Hoje falaremos de literatura. Sim! Livros têm sido uma inspiração para mim. Mas antes, quero apresentar a pessoa que fez a análise, uma pessoa que faz parte das amizades mais recentes que fiz na universidade. Seu nome é Karine Souza, estudante de Letras pela Universidade Estadual de Goiás. Ela fez a análise do romance Dom Casmurro de Machado de Assis. Fiquem com essa linda história e boa leitura :)
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Dom Casmurro é um romance escrito por Machado
de Assis em 1899, que é narrado em primeira pessoa por Bento Santiago um
advogado bem sucedido que aos 54 anos começa a contar a história da sua vida. Bento que sempre foi calado e muito
fechado acabou ganhando o apelido de Dom casmurro, Dom é uma ironia que remete
a nobreza e Casmurro porque o povo achava-o um homem calado e metido consigo
mesmo.
Bentinho como era conhecido na infância era
vizinho de Capitu, quando criança eram amigos, mas ao passar do tempo a amizade
se tornou algo mais intenso, uma paixão sentida por ambos. Mas sua mãe Dona Glória
havia feito uma promessa, que seu filho seria padre , o menino que até então
fazia tudo que a mãe mandava, disse que até cocheiro seria menos padre, pois
mesmo sendo uma carreira bonita não tinha vocação. Entretanto mesmo contra sua
vontade Bento acabou indo para o seminário, deixando Capitu a sua espera. O
tempo foi passando e Bentinho tentava de todas as formas largar o seminário,
mas todas as suas tentativas foram em vão. No seminário Bentinho conhece
Escobar um homem bonito, atraente e se tornam ótimos amigos. Escobar encontrou
então uma maneira de Bento não ter que virar padre, pois sua mãe prometeu o
filho padre não necessariamente ele, então Dona glória adotou um menino e o
educou para o seminário. Bento livre do seminário casa-se com Capitu e Escobar
casa-se com Sancha Gurgel com quem tem uma filha que se chama Capitu e quando
Bento e Capitu conseguem ter um filho, colocam o nome de Euzebio em homenagem a Escobar. Mas logo Bento começa
a notar a semelhança entre seu filho e Escobar o que o leva a pensar que Capitu
tinha o traído, entretanto esse fato nunca foi confirmado, mas mesmo assim ele
se separa de Capitu deixando-a com o filho na Suíça e volta para o Brasil.
No romance Dom Casmurro a narrativa exerce a
função de uma pseudo-autobiografia do protagonista Bento Santiago. Dessa forma as
informações são transmitidas através das memórias de Bento e da suposta verdade
dos fatos. Como a narrativa ocorre pelo próprio protagonista, não pode ser
considerada uma narrativa fiel, pois nesse caso podemos dizer que Bentinho
possui uma memória seletiva(ou conveniente), pois só “lembra” o que lhe convém para que possa provar pra si
mesmo a culpa de Capitu.
Esse romance
significou por mais de 60 anos um caso de adultério feminino do realismo,
entretanto em 1960, a professora americana Helen Cadwel propôs a sua releitura,
apontando Bentinho, e não Capitu, como o problema central a ser desvendado,
pois o romance é narrado por ele, e se fosse ao contrário, ou seja narrado por
Capitu, será que a história continuaria a mesma? Por isso existe a não
confiabilidade da narrativa já que o narrador está envolvido, por sua
personalidade cruel, ciumenta e invejosa, pois ele machuca as pessoas que ama
por uma desconfiança que é no mínimo discutível se prestarmos atenção nos
fatos.
Capitu sempre teve
personalidade forte, sempre soube o que queria da sua vida, sabia como
manipular as pessoas, inclusive Bentinho já que sempre foi um homem muito
influenciável, tanto por Capitu como por sua mãe Dona Glória que mesmo
indiretamente contribuí para que ele desconfie de Capitu. Sua personalidade
fraca, sua insegurança leva-o ao ciúme doentio. Segundo Bosi do Romantismo ao
Realismo, houve uma passagem do vago ao típico, do idealizante ao factual, pois
Capitu que até então era idealizada por Bento passa a ser a mulher leviana do
romance. Entretanto essa visão esfumaçada do adultério é proposital sendo que o
leitor só possui provas subjetivas dessa traição. Entretanto Bento não quer
apenas convencer o leitor sobre a culpa de Capitu ele quer convencer a si
mesmo, para amenizar o remorso que sente pelas suas atitudes.
Enfim Dom casmurro é uma
obra do realismo que é marcado por uma forte oposição a idealização romântica,
na qual as personagens se apresentam com mais defeitos que qualidades,
destacando o adultério, o materialismo, a ambição desmedida, ou seja, as
características da segunda metade do século XIX. Através dessa narrativa
Machado de Assis conseguiu ultrapassar a estética realista, pois os recursos
usados não eram comuns dos escritores de sua época, tornando-o assim um
escritor inovador da sua época.
Referência Bibliográfica
BOSI.Alfredo.História
Concisa da literatura brasileira (Da Universidade
de S. Paulo)
EDITORA CULTRIX. 2 ' edição. 5 impressão.
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/d/dom_casmurro/.

Uma das interpretacões mais objetivas que eu jà li sobre Dom Casmurro! Ajudarà muito, prirncipalmente os vestibulandos que acharem essa pàgina, pressigamos à divulgacão!
ResponderExcluirCaro Luiz Magno, fico feliz em poder divulgar esse texto no blog e ainda mais por ter sido de grande valia para você :) Graças a querida Karine! Obrigada!
ExcluirExcelente análise. Parabéns!
ResponderExcluirCaro Diego, realmente a análise que a Karine fez ficou excelente. Que bom que gostou :)
ExcluirKarine está de Parabéns com essa maravilhosa análise!! Gostei muito de ler....
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