Para não perder o costume quero
voltar a falar no blog sobre Educação Musical, mas desta vez utilizando
a música integrada com outras disciplinas.
Segundo Snyders (1992, p. 135) apud Fucci-Amato (2012):
O ensino da música pode dar um
impulso exemplar à interdisciplinaridade, fazendo vibrar o belo em áreas
escolares cada vez mais extensas e que (...) para alguns alunos é a partir da
beleza da música, da alegria proporcionada pela beleza da música, tão
frequentemente presente em suas vidas de uma outra forma, que chegarão a sentir a beleza na literatura, o
misto de beleza e verdade existente na matemática, o misto de beleza e eficácia
que há nas ciências e nas técnicas.
Diante dessa afirmação,
compreendo que a utilização da música no processo de aprendizagem em outras
áreas do conhecimento se torna necessário, pois é através das artes que o
sujeito pode se encontrar por completo, corpo – alma – espírito. Este momento,
principalmente para a criança, é extremamente importante, pois desperta nela
equilíbrio na construção do próprio conhecimento.
Não estou defendendo que a música
deve ser utilizada como disciplina interdisciplinar apenas, ela é uma área do
conhecimento e como tal, deve ser tratada com o mesmo grau de importância que as demais
disciplinas julgadas importantes, são.
O que percebemos no contexto escolar é que a
música tem aparecido no discurso de alguns educadores como recurso para
alcançar as crianças, deixá-las mais tranquilas, canalizar suas energias, ou
desenvolver a criatividade e imaginação (Barradas 2008), mas a utilização da
música e consequentemente seu ensino, vai muito além.
O papel da educação musical
integrada a outras disciplinas é o de formar bons ouvintes, capazes de aprender
criticamente e apreciar profundamente o variado universo musical, e o de
propiciar um impulso cognitivo inicial (Fucci-Amato, 2012). É através dessa
vivência igualmente integral e orientada das diversas matérias e dos distintos
campos da arte e do conhecimento, que a criança se constrói enquanto ser.
Estudos apontam que alguns dos
principais elementos da música – timbre, tempo, pausa, tom – são fundamentais para
que as crianças desenvolvam habilidades de leitura, interpretação de texto e
comunicação (Kraus, 2013).
É válido lembrar que, literatura
infantil também é arte e deve ser encarada como tal. Tentar desconstruir uma
história infantil em sílabas, pronomes, adjetivos para então alfabetizar a
criança é desintegrar a arte na sua essência, que nada mais é para apreciação.
Referências Bibliográficas:
BARRADAS, F. C. A Historicidade da canção e a aplicação
pedagógica, p. 79-94, abr./jun. 2008. Akrópólis: Revista de Ciências
Humanas da Universidade Paranaense. Umuarama, 1997.
FUCCI-AMATO,
Rita. Escola e educação musical:
(Des)caminhos históricos e horizontes. Campinas, SP: Papirus, 2012. (Coleção
Papirus Educação
http://porvir.org/porpensar/ensino-de-musica-melhora-leitura-atencao-de-criancas/20131030
Acessado às 15:04 de 12/11/2013
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