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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O primo Basílio



Hoje temos mais uma análise da querida Karine Souza. O livro da vez é uma obra de Eça de Queiros: O primo Basílio. Espero que a participação dela no blog seja constante :)  Sem mais delongas, boa leitura!


                                     O primo Basílio
                                                                               
O primo Basílio de Eça de Queirós é um romance realista publicado em 1878,que mostra a sociedade burguesa do século XIX, através da história de Luísa, Jorge e Basílio. Luísa quando moça, namorava com seu primo Basílio, que ficando pobre vai para o Brasil e logo após rompe seu compromisso com ela. Depois de algum tempo Luísa casa-se com Jorge, inicialmente ela não o ama, mas com a convivência começa a nutrir sentimento por ele. Quando Jorge viaja para Alentejo Luísa se vê a sós com as empregadas, e é nesse período que seu primo Basílio retorna do Brasil, dessa vez rico e bem sucedido, resolve visita-la e assim começa o romance O primo Basílio. Luísa que até então não nutria mais sentimentos por Basílio começa a relembrar os momentos que viveram juntos, e vendo-o diante de si, declarando seu amor por ela, se sente envaidecida e talvez por tédio ou solidão começa a relacionar-se com ele.

O romance tem como intuito criticar a sociedade burguesa principalmente a questão do casamento e da família Lisboeta como diz o próprio autor na carta escrita á Teófilo Braga:

E você, vendo-me tomar a família como assunto, pensa que eu não devia atacar essa instituição eterna, e devia voltar o meu instrumento de experimentação social contra os produtos transitórios que se perpetuam, além do momento que o justificou, e que de forças sociais passaram a ser empecilhos públicos perfeitamente, mas eu não ataco a família – ataco a família – lisboeta – a família lisboeta produto do namoro, reunião desagradável de egoísmo que se contradiz e mais tarde ou mais cedo centro de bambochata (QUEIRÓS, 1979, p. 318).
Nesse caso percebemos que o autor mostra, uma sociedade individualista, egoísta bem característica da sociedade do século XIX.O primo Basílio apresenta sobre tudo um quadro doméstico familiar da burguesia de Lisboa, através da personagem de Luísa cujo sentimentalismo, a vida ociosa, torna-a uma personagem frágil e suscetível a sedução de seu primo. Segundo Machado de Assis Luísa tem um caráter negativo,ou seja uma pessoa sem moral, sem paixões e sem consciência, pois não é o sentimento de amor que á leva ao adultério e sim a vaidade, sendo assim não acha a saciedade das grandes paixões e nesse caso a ligação de algumas semanas não passa de um incidente erótico, sem importância alguma. Um episódio irônico (ironia, uma das características do realismo) que aparece na obra é quando Luísa decide fugir e carrega consigo um retrato do marido. Nesse momento ela mostra que sente algo pelo marido, mas tal sentimento não é forte o bastante para faze-la desistir de partir.
Para mostrar o outro lado da sociedade Lisboeta, temos a personagem de Juliana, que segundo Machado é o caráter mais completo e verdadeiro da obra, pois mostra a história de uma empregada que cansada de servir e com a esperança de crescer na vida e possuir alguma riqueza, encontra uma maneira de apoderar-se das cartas que Luísa trocava com Basílio para assim alcançar seus objetivos. Nesse momento Juliana começa a chantagear a patroa, que com medo de ser descoberta decide obedecer as exigências feitas pela empregada. A personagem de Juliana serve para mostrar a busca pela ascensão social, e o desgosto pela falta de reconhecimento, como aparece no texto:
Servia havia vinte anos, como ela dizia, mudava de amos, mas não mudava de sorte .Vinte anos a dormir em cacifros, a levantar-se de madrugada, a comer os restos, a vestir os trapos velhos, a sofrer os repelões das criançase as más palavras das senhoras...(QUEIRÓS, 1979 p. 52).
Nesse trecho aparece o desgosto de juliana, pela vida que levará, e começamos a entender a inveja que sente de Luísa, cuja a vida que levava era cheia de luxos, exemplificando assim as diferenças e preconceitos sociais do século XIX. Já o personagem de Jorge serve para caracterizar a “ética” e a      “moral” do século XIX, marido dedicado, rico, engenheiro de minas, prático e simples, que acaba contrastando com o personagem de Basílio, que é um homem mundano, conquistador, preocupava-se muito com a aparência e representa o lado decadente de uma sociedade superficial. Percebemos de fato que Basílio nunca amou Luísa verdadeiramente, nutria por ela apenas desejo, pois ao sentir-se acuado ele simplesmente foge, comprovando sua total indiferença por Luísa.
Algumas críticas que Machado faz a obra de Eça são válidas, como por exemplo, ele crítica o detalhismo, pois ele leva um capitulo inteiro para descrever um lugar, ou seja, não há necessidade disso. Já com relação as críticas feitas em torno do enredo creio que algumas são desnecessárias, pois se formos analisar se Juliana não tivesse descoberto o caso dos primos a história terminaria, teríamos que analisar todos os romances, pois tais fatos que desencadeia as histórias e enriquecem o enredo.

Karine Souza, estudante de Letras pela Universidade Estadual de Goiás



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Antologia Poética de Vinicius de Moraes


Apaixonada por poesia e música, desde muito cedo passei a apreciar as letras e rimas e me aprofundar na alma de quem as fez. E um dos meus escritores (poeta) e músicos favorito, sem dúvida é o saudoso Vinicius de Moraes.

Nascido no Rio de Janeiro, Vinicius, também conhecido como Poetinha, apelido dado por Tom Jobim, é um dos grandes nomes da poesia em nosso país e que procurou no amor a essência da vida.

Em uma de suas obras intitulada Antologia Poética (1954), Vinicius reuniu poesias memoráveis que sem dúvida nenhuma, mostram a alma desse eterno boêmio e apaixonado homem. Ao ler esse livro, me deparei com a poesia mais linda que já pude ler em minha vida (e falo sem exagero, pois realmente me emocionei), que se chama Cântico.

Deixo vocês com o lirismo e a paixão desse, que é um dos homens mais profundos que já existiu. Deliciem-se!

(***)

Cântico

Não, tu não és um sonho, és a existência
Tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu. Tu és a estrela
Sem nome, és a morada, és a cantiga
Do amor, és luz, és lírio, namorada!
Tu és todo o esplendor, o último claustro
Da elegia sem fim, anjo! mendiga
Do triste verso meu. Ah, fosses nunca
Minha, fosses a idéia, o sentimento
Em mim, fosses a aurora, o céu da aurora
Ausente, amiga, eu não te perderia!
Amada! onde te deixas, onde vagas
Entre as vagas flores? e por que dormes
Entre os vagos rumores do mar? Tu
Primeira, última, trágica, esquecida
De mim! És linda, és alta! és sorridente
És como o verde do trigal maduro
Teus olhos têm a cor do firmamento
Céu castanho da tarde – são teus olhos!
Teu passo arrasta a doce poesia
Do amor! prende o poema em forma e cor
No espaço; para o astro do poente
És o levante, és o Sol! eu sou o gira
O gira, o girassol. És a soberba
Também, a jovem rosa purpurina
És rápida também, como a andorinha!
Doçura! lisa e murmurante... a água
Que corre no chão morno da montanha
És tu; tens muitas emoções; o pássaro
Do trópico inventou teu meigo nome
Duas vezes, de súbito encantado!
Dona do meu amor! sede constante
Do meu corpo de homem! melodia
Da minha poesia extraordinária!
Por que me arrastas? Por que me fascinas?
Por que me ensinas a morrer? teu sonho
Me leva o verso à sombra e à claridade.
Sou teu irmão, és minha irmã; padeço
De ti, sou teu cantor humilde e terno
Teu silêncio, teu trêmulo sossego
Triste, onde se arrastam nostalgias
Melancólicas, ah, tão melancólicas...
Amiga, entra de súbito, pergunta
Por mim, se eu continuo a amar-te; ri
Esse riso que é tosse de ternura

Carrega-me em teu seio, louca! sinto
A infância em teu amor! cresçamos juntos
Como se fora agora, e sempre; demos
Nomes graves às coisas impossíveis
Recriemos a mágica do sonho
Lânguida! ah, que o destino nada pode
Contra esse teu langor; és o penúltimo
Lirismo! encosta a tua face fresca
Sobre o meu peito nu, ouves? é cedo
Quanto mais tarde for, mais cedo! a calma
É o último suspiro da poesia
O mar é nosso, a rosa tem seu nome
E recende mais pura ao seu chamado.
Julieta! Carlota! Beatriz!
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
Que se não brinco, choro, e desse pranto
Desse pranto sem dor, que é o único amigo
Das horas más em que não estás comigo.









Mais informações sobre a carreira e vida de Vinicius de Moraes no site http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/

sábado, 19 de janeiro de 2013

Literatura: Dom Casmurro

Hoje falaremos de literatura. Sim! Livros têm sido uma inspiração para mim. Mas antes, quero apresentar a pessoa que fez a análise, uma pessoa que faz parte das amizades mais recentes que fiz na universidade. Seu nome é Karine Souza, estudante de Letras pela Universidade Estadual de Goiás. Ela fez a análise do romance Dom Casmurro de Machado de Assis. Fiquem com essa linda história e boa leitura :)

(***)

Dom Casmurro é um romance escrito por Machado de Assis em 1899, que é narrado em primeira pessoa por Bento Santiago um advogado bem sucedido que aos 54 anos começa a contar a história da sua vida. Bento que sempre foi calado e muito fechado acabou ganhando o apelido de Dom casmurro, Dom é uma ironia que remete a nobreza e Casmurro porque o povo achava-o um homem calado e metido consigo mesmo.

Bentinho como era conhecido na infância era vizinho de Capitu, quando criança eram amigos, mas ao passar do tempo a amizade se tornou algo mais intenso, uma paixão sentida por ambos. Mas sua mãe Dona Glória havia feito uma promessa, que seu filho seria padre , o menino que até então fazia tudo que a mãe mandava, disse que até cocheiro seria menos padre, pois mesmo sendo uma carreira bonita não tinha vocação. Entretanto mesmo contra sua vontade Bento acabou indo para o seminário, deixando Capitu a sua espera. O tempo foi passando e Bentinho tentava de todas as formas largar o seminário, mas todas as suas tentativas foram em vão. No seminário Bentinho conhece Escobar um homem bonito, atraente e se tornam ótimos amigos. Escobar encontrou então uma maneira de Bento não ter que virar padre, pois sua mãe prometeu o filho padre não necessariamente ele, então Dona glória adotou um menino e o educou para o seminário. Bento livre do seminário casa-se com Capitu e Escobar casa-se com Sancha Gurgel com quem tem uma filha que se chama Capitu e quando Bento e Capitu conseguem ter um filho, colocam o nome de Euzebio  em homenagem a Escobar. Mas logo Bento começa a notar a semelhança entre seu filho e Escobar o que o leva a pensar que Capitu tinha o traído, entretanto esse fato nunca foi confirmado, mas mesmo assim ele se separa de Capitu deixando-a com o filho na Suíça e volta para o Brasil.

No romance Dom Casmurro a narrativa exerce a função de uma pseudo-autobiografia do protagonista Bento Santiago. Dessa forma as informações são transmitidas através das memórias de Bento e da suposta verdade dos fatos. Como a narrativa ocorre pelo próprio protagonista, não pode ser considerada uma narrativa fiel, pois nesse caso podemos dizer que Bentinho possui uma memória seletiva(ou conveniente), pois só “lembra”  o que lhe convém para que possa provar pra si mesmo a culpa de Capitu.

Esse romance significou por mais de 60 anos um caso de adultério feminino do realismo, entretanto em 1960, a professora americana Helen Cadwel propôs a sua releitura, apontando Bentinho, e não Capitu, como o problema central a ser desvendado, pois o romance é narrado por ele, e se fosse ao contrário, ou seja narrado por Capitu, será que a história continuaria a mesma? Por isso existe a não confiabilidade da narrativa já que o narrador está envolvido, por sua personalidade cruel, ciumenta e invejosa, pois ele machuca as pessoas que ama por uma desconfiança que é no mínimo discutível se prestarmos atenção nos fatos.

Capitu sempre teve personalidade forte, sempre soube o que queria da sua vida, sabia como manipular as pessoas, inclusive Bentinho já que sempre foi um homem muito influenciável, tanto por Capitu como por sua mãe Dona Glória que mesmo indiretamente contribuí para que ele desconfie de Capitu. Sua personalidade fraca, sua insegurança leva-o ao ciúme doentio. Segundo Bosi do Romantismo ao Realismo, houve uma passagem do vago ao típico, do idealizante ao factual, pois Capitu que até então era idealizada por Bento passa a ser a mulher leviana do romance. Entretanto essa visão esfumaçada do adultério é proposital sendo que o leitor só possui provas subjetivas dessa traição. Entretanto Bento não quer apenas convencer o leitor sobre a culpa de Capitu ele quer convencer a si mesmo, para amenizar o remorso que sente pelas suas atitudes.

Enfim Dom casmurro é uma obra do realismo que é marcado por uma forte oposição a idealização romântica, na qual as personagens se apresentam com mais defeitos que qualidades, destacando o adultério, o materialismo, a ambição desmedida, ou seja, as características da segunda metade do século XIX. Através dessa narrativa Machado de Assis conseguiu ultrapassar a estética realista, pois os recursos usados não eram comuns dos escritores de sua época, tornando-o assim um escritor inovador da sua época.









Referência Bibliográfica 

 BOSI.Alfredo.História Concisa da literatura brasileira (Da Universidade
de S. Paulo) EDITORA CULTRIX. 2 ' edição. 5 impressão.

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/d/dom_casmurro/.