músicas e lendo seus livros que o silêncio é uma ótima saída e deve ser sempre utilizado. E como sou uma admiradora sem tamanho do silêncio, seja ele qual for, escolhi esse texto como inspiração pra vocês.

Como sempre, posso ler esse textos por diversas vezes, mas sempre vai me tocar de formas diferentes.

Então, sem mais delongas vamos ao texto... "os de fé".

(***)

A f(*)rça d(*) silênci(*) - 72

Se um gaúcho te disser "'qualquer coisa, prende o grito", pode chamá-lo se precisar de algo. É este o sentido da frase para nós. O contrário do grito preso na garganta que Chico Buarque canta em Cálice. Cale-se, só que não. Soltar o verbo. É este  o espirito de "prender o grito" para gaúchos.

(*)

Gritar, desabafar, é bom. Até certo ponto - como tudo na vida. Como sempre na vida, é difícil saber onde - raios! - fica este ponto de equilíbrio.

Gritar, desabafar, pode ter o efeito contrário: pode aumentar a pedra no caminho (ou no sapato) que gera a angústia que precisa desabafo. Tipo aqueles dias muito quentes ou frios demais em que todo mundo que encontramos reclama do calor do cão e do frio de rachar. E cada comentário só faz realimentar o desconforto da temperatura extrema.

Há situações em que talvez seja melhor engolir o grito. Com água quente e erva mate.

(*)

O silêncio de quem tem algo a dizer é igual ao de quem não tem? Como saber se, visto (ou melhor: ouvido - ou melhor ainda: não ouvido) de fora, todo silêncio é igual?

(*)

4'33" é uma peça (uma música? um happening?) do compositor vanguardista John Cage. Composta originalmente para qualquer instrumento, geralmente é interpretada ao piano. Não sei se cabe usar o termo "tocada" pois, na peça, o músico deve ficar exatos 4 minutos e 33 segundos ao instrumento sem tocar nenhuma nota.

Radicalizando a noção de que o silêncio faz parte da música, em 4'33" Cage colocou o silêncio no comando para que os ruídos, sempre existentes, sejam a música. Longe de ser um solo de nada, é um mix de tudo, de qualquer coisa....

... um achado! Dizem que ser genial é ver o óbvio antes dos outros. Se não fosse Cage, alguém, em algum momento, certamente teria esta ideia. Como toda peça "de vanguarda", "experimental" (termos sempre inexatos), ela se presta a muita especulação e picaretagem.

Frequentemente, este tipo de manifestação artística conceitual faz mais sentido em páginas de livros e trabalhos acadêmicos do que em salas de concerto, museus e no dia a dia. Mas sempre que penso no silêncio, 4'33" me vem à mente...

... será que qualquer um pode "executá-la" tão bem quanto um grande pianista? Todo silêncio é igual?


Referência Bibliográfica: 
http://blogessinger.blogspot.com.br/2012/10/a-frca-d-silenci-72.html

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