Reforce | Acompanhamento Pedagógico


domingo, 19 de janeiro de 2014

E o trabalho pedagógico, como vai?

 (Apenas uma pincelada no assunto e desabafo pessoal)

O trabalho é visto como uma característica essencialmente humana, ou seja, é através do trabalho que o homem se realiza e modifica a natureza. O objetivo do trabalho é a própria matéria pelo qual se dá o trabalho. Sendo assim, o trabalho pedagógico, dentro de uma visão capitalista, acontece da seguinte forma: a aula se torna a mercadoria e o aluno o objeto de trabalho. Nessa visão podemos analisar as diferenças que existem na educação privada e na educação pública.

A educação privada dá subsídios para o capital. A lucratividade está sempre em destaque, e o que realmente importa é o lucro financeiro que os alunos oferecem à escola, sendo que a educação pública é considerada improdutiva, pois é o próprio estado, através dos impostos que financia o processo educacional. Não quero com essa afirmação dizer que a educação privada não é importante no processo educacional, em absoluto, faço apenas uma leitura sobre o que “geralmente” ocorre.

No trabalho pedagógico o professor pensa e executa o seu próprio trabalho, assim a produção e o consumo acontecem simultaneamente. Lembrando que o trabalho pedagógico não é tangível, ou seja, ele não é concreto e se modifica a cada momento. Além disso, não é material, pois se fosse, tornaria mercadoria.


É pela natureza do trabalho que o professor avança, atingindo assim, um nível de consciência e de prática política que se relacionam com os interesses de quem utiliza o seu trabalho. 


P.S: Algo me incomoda profundamente dentro e fora das escolas, quando o assunto é o profissional da Educação Básica, é o fato deste profissional ser chamado de "tio" ou "tia". Considero um desrespeito sem igual. Desrespeito com o professor e com a educação. Ainda mais triste, é quando o profissional se sujeita a esse tratamento. (Pronto, desabafei!) 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Política Cultural e o Currículo do Professor



Para que um currículo de formação de professores seja uma forma de política cultural, é preciso que o social, o cultural, o político e o econômico sejam os norteadores de análise e avaliação da escolarização contemporânea.

A educação tem por prioridade criar condições para fortalecer o poder individual e a  autoformação dos alunos, para que esses se tornem sujeitos políticos, não apenas forjando uma linguagem da crítica, capaz de apontar e investigar os interesses e ideologias da sociedade dominante, mas também unir a linguagem da crítica a uma linguagem da possibilidade, que desenvolva práticas alternativas de ensino que acabem com a dominação das escolas, dentro e fora delas.

Nesse sentido, a formação do professor precisa considerar um projeto político, como uma forma de política cultural, onde os futuros docentes são intelectuais responsáveis pela criação de espaços públicos onde os alunos possam se preparar em conhecimento para lutar por um mundo mais justo e humano, um obstáculo político onde os educadores radicais precisam entender que a superação é o primeiro passo a ser tomado.

Torna-se necessário reconhecer que as escolas são instituições históricas e culturais que sempre incorporam os interesses ideológicos e políticos da classe dominante ao mesmo tempo em que não exercem formas de regulação política e moral diretamente relacionadas ao poder, onde a linguagem interage com o poder, funcionando como veículo, onde por meio do qual, professor e aluno definem, mediatizam e compreendem a relação que estabelecem uns com os outros e com a sociedade.

É preciso defender a construção de uma pedagogia de política cultural em torno de uma linguagem criticamente afirmativa onde os futuros docentes podem compreender a necessidade de perceberem o discurso como uma forma de produção cultural, que organiza e legítima modos específicos de nomear, organizar e experienciar a realidade social.


Referencias Bibliográfica


GIROUX, Henry A. e MCLAREN, Peter. Formação do Professor como uma Contra-esfera pública: A Pedagogia radical como uma forma de política cultural. In: MOREIRA, Antônio Flávio e SILVA, Tomaz Tadeu (orgs.). Currículo, Cultura e Sociedade. 11ª Ed. São Paulo: Cortez, 2009, 125-154 p.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Aos leitores!

Boa tarde =)

Semana passada postei via facebook e twitter que as fotos do blog foram apagadas (não sei como) e que aos poucos iria repondo uma a uma. Por causa das festividades de fim de ano ainda não pude repor todas, mas as principais postagens já estão devidamente editadas. Espero que me desculpem pelo transtorno!

No mais quero desejar a todos os leitores um Feliz Natal! Muita paz para todos e muitos livros também!
Beijos e muito obrigada por me acompanharem nas minhas Alucinações! Vocês são ótimos!

De coração, obrigada!

Imagem retirada do blog "Minas de mim"

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Livro Literário: escolarização (versus) contemplação


 No que se refere às atividades de leitura em sala de aula, esta se dá de forma escolar, convertida em treino e posteriormente de avaliação e quase sempre culminando com a elaboração e preenchimento das tais fichas de leitura, levando a criança a entender que a leitura é uma atividade que exige treino e sem nenhum prazer.

Segundo Azzi a leitura literária é uma atividade de acesso ao conhecimento produzido, ao prazer estético e, ainda, uma atividade de acesso às especificidades da escrita. Sendo assim, à medida que a criança percebe a leitura como uma forma de libertar sua imaginação das obrigações do cotidiano, espontaneamente ela desenvolve o cognitivo além é claro, da leitura e escrita. Por isso que momentos de aconchego para a leitura se tornam tão necessários no cotidiano da sala de aula.

Segundo Cadermartori (2006) a escola é lugar de consagração do status quo, sua vocação é acentuadamente conservadora, pois incumbe-se de garantir a permanência do que está estabelecido.  A literatura proporciona para a criança a reorganização das percepções do mundo e, desse modelo, possibilita uma nova ordenação das experiências obtidas por ela. Conviver com textos literários provoca a formação de novos padrões e o desenvolvimento do senso crítico.

Não se deve apresentar a leitura literária da ótica da obrigação e reprodução, pois é a partir dela que o individuo se torna critico em sua análise geral, emancipando-se da manipulação hegemônica. A criança deve ser apresentada a literatura de forma a contemplar a arte em sua essência, pois esta por si mesma cria condições para a emancipação e autonomia do sujeito.

A importância do livro literário está no seu poder de questionar os convencionalismos de interpretação e comportamento, apresentando assim, novas perspectivas. A principal função que a literatura cumpre junto ao leitor é a apresentação de novas possibilidades existenciais, sociais, políticas e educacionais. É neste sentido que ela se constitui como um meio emancipatório, que a família e a escola, não podem fornecer (Cadermartori, 2006).

Em síntese, o texto literário não deve ser utilizado de forma escolarizada, mas seu uso (principalmente em sala de aula) deve ser de proporcionar ao sujeito/leitor as condições necessárias para se tornar autônomo diante de uma sociedade que deseja lhe impor o que julga ser correto.






Referências Bibliográficas

AZZI, Sandra. Trabalho docente: autonomia didática e construção do saber pedagógico.

CADERMARTORI, Lígia. O que é literatura infantil. São Paulo : Brasiliense, 2006.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Deixar o barco ir: nova geração da MPB

Bom Dia!
O post de hoje vem com som, poesia, profundidade e leveza. Já tem certo tempo que tenho a intenção de falar sobre as músicas do Dani Black, mas nunca consigo. Finalmente hoje é o dia! Então vamos lá!


Sobre Dani Black:
Dani Black (24) é filho dos músicos Tetê Espíndola e Arnando Black. Cantor e compositor, foi apresentado ao grande público por Maria Gadú, que gravou algumas de suas músicas e ainda o convidou para participar do DVD Multishow.
Dani Black é uma das vozes mais novas da MBP e é considerado como o integrante e propagador da nova geração da música popular brasileira, com direito a reportagem em revistas de grande circulação no Brasil e pose para fotos com o grande Milton Nascimento.



Sobre as músicas:
Eu sou muito exigente com música. Não sou eclética e não escuto qualquer coisa que é denominado “música”. Não me sinto atraída por nome de ninguém, para mim o que sempre vem primeiro é a qualidade musical e poética.
Conheci Dani Black através de um amigo que postou em sua linha do tempo a música “Pega de jeito” do cantor. Me apaixonei logo de cara. Mas fiquei algum tempo sem ouvir essa música e acabei me esquecendo. Foi quando assisti pela milésima vez o DVD da Gadú e percebi que era o mesmo rapaz daquele vídeo postado por meu amigo.
Pronto! Foi o suficiente para que eu procurasse todas as músicas que ele tinha circulando na net. Músicas com letras profundas e muito bem trabalhadas, verdadeiras poesias cantadas. Como ele mesmo diz “o importante para mim é a letra da música, é ela que tem o poder de tocar o coração das pessoas. A música (melodia) é apenas música e sozinha não pode fazer nada”
Recentemente Dani Black esteve em Goiânia no Centro Cultural da UFG e é claro que fui. E tudo aquilo que eu pensava sobre suas músicas foi confirmado pela linda apresentação do cantor.
Essa apresentação durou 1h 25min, mas para mim foi tempo suficiente para viajar nos meus sonhos, chorar, sorrir e alimentar minha alma com tanta grandeza e poesia. Foi único. O melhor que já fui até hoje.
Tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Além de ter uma alma extremamente sensível (o que me fascina) é uma pessoa muito acessível ao público.
Foto tirada após a apresentação de Dani Black no Centro Cultural da UFG


Escolhi uma das músicas dele que mais me toca. Amo a letra desta música e a forma descontraída como ele a canta.
 Essa música é uma das minhas preferidas! Espero que gostem da indicação!

(***)

Deixar o barco ir
Coisas que eu nem sei que são me dizem que é a hora
Coisas que eu nem sei se estão no vazio ou na memória
É, a vida anda a mil, eu sei
Quanta escolha fica fora, sem vez
Não, não quero nem falar, não
Só de lua e solidão
Lanço na maré o coração
Que de amor e de dor nos ensina
Quero ter a certeza
Como todos querem ter de que o que está por trás
É bem mais que água e pão
Bem mais que o sim e que o não
Que vale a pena estar aqui agora, tudo tem a sua hora
De achar o que procura

Pra que se desesperar? O coração verá...
Viver é navegar, é só deixar fluir
Pra que se desesperar? O coração será...
É só botar pra correr, deixar o barco ir
Pra que se desesperar? O coração verá...
Viver é navegar, é só deixar fluir
Pra que se desesperar? O coração será...
É só sorrir, cantar, olhar pra frente e agir
Deixar o barco ir



sábado, 30 de novembro de 2013

Educação e Cultura na ótica de Nietzsche

Baseado no livro: Escritos sobre Educação

Não é novidade para ninguém (pelo menos aos que me conhecem) o quanto admiro os escritos de Nietzsche. Percorrendo as apostilas que tenho do meu primeiro ano de graduação encontrei fragmentos do livro Escritos sobre Educação, escrito por ele e algumas anotações que fiz sobre a cultura e educação na visão de Nietzsche. Resolvi então juntar essas pequenas anotações e formar um texto (simples), mas que considero de grande valia para nossa reflexão. Tudo o que Nietzsche escreveu considero muito complexo e ainda desejo me aprofundar em sua teoria e bibliografias.

(***)

Segundo Nietzsche (1873) a cultura moderna constitui-se como negação da verdadeira cultura¹, em primeiro lugar por instituir-se um tempo acelerado e agitado, oposto a qualquer forma de tranquilidade. Não existe cultura sem um projeto educativo, nem educação sem uma cultura que o apóie. Educação e cultura são inseparáveis. Não há como falar dos meios e métodos educacionais, sem provar que sua cultura já é um presente e que se estenderá como influência sobre a escola e as instituições educacionais. Pelo fato de apoiar-se na natureza, a cultura prevalecerá e os métodos educacionais modernos estão fundamentados no caráter do não-natural, o que é uma fraqueza do nosso tempo.

Existem duas correntes ligadas nos seus resultados, fundamentadas a princípio em bases totalmente diferentes: a tendência de estender tanto quanto possível a cultura, levando a cultura cada vez mais longe; e a tendência de reduzi-la e enfraquecê-la, exigindo dela que abandone sua pretensão por soberania, submetendo-se a condição de serva a outra forma de vida, sendo “fiéis às pequenas coisas”. Essas duas tendências – à extensão e à redução – são tão contrárias aos desígnios da natureza, quanto à concentração da cultura em um pequeno número, é uma lei necessária da natureza.

O que Nietzsche censura ao afirmar que “A cultura não é serva do ganha pão e da necessidade”  é o fato de o gymnasium (as modalidades do ensino secundário) e a universidade terem se voltado para a profissionalizar e, apesar disso, continuarem a acreditar que são lugares destinados à cultura, quando na verdade não s distinguem muito da escola técnica em seus objetivos.

Para ele, o esquema do ensino foi tão bem montado pelo Estado que não permite ao professor sofrer com a falta do que dizer, pois nem o professor nem o aluno, pensam por si mesmos. Precisa-se de uma cultura para a vida, e para isso, são imprescindíveis instituições de ensino que são voltadas para a cultura. Instituições criadas para educar o corpo e o espírito do indivíduo, o tornando capaz de abrigar e proteger o intelecto.
___________________________________________________ 
Verdadeira cultura¹  é aquela que permite ao homem aceder ao seu próprio ser e ao ser da natureza e construir assim uma vida em que a felicidade seja possível. Esse tipo de cultura só pode ser alcançado "por muita aplicação, autodomínio, restrição a poucas coisas, por muita repetição, tenaz e fiel, do mesmo trabalho, das mesmas renúncias






Referência Bibliográfica
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm, 1844-1900. Escritos sobre Educação. Tradução, apresentação e notas de Noéli Correia de Melo Sobrinho. Rio de Janeiro : Ed PUC-Rio ; São Paulo : Loyola, 2003. 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Do alto da sabedoria: livros que li em 2013


Este ano eu investi pesado em leitura. Nunca li tanto quanto nesse ano e me sinto muito realizada por isso, pois não apenas a oralidade foi agraciada por essa atitude, mas principalmente a escrita e o blog é um bom exemplo disso. Olhando os primeiros textos escritos por mim até o último percebo visivelmente um aperfeiçoamento que pude levar até mesmo para a universidade e para o trabalho.

Sendo assim, o post de hoje será sobre os livros que li. Espero que gostem das indicações. Cada livro é único e foram imprescindíveis na minha formação pessoal e profissional. Entre eles: filosóficos, pedagógicos, literatura estrangeira e nacional, religiosos.


(***)

Anticristo – Friedrich Nietzsche
Assim falava Zaratustra – Friedrich Nietzsche
V de Vingança – David Lloyd
O médico e o monstro – Robert Louis Stevenson
Gen Pés descalços (Do vol 1 ao 5)-  Keiji Nakazawa
Nas entrelinhas do horizonte – Humberto Gessinger
O professor e o combate a alienação imposta – Ezequiel da Silva
O discurso do amor rasgado – William Sharkspeare
Dom Quixote (vol. 1) – Miguel de Cervantes
O nascimento da tragédia – Friedrick Nietzsche
O apanhador no campo de centeio – Salinger
Genealogia da moral – Friedrich Nietzsche
De tramas e fios – Marisa Trench de Oliveira Fonterrada
As cinco pessoas que você encontra no céu – Micht Albom
Mergulhando no Espírito – Eber Rodrigues
O Descanço de Deus – Eber Rodrigues
Escola e Educação Musical – Rita Fucci-Amato
Tosco – Gilberto Mattje
Professores de Música – Christiane Denardi
O Filho eterno – Cristovão Tezza
Seis segundos de atenção - Humberto Gessinger
Christine – Stephen King (ainda estou lendo)

P.S: Alguns livros comecei a ler e não consegui terminar por motivos alheios a minha vontade:

Quando Nietsche chorou – Irvin D. Yalom
As crônicas de Nárnia – Clive StaplesLewis

Outros livros li apenas um ou outro capítulo para complementar uma linha de pesquisa, por isso nem vou citá-los. Existem muitos livros que entraram na minha lista de “Espera” e que provavelmente no próximo ano serão lidos.

Termino reafirmando o prazer que sinto com o silêncio da palavra escrita. Gosto do silêncio que as palavras provocam em mim! Como diria Gessinger  “E só uma paixão insana pela palavra escrita levaria alguém a querer ficar quieto num texto”. 

Desejo pro próximo ano, mais leitura pra todos nós!

Com um caso de amor muito sério com este livro <3