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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Qual o Papel do Professor?

Para o primeiro texto do ano (um pouco tarde), começo com um assunto que há muito tempo vem trazendo grandes interrogações em minha cabeça.

Qual o papel do professor? Para quê ele serve afinal?

Muitos podem dizer da nobreza dessa profissão, da importância de formar a cidadania de alguém e sim, eu acho extremamente válido, mas seria somente isso?

Me formei professora há quase um ano e desde então me deparei com a mais triste e frustrante situação de abandono e descaso da sociedade em relação ao professor e a educação.

Em contra partida, percebo professores mal formados e desinteressados ministrando uma cultura popular e jornalística aos alunos. Professores que não fazem de sua sala de aula um momento de pesquisa, troca de conhecimento, desenvolvimento mútuo.

E não para por aqui, além de todo esse agravante, percebo Instituições de Ensino precárias, igualmente desinteressadas com o professor e que servem única e exclusivamente para o mercado de trabalho e o Estado.

O ensino público aparece com salas de aula lotadas de crianças, com níveis diferentes de aprendizagem, muitas crianças que precisam de um ensino diferenciado para superar suas limitações físicas, intelectuais e sociais. Um ensino preocupado com números e estatísticas e não em levar a criança e o próprio professor a subverter essa situação de descaso e marginalização da própria educação.

Segundo Nietzsche (1873), o professor deve ser ao mesmo tempo “asas” e “freios” para seus alunos, dando a eles condições para que eles se elevem, mas também deve conter seus ímpetos e arroubos da imaturidade, ou seja, o professor não é um mero reprodutor e transmissor de conhecimento, antes é um provocador de interrogações.

Confesso que acredito firmemente nas palavras de Nietzsche, e considero uma luta quase que desleal ou desleal, contra um sistema cada vez mais forte e opressor.

Nietzsche (1873) continua afirmando que a tarefa de formar exige do professor uma atenção indispensável ao indivíduo e ao seu desenvolvimento, mas o que encontramos são professores com acumulo de funções, com carga horária imensuravelmente pesada, com muitos alunos e nenhuma estrutura para ampará-los, com nenhum tempo para continuar se aperfeiçoando e uma resposta financeira insatisfatória.

Há muito que mudar.

Há muito que fazer.

Não se pode deixar a classe dos professores marginalizada e oprimida, nem tão pouco sucumbir seu tempo com burocracia desnecessária, mas dar-lhe liberdade para pensar, ler, se aperfeiçoar. Dar a ele, condições dignas de trabalho, pois assim o aluno terá um professor comprometido com o que faz.

Não estou aqui defendendo meus colegas professores em seus devaneios, existem muitos que ainda com todo agravante acima descrito, luta arduamente por se aperfeiçoar e assim dar subsídios para que o aluno recrie seu mundo, se torne maior do que jamais pensou ser.
Uma educação que não tem compromisso com uma cultura sólida corre o risco de definhar no meio do processo.

Luto por melhores condições de trabalho. Luto para que meus alunos tenham a oportunidade de se alfabetizar dignamente, assumindo assim sua posição de cidadãos em nossa sociedade. Luto para que as instituições de ensino quebrem o vínculo com a politicagem e deixe de lado a burocratização do docente.

Luto por uma educação pública de qualidade que dê ao professor o prazer e honra de ter seus próprios filhos usufruindo dela. Luto por uma remuneração digna. Luto por uma carga horário mais leve, nos dando a oportunidade do aperfeiçoamento.

Se você caro leitor não é professor, peço que considere tudo o que escrevi e que se junte a nós. Não veja o professor com quaisquer olhos, mas veja-o com total respeito. Lute pela educação.

Que possamos assim como Nietzsche afirmou lutar pela reforma na educação, com novos objetivos, novas instituições e uma revisão total das noções que atualmente orientam a promoção da cultura e ensino.

Que o professor defenda a educação com base no pensamento filosófico, com a cultura e atividades pedagógicas. Essa sim é a função do professor.


Referência Bibliográfica

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm, 1844-1900. Escritos sobre educação ; tradução, apresentação e notas de Noéli Correia de Melo Sobrinho; São Paulo, 1992.


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