Reforce | Acompanhamento Pedagógico


sexta-feira, 3 de março de 2017

Educação e Afetividade – A importância da afetividade na Educação Infantil

          
Daviane Cristine Neves Silva Nunes
                     Luana Mendes de Oliveira
                     Juliana Fernandes dos Santos
                     Ana Ataíde da Silva 


          A Educação Infantil é uma das fases do desenvolvimento humano, mais complexas no que diz respeito aos aspectos de desenvolvimento intelectual, emocional, motor e social do indivíduo. Sendo assim, é essencial oferecer todas as condições necessárias para que ela se sinta segura para desenvolver suas habilidades e competências de modo que possa aprender a pensar e refletir com autonomia. As interações emocionais devem se pautar pela qualidade a fim de ampliar o horizonte da criança e levá-la a transcender sua subjetividade e inserir-se no social. Na concepção de Wallon(1978) tanto a emoção quanto a inteligência são importantes no processo de desenvolvimento da criança, de forma que o professor deve aprender a lidar com o seu estado emotivo para melhor poder estimular seu crescimento individual.
           A afetividade exerce um importante papel no processo de desenvolvimento da aprendizagem, pois a partir do vínculo imediato que se constrói com o ambiente social, o indivíduo garante seu acesso ao universo simbólico da cultura. Ou seja, para Wallon (1941. apudLaTaille, 1992) a afetividade é parte permanente da ação, e deve ser entendida como emocional seu estado de serenidade.

          Wallon (1992) destaca que nos momentos afetivos do desenvolvimento o que está em evidência é a construção do sujeito, que acontece através da interação com o ambiente social, e é claro com os outros sujeitos.
          Quando o individuo recebe um incentivo respeitoso e é encorajado a trabalhar com autonomia, durante toda a vida tende a ter atitudes positivas, tanto sobre a aprendizagem quanto sobre si mesma buscando e encontrando modos de contornar as dificuldades e vencer os desafios.Todo individuo tem necessidade, anseio de ser reconhecido, amado, respeitado e protegido, sendo esse um estado psicológico do ser humano.
        Segundo Wallon (1968) a afetividade é um domínio funcional, onde o desenvolvimento depende dos fatores orgânico e social. O individuo recebe estímulos do seu ambiente social, onde a afetividade seria a primeira forma de interação com esse meio. Sendo assim, na educação Infantil, qualquer aprendizagem será pautada pela afetividade, cabendo aos agentes ampliá-la e fortalecê-la, transformando assim num ambiente sócio-afetivo saudável, onde o individuo terá subsídios para se tornar um ser autônomo.
          É imprescindível falar da importância da afetividade na Educação Infantil, levando sempre em consideração a qualidade de vida humana, pois a afetividade deve estar presente em todas as etapas da vida, pois é a partir dela que o individuo encontra uma fonte geradora de potência e energia e assim constrói o conhecimento racional. Por isso, a Educação Infantil é um período de grande importância na formação intelectual e emocional do indivíduo. O professor deve ter clareza de seu papel como mediador no processo de construção do conhecimento e assim, conduzir o individuo para a autonomia de ação e pensamento.


Referências bibliográficas

AMORIM, Marcia Camila Souza de;NAVARRO, Elaine Cristina. Afetividade na Educação Infantil.  Disponível em: http://revista.univar.edu.br. Acesso em: 10/09/2016. 2012, nº 7 p. 1-7.
BORBA, Valdinéa R.S.; SPAZZIANI, Maria de Lourdes. Afetividade no contexto da Educação Infantil. Disponível em: http://www.anped.org.br/sites/default/files/gt07-3476-int.pdf. Acesso em: 20/09/2016.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.
DANTAS, Heloísa. A afetividade e a construção do sujeito na psicogenética de Wallon. In: LA TAILLE, Yves de; OLIVEIRA, M. K.; DANTAS, H. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: SUMMUS, 1992.
WALLON, Henri. A evolução psicológica da infância. Tradução por: BESSA, Ana Maria.

 Lisboa, Portugal: Ed. Edições 70, 1968. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Indicação Literária: Marxismo

Boa noite queridos e um salve ae!

Hoje quero compartilhar com vocês meu livro de cabeceira e indicação literária, Marxismo, escrito por Henri Lefebvre.

Pra quem tem interesse em conhecer o Marxismo, esse livro é ótimo. Didático, compacto, porém não menos complexo.

Muito bem escrito e explicado, traz o Marxismo ao leitor de forma que este pode compreender com clareza essa linha teórica tão falada, mal interpretada e questionada.

O livro conta com 124 páginas, dividido em 5 capítulos mais introdução e conclusão.

E posso confessar que estou muito satisfeita como o autor apresenta o Marxismo. Sempre tive vontade de estudar o marxismo e tenho hoje esse livro em mãos. Tem sido ótimo!

Espero que gostem e que a leitura seja satisfatória, mesmo para aqueles que não compreendem ou simplesmente não gostam do Marxismo.

Encerro com um trecho do livro, onde Lefebvre (2013) afirma,
 
O marxismo não é somente um método e um programa de governo, nem uma solução técnica para os problemas econômicos, ainda mais um oportunismo inconstante ou a temática de declarações oratórias. Ele dá margem a uma vasta concepção do homem e da história, do indivíduo e da sociedade, da natureza e de Deus; a uma síntese geral, ao mesmo tempo teórica e prática - em ressumo, à concepção de um sistema totalitário (p.9).



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

LEFEBVRE, Henri. Marxismo. Tradução de Willam Lagos. – Porto Alegre, RS: L&PM, 2013

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Qual o Papel do Professor?

Para o primeiro texto do ano (um pouco tarde), começo com um assunto que há muito tempo vem trazendo grandes interrogações em minha cabeça.

Qual o papel do professor? Para quê ele serve afinal?

Muitos podem dizer da nobreza dessa profissão, da importância de formar a cidadania de alguém e sim, eu acho extremamente válido, mas seria somente isso?

Me formei professora há quase um ano e desde então me deparei com a mais triste e frustrante situação de abandono e descaso da sociedade em relação ao professor e a educação.

Em contra partida, percebo professores mal formados e desinteressados ministrando uma cultura popular e jornalística aos alunos. Professores que não fazem de sua sala de aula um momento de pesquisa, troca de conhecimento, desenvolvimento mútuo.

E não para por aqui, além de todo esse agravante, percebo Instituições de Ensino precárias, igualmente desinteressadas com o professor e que servem única e exclusivamente para o mercado de trabalho e o Estado.

O ensino público aparece com salas de aula lotadas de crianças, com níveis diferentes de aprendizagem, muitas crianças que precisam de um ensino diferenciado para superar suas limitações físicas, intelectuais e sociais. Um ensino preocupado com números e estatísticas e não em levar a criança e o próprio professor a subverter essa situação de descaso e marginalização da própria educação.

Segundo Nietzsche (1873), o professor deve ser ao mesmo tempo “asas” e “freios” para seus alunos, dando a eles condições para que eles se elevem, mas também deve conter seus ímpetos e arroubos da imaturidade, ou seja, o professor não é um mero reprodutor e transmissor de conhecimento, antes é um provocador de interrogações.

Confesso que acredito firmemente nas palavras de Nietzsche, e considero uma luta quase que desleal ou desleal, contra um sistema cada vez mais forte e opressor.

Nietzsche (1873) continua afirmando que a tarefa de formar exige do professor uma atenção indispensável ao indivíduo e ao seu desenvolvimento, mas o que encontramos são professores com acumulo de funções, com carga horária imensuravelmente pesada, com muitos alunos e nenhuma estrutura para ampará-los, com nenhum tempo para continuar se aperfeiçoando e uma resposta financeira insatisfatória.

Há muito que mudar.

Há muito que fazer.

Não se pode deixar a classe dos professores marginalizada e oprimida, nem tão pouco sucumbir seu tempo com burocracia desnecessária, mas dar-lhe liberdade para pensar, ler, se aperfeiçoar. Dar a ele, condições dignas de trabalho, pois assim o aluno terá um professor comprometido com o que faz.

Não estou aqui defendendo meus colegas professores em seus devaneios, existem muitos que ainda com todo agravante acima descrito, luta arduamente por se aperfeiçoar e assim dar subsídios para que o aluno recrie seu mundo, se torne maior do que jamais pensou ser.
Uma educação que não tem compromisso com uma cultura sólida corre o risco de definhar no meio do processo.

Luto por melhores condições de trabalho. Luto para que meus alunos tenham a oportunidade de se alfabetizar dignamente, assumindo assim sua posição de cidadãos em nossa sociedade. Luto para que as instituições de ensino quebrem o vínculo com a politicagem e deixe de lado a burocratização do docente.

Luto por uma educação pública de qualidade que dê ao professor o prazer e honra de ter seus próprios filhos usufruindo dela. Luto por uma remuneração digna. Luto por uma carga horário mais leve, nos dando a oportunidade do aperfeiçoamento.

Se você caro leitor não é professor, peço que considere tudo o que escrevi e que se junte a nós. Não veja o professor com quaisquer olhos, mas veja-o com total respeito. Lute pela educação.

Que possamos assim como Nietzsche afirmou lutar pela reforma na educação, com novos objetivos, novas instituições e uma revisão total das noções que atualmente orientam a promoção da cultura e ensino.

Que o professor defenda a educação com base no pensamento filosófico, com a cultura e atividades pedagógicas. Essa sim é a função do professor.


Referência Bibliográfica

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm, 1844-1900. Escritos sobre educação ; tradução, apresentação e notas de Noéli Correia de Melo Sobrinho; São Paulo, 1992.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sobre a distribuição de Livros Literários para as Escolas Públicas

PNBE – Da distribuição ao acesso garantido
A leitura literária é uma atividade de acesso ao conhecimento produzido, ao prazer estético e, ainda, uma atividade de acesso às especificidades da escrita. Sendo assim, à medida que a criança percebe a leitura como uma forma de libertar sua imaginação das obrigações do cotidiano, espontaneamente ela desenvolve o cognitivo além é claro, da leitura e escrita. Por isso que momentos de aconchego para a leitura se tornam tão necessários no cotidiano da sala de aula.

É válido ressaltar que é imprescindível que haja investimentos na formação de novos leitores e na consolidação dos leitores existentes. Sendo assim, alguns programas de incentivo a leitura e acesso aos bens culturais são vistos como estímulo.

O Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) tem como objetivo prover as escolas de ensino público das redes federal, estadual, municipal e do Distrito Federal, no âmbito da educação infantil (creches e pré-escolas), do ensino fundamental, do ensino médio e educação de jovens e adultos (EJA), com o fornecimento de obras e demais materiais de apoio à prática da educação básica.

Este programa visa distribuir às escolas por meio do PNBE; PNBE do Professor; PNBE Periódicos e PNBE Temático acervos compostos por obras de literatura, de referência, de pesquisa e de outros materiais relativos ao currículo nas áreas de conhecimento da educação básica, com vista  à democratização do acesso às fontes de informação,  ao fomento à leitura e à formação de alunos e professores leitores e ao apoio à atualização e ao desenvolvimento profissional do professor.
Todas as escolas públicas cadastradas no censo escolar realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) são atendidas pelo programa sem necessidade de adesão. O PNBE visa não apenas na distribuição de livros acessíveis a crianças e adolescentes, mas visa também distribuir livros para professores.
O PNBE do Professor tem por objetivo adquirir obras de referência para ajudar os professores da educação básica regular e da educação de jovens e adultos na preparação dos planos de ensino e na aplicação de atividades em sala de aula com os alunos.
Na edição de 2013, obras voltadas para a educação infantil foram incluídas. Deste modo, o PNBE do Professor passou a ter acervo em seis categorias: educação infantil, anos iniciais do ensino fundamental regular, anos finais do ensino fundamental regular, ensino médio regular, ensino fundamental da educação de jovens e adultos e ensino médio da educação de jovens e adultos.
PNBE Especial – Ainda em 2010, os alunos e professores foram atendidos pelo PNBE Especial. O Programa adquiriu e distribuiu obras de orientação pedagógica aos docentes do ensino regular e de atendimento educacional especializado e, ainda, obras de literatura infantil e juvenil em formato acessível aos alunos com necessidades educacionais especiais sensoriais. Nesse ano foram distribuídas 1,2 milhões de obras (82.350 acervos).
No que diz respeito ao critério utilizado para a distribuição dos livros, segue a seguinte ordem:
Acervos 1, 2 e 3 - Escolas com 1 a 30 alunos receberam um acervo, escolas com 31 a 100 alunos,  dois acervos e escolas com mais de 100 alunos, quatro acervos. Acervo 4 (EJA) - Escolas com 1 a 30 alunos e escolas com 31 a 100 alunos receberam um acervo e escolas com mais de 100 alunos, dois acervos. Cada tipo de acervo foi direcionado a um segmento ou modalidade de ensino.       
No site do Ministério da Educação segue uma lista de 2006 a 2013 de acervos distribuídos através do PNBE. O acervo de 2013, por exemplo, segue uma lista de mais ou menos 100 livros divididos para Educação Infantil, Fundamental 1, EJA, Ensino Médio.
São distribuídas também, revistas de cunho pedagógico que segundo descrição no próprio dite do Ministério da Educação “são um complemento à formação e à atualização dos docentes e demais profissionais da educação.”
A intenção com essa análise não é criticar de forma a degradar o PNBE e a forma como este atua, mas sim observar se de fato a distribuição é feita a cooperar com o acesso dos alunos e os próprios professores a terem acesso à cultura letrada.
É rotineiro perceber que muitos desses livros que chegam às escolas permanecem nas caixas e em lugares onde as crianças não têm acesso. Assim procedendo, a escola continua por perpetuar certas ações não garantindo o acesso à cultura letrada de forma completa.
  Podemos citar situações como uma biblioteca que não suporta a quantidade de livros recebidos ou se estão em lugar acessível aos alunos e até mesmo aos professores, e muitas vezes há uma procura inexpressiva por literatura e pesquisa. Temos também o agravante, o fato de muitos professores não terem o hábito de leitura, acabam por não mostrar aos alunos a necessidade de cultivar a apreciação literária.
Segundo o Ministério da Educação (2006), A leitura, como prática sociocultural, deve estar inserida em um conjunto de ações sociais e culturais e não exclusivamente escolarizadas, entendida como prática restrita ao ambiente escolar. A partir dessa afirmação percebesse que políticas como PNBE se fazem necessárias para a propagação de uma cultura letrada, mas deve ser feita de forma a agregar todos os sujeitos envolvidos no âmbito escolar.

A ação deve estar além da distribuição de livros, deve se preocupar em como os alunos e professores terão acesso a leitura literária e qual o posicionamento da instituição nessa ação.

Santos e Winkeler (2012) afirmam:

Sabe-se que a escola possui o desafio de despertar o gosto pela literatura nos educandos, pois ela é, muitas vezes, o único ambiente onde eles têm um maior contato com os livros e é por excelência um organismo de importância na formação do leitor. Porém, há uma grande resistência dos alunos à prática leitora.


Sendo assim, é necessário compreender que esta resistência dos alunos pela leitura se dá muitas vezes dentro da própria escola que utiliza da prática literária uma forma de ensinar conteúdos pragmáticos, tornando a leitura uma atividade desinteressante e muitas vezes obrigatória.


            Programas como esse se fazem eficazes a partir da conscientização dos professores em instigar no aluno o interesse por leitura, multiplicando e disseminando a metodologia da formação do gosto pela leitura para o dia-a-dia da escola, principalmente a pública, sendo o professor aquele que irá refletir seu próprio interesse pela cultura letrada, dando importância a sua história de leitor e, consequentemente, valorizando as atividades e o ensino da leitura na escola.


Referência Bibliográfica
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12368&Itemid=575 Acessado às 23:25 do dia 14/02/2014.

CASTRO, Priscila Cristina Vieira, SOUZA, Renata Junqueira, SOUSA, Ana Cláudia, SOUZA,Grazielle Campos.  Políticas Públicas de Formação de Leitores em uma Escola de Séries Iniciais de Presidente Prudente.

Ministério da Educação. Por uma cultura de Formação de Professores. 2006, p. 23 a 25. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Plano de Aula na Educação Infantil? Pra quê?

Uma breve reflexão sobre o Planejamento Escolar

O planejamento pedagógico deve ser encarado como uma etapa de extrema importância no desenvolvimento do trabalho educativo na educação infantil. É uma atitude crítica do educador diante de seu trabalho docente o que permite revisar, procurando sempre novos significados para sua prática pedagógica.

Dentro desse planejamento temos subdivisões. O planejamento cotidiano da prática, por exemplo, deve ser direcionando com o auxilio do calendário, buscando assim datas comemorativas como, por exemplo, carnaval, dia do índio, à páscoa entre outras. Nesse processo pode acontecer o desenvolvimento de atividades direcionadas, que fecham entre si.

No caso do planejamento baseado em aspectos do desenvolvimento, é necessário que aja uma preocupação em determinar objetivos a partir de atividades que estimulem as crianças em áreas específicas, consideradas importantes, como o desenvolvimento afetivo estimulando a criatividade e motivação. O desenvolvimento afetivo é muito importante, e as atividades baseadas em Artes Plásticas, Música, Dramatizações e Histórias. O professor ao planejar seu dia a dia deve deixar claro quais atividades deve propor.

Também é possível utilizar o “tema” como o gerador de atividades, ou seja, planejamento baseado em temas- integrador, gerador, centros de interesse, unidades de experiência. Nesse tipo de planejamento, o trabalho é organizado com base em temas escolhidos pelo professor, sugeridos pelas crianças ou por situações particulares significativas. Escolher o tema é o primeiro passo, depois é necessário prever atividades que poderiam ser desenvolvidas com base nesse tema delimitado.

E por fim, o planejamento baseado em conteúdos organizados por áreas de conhecimento, que são a língua portuguesa, matemática, ciências sociais e ciências naturais. Nesse planejamento a intenção é favorecer a ampliação de tais áreas, articulando-as.

O planejamento no espaço da educação infantil, precisa entrar na relação do aluno, buscando o desenvolvimento, construindo a identidade de grupo junto com as crianças. É essencialmente linguagem, formas de expressão e leitura do mundo, formulando assim, perguntas e ajudando a conviver com a dúvida.

 Lembre-se professor, o foco do seu planejamento (por incrível que pareça) não é você, é o seu aluno. Tudo deve girar em torno do aluno. 


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Escritores da Minha Vida: Friedrich Nietzsche

Boa noite J
Desde o início de agosto venho postando textos de autores que eu particularmente gosto muito.

Para fechar com chave de ouro as publicações desse mês (e sim, eu sei que hoje não é segunda-feira, mas não poderia deixar esse texto de fora), o texto de hoje é Do Amigo, escrito por Nietzsche e você pode encontrar no livro Assim falava Zaratustra, obra memorável do autor e um dos meus livros preferidos.

Queria deixar registrado esse texto, pois traduz um pouco os dias que tenho vivido.

Espero que gostem tanto quanto eu.

Ótima leitura!

P.S: Mulheres, não liguem para os adjetivos cruéis que Nietzsche usa para se referir a nós. É mal de amor!

(***)


DO AMIGO

 “Um só me assedia sempre excessivamente (assim pensa o solitário). Um sempre acaba por fazer dois!”

 “Eu e Mim estão sempre em conversações incessantes. Como se poderia suportar isto se não houvesse um amigo?

 Para o solitário o amigo é sempre o terceiro; o terceiro é a válvula que impede a conservação dos outros dois de se abismarem nas profundidades.

 Ai! Existem demasiadas profundidades para todos os solitários. Por isso aspiram a um amigo e à sua altura.

 A nossa fé nos outros revela aquilo que desejaríamos crer em nós mesmos. O nosso desejo de um amigo é o nosso delator.

 E freqüentemente, como a amizade, apenas se quer saltar por cima da inveja. E freqüentemente atacamos e criamos inimigos para

ocultar que nós mesmos somos atacáveis.

 “Sê ao menos meu inimigo!” — Assim, fala o verdadeiro respeito, o que se não atreve a solicitar a amizade.

 Se se quiser ter um amigo, é preciso também guerrear por ele; e para guerrear é mister poder ser inimigo.

 É preciso honrar no amigo o inimigo. Podes aproximar-te do teu amigo sem passar para o seu bando?

 No amigo deve ver-se o melhor inimigo. Deves ser a glória do teu amigo, entregares-te a ele tal qual és? 

Pois é por isso que te manda para o demônio!

 O que se não recata, escandaliza. “Deveis temer a mudez! Sim; se fosseis deuses, então poderíeis envergonhar-vos dos vossos vestidos”.

 Nunca te adornarás demais para o teu amigo, porque deves ser para ele uma seta e também um anelo para o Super-homem.

 Já viste dormir o teu amigo para saberes como és? Qual é, então, a cara do teu amigo? É a tua própria cara num espelho tosco e imperfeito.

 Já viste dormir o teu amigo? Não te assombrou o seu aspecto? Ó! meu amigo; o homem deve ser superado!

 O amigo deve ser mestre na adivinhação e no silêncio: não deves querer ver tudo. O teu sono deve revelar-te o que faz o teu amigo durante a vigília.

 Seja a tua compaixão uma adivinhação: é mister que, primeiro que tudo, saibas se o teu amigo quer compaixão.

 Talvez em ti lhe agradem os olhos altivos e a contemplação da eternidade.

 Oculte-se a compaixão com o amigo sob uma rude certeza.

 Serás tu para o teu amigo ar puro e soledade, pão e medicina? Há quem não possa desatar as suas próprias cadeias, e todavia seja salvador do amigo.

 És escravo? Então não podes ser amigo.

 És tirano? Então não podes ter amigos.

 Há demasiado tempo que se ocultavam na mulher um escravo e um tirano. Por isso a mulher ainda não é capaz de amizade; apenas conhece o amor.

 No amor da mulher há injustiça e cegueira para tudo quanto não ama. E mesmo o amor, reflexo da mulher, oculta sempre, a par da luz, a surpresa, o raio da noite.

 A mulher ainda não é capaz de amizade: as mulheres continuam sendo gatas e pássaros. Ou, melhor, vacas.

 A mulher ainda não é capaz de amizade. Mas dizei-me vós homens: qual de vós outros é, porventura, capaz de amizade?

 Ai, homens! que pobreza e avareza a da vossa alma! Quando vós outros dais a vossos amigos eu quero dar também aos meus inimigos sem me tornar mais pobre por isso. 

 Haja camaradagem. Haja amizade.”

 Assim falava Zaratustra.




Referência Bibliográfica:

Assim falava Zaratustra - Friedrich Nietzsche