Para
o primeiro texto do ano (um pouco tarde), começo com um assunto que há muito
tempo vem trazendo grandes interrogações em minha cabeça.
Qual
o papel do professor? Para quê ele serve afinal?
Muitos
podem dizer da nobreza dessa profissão, da importância de formar a cidadania de
alguém e sim, eu acho extremamente válido, mas seria somente isso?
Me
formei professora há quase um ano e desde então me deparei com a mais triste e
frustrante situação de abandono e descaso da sociedade em relação ao professor
e a educação.
Em
contra partida, percebo professores mal formados e desinteressados ministrando
uma cultura popular e jornalística aos alunos. Professores que não fazem de sua
sala de aula um momento de pesquisa, troca de conhecimento, desenvolvimento mútuo.
E
não para por aqui, além de todo esse agravante, percebo Instituições de Ensino precárias,
igualmente desinteressadas com o professor e que servem única e exclusivamente
para o mercado de trabalho e o Estado.
O
ensino público aparece com salas de aula lotadas de crianças, com níveis diferentes
de aprendizagem, muitas crianças que precisam de um ensino diferenciado para
superar suas limitações físicas, intelectuais e sociais. Um ensino preocupado
com números e estatísticas e não em levar a criança e o próprio professor a
subverter essa situação de descaso e marginalização da própria educação.
Segundo
Nietzsche (1873), o professor deve ser ao mesmo tempo “asas” e “freios” para
seus alunos, dando a eles condições para que eles se elevem, mas também deve
conter seus ímpetos e arroubos da imaturidade, ou seja, o professor não é um
mero reprodutor e transmissor de conhecimento, antes é um provocador de
interrogações.
Confesso
que acredito firmemente nas palavras de Nietzsche, e considero uma luta quase
que desleal ou desleal, contra um sistema cada vez mais forte e opressor.
Nietzsche
(1873) continua afirmando que a tarefa de formar exige do professor uma atenção
indispensável ao indivíduo e ao seu desenvolvimento, mas o que encontramos são
professores com acumulo de funções, com carga horária imensuravelmente pesada,
com muitos alunos e nenhuma estrutura para ampará-los, com nenhum tempo para continuar
se aperfeiçoando e uma resposta financeira insatisfatória.
Há
muito que mudar.
Há
muito que fazer.
Não
se pode deixar a classe dos professores marginalizada e oprimida, nem tão pouco
sucumbir seu tempo com burocracia desnecessária, mas dar-lhe liberdade para
pensar, ler, se aperfeiçoar. Dar a ele, condições dignas de trabalho, pois
assim o aluno terá um professor comprometido com o que faz.
Não
estou aqui defendendo meus colegas professores em seus devaneios, existem
muitos que ainda com todo agravante acima descrito, luta arduamente por se
aperfeiçoar e assim dar subsídios para que o aluno recrie seu mundo, se torne
maior do que jamais pensou ser.
Uma
educação que não tem compromisso com uma cultura sólida corre o risco de
definhar no meio do processo.
Luto
por melhores condições de trabalho. Luto para que meus alunos tenham a
oportunidade de se alfabetizar dignamente, assumindo assim sua posição de
cidadãos em nossa sociedade. Luto para que as instituições de ensino quebrem o
vínculo com a politicagem e deixe de lado a burocratização do docente.
Luto
por uma educação pública de qualidade que dê ao professor o prazer e honra de
ter seus próprios filhos usufruindo dela. Luto por uma remuneração digna. Luto
por uma carga horário mais leve, nos dando a oportunidade do aperfeiçoamento.
Se
você caro leitor não é professor, peço que considere tudo o que escrevi e que
se junte a nós. Não veja o professor com quaisquer olhos, mas veja-o com total
respeito. Lute pela educação.
Que
possamos assim como Nietzsche afirmou lutar pela reforma na educação, com novos
objetivos, novas instituições e uma revisão total das noções que atualmente orientam
a promoção da cultura e ensino.
Que
o professor defenda a educação com base no pensamento filosófico, com a cultura
e atividades pedagógicas. Essa sim é a função do professor.
Referência Bibliográfica
NIETZSCHE,
Friedrich Wilhelm, 1844-1900. Escritos
sobre educação ; tradução, apresentação e notas de Noéli Correia de Melo Sobrinho;
São Paulo, 1992.
Nenhum comentário:
Postar um comentário